Visão Global | O estreito de bilhões de dólares

A explosão de dois petroleiros no Estreito de Ormuz, que os Estados Unidos atribuíram aos iranianos, eleva a tensão no Oriente Médio

A tensão entre os Estados Unidos e o Irã ganhou um novo capítulo com a explosão de dois petroleiros — um japonês e outro norueguês — no Estreito de Ormuz, passagem entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Os Estados Unidos atribuíram os ataques aos iranianos, que negaram a autoria. O incidente, no entanto, aumentou o temor de um possível fechamento desse estreito, principal rota de transporte de petróleo em todo o mundo.

A passagem marítima entre Omã e Irã tem apenas 30 quilômetros de largura em seu ponto mais afunilado e é de uma importância estratégica como nenhuma outra: conecta os principais produtores de petróleo do Oriente Médio aos mercados da Europa, das Américas e, sobretudo, da Ásia, incluindo a China. Segundo estimativas do Escritório de Informações sobre Energia dos Estados Unidos, 19 milhões de barris de petróleo são transportados por Ormuz todos os dias, e aproximadamente 85% dessa produção tem como destino o Japão, a Índia, a Coreia do Sul e a China.

Um eventual bloqueio do estreito, ainda que temporário, pelo Irã traria impactos severos ao mercado de energia e à segurança na região, elevando o risco de uma retaliação militar por parte dos Estados Unidos ou de um de seus aliados. Para a consultoria de riscos políticos Eurasia, é baixa a probabilidade de um confronto em 2019. No entanto, a consultoria alerta que o mundo não deve negligenciar o fato de que uma provocação fora do tom pode, sim, levar a um conflito armado.


ESTADOS UNIDOS

Luzes, câmera… boicote

Série Stranger Things: o estado da Geórgia na mira de Hollywood | Divulgação

Aprovada em maio, a nova lei que restringe o aborto no estado americano da Geórgia não foi bem recebida em Hollywood. Estúdios como a Netflix e a Disney estão ameaçando boicotar o estado caso a legislação passe a valer no ano que vem. Os números da indústria cinematográfica na Geórgia não têm nada de fictícios.

Depois do Canadá, a Geórgia é a locação preferida dos estúdios e serviu de cenário para produções como a série Stranger Things, grande sucesso da Netflix, e o filme Vingadores: Ultimato, produzido pela Disney e uma das maiores bilheterias da história. Um eventual apagão dos holofotes, portanto, não sairá barato para os cofres do estado.


SEGURANÇA

O custo da violência caiu

Aleppo, na Síria: a violência teve a primeira queda de efeito econômico no mundo desde 2012 | Hisam el Homsi/Getty Images

Pela primeira vez desde 2012 o impacto econômico da violência diminuiu no mundo. Em 2018, ele foi de 14,1 trilhões de dólares, o equivalente a 11,2% do PIB global. É o que mostra a nova edição do Índice Global da Paz, estudo produzido pelo Instituto para Economia e Paz que avalia a situação em 163 países. A queda, segundo o estudo, ocorreu em razão da desaceleração de conflitos armados na Síria e na Ucrânia, bem como de atividades terroristas pelo mundo. Só no caso dos conflitos armados houve redução de 29%.

Os resultados obtidos, segundo o instituto, marcam o fim de um ciclo de cinco anos de aumento no custo da violência no mundo. Apesar da notícia boa, o relatório faz o alerta de que o mundo precisará se preparar para a pressão das mudanças climáticas sobre a estabilidade internacional. Hoje, 971 milhões de pessoas vivem em áreas altamente expostas às consequências negativas do clima. Desse total, 41% habitam países pouco pacíficos. A mistura explosiva de fatores poderá desencadear novas situações de violência e conflitos em diversas regiões do planeta.