Para a Jacto o caminho é inovar sem perder a tradição

Sem esquecer suas raízes, a fabricante de implementos Jacto aposta em tecnologia para a agricultura de precisão e cresce dois dígitos

ano de 2019 marca uma importante passagem na história da Jacto, fabricante de implementos agrícolas de Pompeia, no interior paulista. Em uma cerimônia ecumênica que reuniu toda a família em julho, os Nishimura realizaram a transição do comando da empresa para a terceira geração. Jorge Nishimura, até então presidente do conselho de administração da empresa, entregou o cargo ao sobrinho Ricardo.

“Estamos celebrando algo muito raro, que acontece a cada 30 ou 40 anos”, afirma Jorge, filho mais novo de Shunji Nishimura, o imigrante japonês que fundou a Jacto em 1948, partindo de uma oficina para conserto de polvilhadeiras (aparelho para aplicação de defensivos). “Existe um ditado que diz: pai rico, filho nobre e neto pobre. Em nossa família, essa maldição está sendo quebrada”, diz Jorge, que continua dando suporte à nova geração no comando da Jacto. Para Ricardo, poder realizar essa passagem de forma tranquila é um sinal de que a família está em paz, o que só fortalece os negócios.

Fernando Gonçalves, presidente executivo da Jacto: a empresa investe de 4,5% a 5% do faturamento em pesquisa | Germano Lüders

E os negócios vão bem, obrigado. Em 2018, quando comemorou 70 anos, a Jacto obteve um crescimento de dois dígitos graças à estratégia de investir no lançamento de produtos inovadores e no relacionamento com os clientes. O faturamento, de 391 milhões de dólares, foi 19% superior ao do ano anterior — a maior taxa do setor. O lucro atingiu 36 milhões de dólares, representando um retorno de 12% sobre o patrimônio. “Almejamos ser uma empresa que não fica parada no tempo e acompanha as tendências do mercado, mas sem perder a conexão com os valores que remetem à nossa fundação”, diz Ricardo.

Uma das apostas da Jacto é a agricultura de precisão, que ganha cada vez mais espaço nas lavouras e vem transformando o agronegócio. O conceito, calcado na digitalização e intrinsecamente ligado à indústria 4.0, oferece um detalhamento das condições do solo e da plantação até pouco tempo inimaginável. Com o advento de tecnologias como georreferenciamento e drones, o produtor hoje precisa, às vezes, ter mais jeito de engenheiro do que de agricultor. “Há uma grande demanda por ferramentas que aumentam a produtividade do agricultor, o que só é possível com uma visão abrangente do que está acontecendo no campo”, afirma Ricardo. “Por esse motivo, investimos muito em inovação.”

A Jacto procura estar sempre em dia com a evolução da agricultura de precisão. Fernando Gonçalves, presidente executivo da empresa, cita como exemplo os pulverizadores. “Cada máquina sai de fábrica com 12 computadores e mais de 50 sensores, que são conectados a 8.000- metros de fios e chicotes”, diz Gonçalves. Entre as diversas funções de automação disponíveis está a de repetição de operações: basta tocar o processo uma vez, e a máquina grava na memória e o refaz automaticamente dali em diante. A previsão é que, em breve, nem de operador precisará mais. Além de investir perto de 5% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento, a Jacto mantém diversos programas de formação profissional. “De nada adianta ter a tecnologia se o produtor não sabe usá-la”, diz Gonçalves. “Só seremos competitivos se todo o ecossistema agrícola elevar a competitividade.”

Na visão de Ricardo Nishimura, esse pensamento foi fundamental para a Jacto superar um cenário complicado em 2018. “Tivemos a Copa do Mundo, as eleições presidenciais e a greve dos caminhoneiros, gerando muitas oscilações”, diz ele. “Para investir, o agricultor precisa de confiança na economia, algo que esteve em falta o ano todo.”

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