Hospital de Parauapebas nem nasceu mas já está na UTI

A construção do hospital municipal de Parauapebas, no inte­rior do Pará, é um exemplo da falta de planejamento que as­sola o poder público no Brasil

São Paulo — A construção do hospital municipal de Parauapebas, no inte­rior do Pará, é um exemplo da falta de planejamento que as­sola o poder público no Brasil. A obra foi contratada pela prefeitura local em 2008 e deveria ter terminado em 12 meses. Mas, passados oito anos, ainda faltam cerca de 10% dos trabalhos.

O projeto executivo da construção, que prevê 224 leitos normais e 12 para atendimentos de alta complexidade, foi alterado nove vezes. Erros primários de engenharia explicam as mudanças. Eis alguns: no projeto original, os eleva­dores não comportavam as macas e faltava uma saída para os casos de óbito.

“Foi preciso refazer boa parte da obra, aumentando os custos”, diz o promotor estadual Hélio Rubens Pereira, que investiga as irregularidades da obra. “Os gastos já beiram 50 milhões de reais, cinco vezes o orçamento inicial.” Uma vez concluída a construção, ainda faltará resolver quem vai arcar com a manutenção da unidade, a um custo estimado em 5 milhões de reais por mês.

A atual gestão municipal, que diz que os serviços malfeitos começaram na gestão passada, negocia convênios com cidades vizinhas e o governo estadual para obter recursos.

“O hospital deverá funcionar a partir do segundo semestre”, diz o secretário municipal de Saúde, João Luiz Ribeiro. Enquanto o próprio hospital não sai da UTI, os pacientes de Parauapebas precisam ser deslocados para Marabá, a 170 quilômetros de distância.