Dataprev fatura alto com venda de serviços para bancos

Ainda assim, principal foco da companhia, que lucrou 50 milhões de dólares em 2016, continua sendo o governo federal

Criada em 1974 para suprir as necessidades de processamento de informações da Previdência Social, a Dataprev permaneceu, durante muito tempo, associada à burocracia e à ineficiência estatais. Hoje, a imagem é bem diferente. A empresa tornou-se referência no processamen­to de grandes volumes de dados, condição reforçada pela eficiência também na gestão dos negócios.

No ano passado, a Dataprev faturou 366 milhões de dólares, com queda de 7% em relação a 2015. Ainda assim, teve lucro de quase 50 milhões de dólares, proporcionando um retorno de 12% sobre o patrimônio líquido. Os bons resultados remontam à abertura, em 2006, de unidades de desenvolvimento de soft­ware em cinco capitais: Rio de Janeiro, Natal, Fortaleza, João Pessoa e Florianópolis.

De lá para cá, graças à maior capacidade produtiva, a Dataprev conseguiu ampliar a lista de clientes. Dez outros órgãos federais, ligados a diferentes ministérios, começaram a usar seus serviços, ao mesmo tempo que eram assinados os primeiros contratos com a iniciativa privada. A investida no mercado deu tão certo que, no ano passado, 34% das receitas vieram da prestação de serviços a 51 instituições financeiras.

“Nosso principal foco continua sendo o governo federal”, diz André Leandro Magalhães, presidente da Dataprev. “O atendimento a empresas fora do círculo oficial resulta de serviços que a Dataprev presta a seus clientes de governo e podem ser de interesse também da iniciativa privada.”

André Leandro Magalhães, presidente da Dataprev: selo internacional atesta eficiência dos data centers da estatal | (Germano Lüders/EXAME)

Um novo ciclo da relação com os clientes, tanto governamentais quanto privados, teve início no ano passado com a prestação de serviços de inteligência baseados no uso de ferramentas para extração, análise e cruzamento de dados previdenciários, trabalhistas, sociais e civis.

“Queremos cada vez mais desenvolver soluções tecnológicas que permitam a integração dessas diferentes bases de dados para auxiliar no monitoramento e no desenvolvimento de políticas públicas”, diz Magalhães. “Ao mesmo tempo, a ideia é ampliar a oferta de serviços digitais.”

Esse plano se sustenta nos lucros da Dataprev — na casa dos 50 milhões de dólares por ano desde 2011 —, que têm dado fôlego a investimentos importantes, como os que ampliaram a capacidade dos data centers de Rio Janeiro, São Paulo e Brasília. Em 2016, o volume de investimentos, de 85 milhões de reais, foi 30% superior ao do ano anterior. Com as melhorias proporcionadas pela injeção desses recursos, a empresa obteve no início deste ano a certificação internacional Tier III.

O selo atesta o atendimento a requisitos de segurança e disponibilidade da in­fraestrutura tecnológica — só recebem essa certificação os data centers capazes de operar por, no mínimo, 99,98% do tempo no ano. Ou seja, num ano inteiro, a soma de interrupções do funcionamento dos servidores não pode passar de 1 hora e 36 minutos.

“Um data center com essa certificação não precisa parar para substituir equipamentos ou realizar serviços de manutenção”, diz Magalhães. É um exemplo de que, com boa gestão, uma empresa pública também pode ser eficiente.