Visão global | Mais tarifas, menos crescimento

Elevar tarifas de importação diminui o crescimento da economia, faz o país perder produtividade, eleva o desemprego e agrava a desigualdade social

Seja nos Estados Unidos, seja no Brasil, quando um segmento da indústria se vê ameaçado pela concorrência estrangeira, os políticos são pressionados pelas empresas e pelos trabalhadores a proteger seus mercados e a aumentar as tarifas de importação. A medida é cheia de boas intenções, afinal o objetivo é defender os empregos e a economia doméstica. Mas o que se vê é que, no final, os consumidores é que saem prejudicados, porque acabam pagando mais por produtos que são, geralmente, de pior qualidade. Um estudo recente de economistas do Fundo Monetário Internacional e da Universidade da Califórnia em Berkeley dá uma dimensão dos prejuízos econômicos provocados por esse protecionismo.

Analisando os dados de 151 países de 1963 a 2014, os economistas concluíram que o aumento de tarifas de importação diminui o crescimento da economia, faz o país perder produtividade, eleva o desemprego e agrava a desigualdade social. Um exemplo: o aumento de 1 ponto percentual nas tarifas de importação leva a uma redução de 0,4% do PIB em cinco anos, segundo o cálculo dos economistas. No momento em que os Estados Unidos e a China negociam um acordo comercial, não faltam razões econômicas para encerrar a disputa tarifária que marcou a relação entre as potências nos últimos 12 meses. Empresas e consumidores agradeceriam.


ÁFRICA

A miséria em declínio

Favela em Nairóbi, no Quênia: a extrema pobreza começa a diminuir na África | Alamy/Fotoarena

Embora o número de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza tenha caído nas últimas décadas, a miséria ainda continua elevada em países africanos. Dos 422 milhões de pessoas que vivem em condição de miséria no mundo, 70% estão na África. Mas há sinais de avanços. Segundo a consultoria austríaca World Data, especializada em análise de dados socioeconômicos, pela primeira vez o número de pessoas abaixo da linha de pobreza deve começar a diminuir na África a partir deste ano. Se o ritmo previsto se concretizar, 45 milhões de pessoas deverão sair da extrema pobreza até 2030.


ARGENTINA

O dilema de Macri

Mauricio Macri, da Argentina: o pesado corte de custos abala sua tentativa de reeleição | Ricardo Ceppi/GETTY IMAGES

Faltando pouco mais de seis meses para as eleições na Argentina, o presidente Mauricio Macri enfrenta um dilema dos grandes. Por um lado, seu governo precisa dar continuidade a um severo ajuste fiscal iniciado no ano passado para tentar colocar as contas públicas em ordem e manter controlada a alta taxa de inflação do país. Por outro, suas medidas — duras, porém corretas — vêm tendo um custo pesado para a população. Com a economia em recessão e o desemprego em alta, o número de pessoas consideradas pobres cresceu. E elas já não podem mais contar com os subsídios das tarifas de energia que antes eram bancados pelo governo.

Por essas e outras razões, a popularidade do governo Macri deslizou. Apenas 23% da população aprova sua gestão. Segundo um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que analisa a situação da economia argentina, as eleições serão um teste para as políticas de ajuste adotadas no governo Macri. Um dos pontos mais problemáticos é que a Argentina já enfrenta um déficit fiscal há quase oito anos, e equilibrar os gastos públicos é mais do que urgente para garantir o crescimento sólido no futuro.