Carta de EXAME | O Brasil que quer crescer

Em pesquisa exclusiva, 445 dirigentes de empresas foram ouvidos neste ano; do total, 40% se disseram otimistas com o país

Um dos pontos que chamam a atenção nesta edição de MELHORES E MAIORES — uma publicação anual de EXAME que está completando 46 anos — é o ótimo desempenho registrado pelas 500 maiores empresas do Brasil em 2018, um ano em que o cenário político e econômico não foi nada favorável para os negócios.

Em contraste com um crescimento de apenas 1,1% do PIB brasileiro, a elite empresarial do país conseguiu aumentar suas receitas em 9% e obteve um faturamento total de 810 bilhões de dólares no ano passado. Mais surpreendente ainda foram os resultados — o conjunto das 500 empresas alcançou um lucro líquido de 63 bilhões de dólares, o que representou um crescimento de 123% em relação ao valor do ano anterior.

É evidente que esses números foram tão maiúsculos porque, em 2017, as empresas brasileiras haviam tido poucos motivos para comemorar — os lucros naquele ano recuaram 3,3%. Ou seja, a base de comparação fraca contribuiu para o desempenho bom do ano passado. Ainda assim, é preciso sublinhar: a taxa de crescimento da receita, o montante dos lucros e a rentabilidade do patrimônio das 500 maiores empresas do país em 2018 foram os maiores registrados na atual década. Não é pouca coisa — e tudo isso foi fruto de esforços iniciados anos atrás para enxugar os custos, abrir novas frentes de atuação e aumentar a eficiência.

Boa parte das empresas que estão conseguindo avançar em meio às turbulências dos últimos anos parece movida por um combustível primordial: o otimismo. “Um pessimista enxerga dificuldade em cada oportunidade; um otimista enxerga oportunidade em cada dificuldade”, dizia o estadista britânico Winston Churchill.

Uma pesquisa exclusiva realizada pela consultoria de gestão Betania Tanure Associados verificou que não tem faltado esse elemento entre o empresariado brasileiro. Dos 445 dirigentes de empresas ouvidos neste ano, 40% se disseram otimistas com as perspectivas para o país, ante apenas 11% que tinham essa mesma avaliação um ano atrás. Quando se amplia o horizonte para os próximos dois anos, a proporção de otimistas sobe para 72%.

Sem dúvida, esse aumento do grau de otimismo tem a ver com as expectativas de mudanças na economia geradas pelo novo governo. Para que esse otimismo se mantenha, no entanto, é preciso que o governo do presidente Jair Bolsonaro também faça sua parte.

Os primeiros meses de sua gestão têm sido marcados por avanços inquestionáveis — como a virtual aprovação da reforma da Previdência —, mas também por muitos ruídos desnecessários, como suas declarações intempestivas na área ambiental e nas relações com outros países. Para que o Brasil possa voltar a crescer, talvez o melhor caminho seja adotar a velha fórmula que sempre deu bons resultados: ouvir mais, falar menos e trabalhar mais.