Dados & Ideias — Na mira dos bandidos virtuais

Estudo da consultoria americana Accenture mostra que as empresas do setor bancário são as que mais gastam para se proteger das ameaças virtuais.

Num mundo cada vez mais conectado, não é de estranhar que a criminalidade migre de forma veloz e eficiente para o ambiente virtual. Um estudo da consultoria americana Accenture mostra que as empresas do setor bancário são as que mais gastam para se proteger das ameaças virtuais. O trabalho, feito em parceria com o instituto Ponemon, também dos Estados Unidos e dedicado à proteção de dados e segurança da informação, verificou que cada grande empresa de serviço financeiro gastou, em média, 18 milhões de dólares em 2017 para se proteger de crimes cibernéticos — 38,5% mais do que em 2014. O valor é superior à média alocada por companhias de outros setores também visados pelos bandidos virtuais, como telecomunicações, energia e defesa, que gastaram uma média de 12 milhões de dólares no ano passado.

Esse tipo de despesa leva em conta apenas os custos diretos dos ataques e não inclui soluções nem investimentos de longo prazo. A expansão dos gastos com proteção responde diretamente ao aumento dos ataques. Em 2014, eram aproximadamente 40 casos por ano. Agora, são registradas cerca de 125 ocorrências, praticamente uma a cada três dias. O tipo de crime virtual mais caro para os bancos e para as instituições financeiras é a chamada interrupção de serviço com a consequente perda de informações — que afetam diretamente a vida do cliente. Cada ataque custa, em média, quase 228 000 dólares e 60% dos gastos totais são decorrentes da detecção e contenção. “À medida que os custos dos crimes cibernéticos continuam a subir, as empresas do setor financeiro têm investido mais em relação ao uso de tecnologias de automação, inteligência artificial e machine learning para se proteger”, diz Chris Thompson, diretor da Accenture e líder global da área de finanças e risco. No setor financeiro, o estudo ouviu 352 executivos de grandes empresas em sete países: Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Austrália, França, Itália e Japão.

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CONSTRUÇÃO CIVIL

A RECUPERAÇÃO ESTÁ EM MARCHA 

Ainda são de dar vontade de chorar os dados gerais do setor de construção residencial, comercial e hoteleira. Em fevereiro, o índice que mede a atividade de construção nesses segmentos registrou o pior momento: desceu para 51 pontos, menos da metade do auge alcançado pelo indicador em novembro de 2011, com quase 118 pontos. O que não é tão evidente é o que ocorre ao longo do processo de construção, como mostram dados da empresa de big data Neoway. Enquanto houve retração de 1,6% nas construções em fase de acabamento de fevereiro de 2017 a fevereiro deste ano, as obras em início, ou seja, na fundação, cresceram 47% no mesmo período. O avanço é resultado da expansão dos lançamentos de imóveis desde agosto do ano passado. Nessa toada, podem vir boas notícias nos próximos seis meses, intervalo médio entre o lançamento de uma obra e quando ela sai do papel. Isso porque houve uma elevação de 10% no número de empreendimentos novos apenas nos dois primeiros meses de 2018.

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MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

O EFEITO DA DESINDUSTRIALIZAÇÃO 

Feira de automação na Alemanha: equipamentos novos não estão vindo para o Brasil | Fabian Bimmer/Reuters

Um levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais mostra que, enquanto a importação de máquinas e equipamentos caiu 16% em 2017, a compra de peças e acessórios para reposição cresceu 14%. Ou seja, as empresas brasileiras estão limitando seus investimentos na renovação de um parque industrial já envelhecido, que tem, em média, 17 anos de idade. Por enquanto, a tônica é apenas manter o parque já instalado, repondo partes desgastadas ou fazendo adaptações. A previsão da entidade é que a importação de bens de capital leve ainda pelo menos cinco anos para recuperar os volumes alcançados em 2013, quando 33 bilhões de dólares em máquinas e equipamentos chegaram ao Brasil. Para o setor, os sinais são de que a recente desindustrialização brasileira deverá ser compensada com o aumento da importação de produtos em geral pelo país. Para este ano, a previsão é de aumento de 12% nas importações do Brasil, para perto de 170 bilhões de dólares.

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EMPREGO

DIFÍCIL É ACHAR GENTE COM QUALIFICAÇÃO 

Vagas: quem tem diploma é mais procurado | Nelson Antoine/Folhapress

Uma pesquisa da consultoria americana de recursos humanos Robert Half mostra que o Brasil é o país onde os altos executivos das empresas têm mais dificuldade para contratar. Na consulta com quase 5 000 presidentes de empresas e vice-presidentes financeiros de 13 países, 76% dos brasileiros entrevistados disseram sentir muita dificuldade para encontrar profissionais qualificados no mercado. Na Austrália, que vem em segundo lugar, 57% dos consultados dizem não encontrar o trabalhador com perfil adequado. No Brasil a taxa geral de desemprego é de 11,8%. No entanto, a taxa de desocupação é bem menor para os profissionais com 25 anos de idade ou mais e formação superior: 5,7%. Ou seja, o apagão de talentos continua.

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