O mercado de sementes se junta para inovar

O diretor global de marketing da Syngenta, Alexander Tokarz, diz que as fusões e as aquisições no setor de sementes podem trazer mais tecnologia ao campo

A suíça Syngenta está no centro do processo mundial de consolidação do setor de sementes. Em 2017, foi comprada pela chinesa ChemChina por 43 bilhões de dólares. Neste ano, adquiriu a holandesa Nidera para fortalecer a posição na América Latina. O movimento não deve parar. “Com empresas maiores, há mais inovação”, diz o engenheiro alemão Alexander Tokarz, diretor mundial de marketing da Syngenta, entrevistado durante sua visita ao Brasil em fevereiro. Lançar uma tecnologia está mais caro, por isso o debate sobre propriedade intelectual se acirrou. Ele diz que a lei brasileira avança corretamente, mas há ressalvas.

O que levou à consolidação do mercado de sementes mundial?

Os preços das commodities caíram nesta década, o mercado de sementes declinou — agora está estável — e pressionou a rentabilidade do setor. O custo de lançar mais variedades no mercado subiu muito. Então, tornou-se necessária uma base maior de clientes para justificar o investimento em pesquisas. O bom é que as empresas químicas mostraram interesse em unir valor com as de sementes.

Por que está mais cara a introdução de novas variedades no mercado?

Os reguladores partiram de uma abordagem que reconhece a inovação, sempre com uma atenção à saúde humana, para uma abordagem de risco zero, praticamente impossível de alcançar. Temos de fazer mais testes, o que encarece o processo.

Quais os impactos da consolidação para os produtores?

Com empresas maiores, há mais investimento em inovação. Mas o controle do mercado por poucas empresas pode ter o efeito monopolista, uma questão para as autoridades.

Há espaço para mais consolidação?

A Syngenta é a terceira maior empresa de sementes do mundo. Concluímos a compra da Nidera, o que nos fortalece na América Latina, uma região que tem nosso foco. Outra é a China, que tem um mercado fragmentado. Continuamos procurando aquisições e também parcerias.

Como o senhor avalia o direito de propriedade intelectual em grãos?

Nos Estados Unidos, os produtores pagam sempre pela tecnologia. Na Europa, a patente é respeitada e, nos grãos salvos, paga-se um royalty menor, porque o produtor teve o trabalho da multiplicação. Os emergentes, porém, têm um sistema menos rigoroso.

É o caso do Brasil?

Os grãos devem ser de livre acesso, mas não devem ter acesso gratuito. O modelo que o Brasil discute hoje é correto porque sugere recolher royalties de grãos guardados. Mas não está certo um grupo decidir sobre isso.

A discussão fica mais acirrada com os preços das sementes em alta?

O setor fixa o preço da semente em até um terço do valor criado para o produtor. Acima disso, o produtor não compra. Muito abaixo, o investimento em tecnologia não se paga. O preço cresce, mas há um retorno maior da inovação para o produtor.