Este tênis é a última excentricidade do Vale do Silício

O calçado é feito de lã merino. E não é que é confortável?

Os empreendedores do Vale do Silício adoram um estilo casual, um visual que os diferencie dos sisudos senhores da velha economia e dê a impressão de que gastam o tempo com coisas mais importantes do que roupas. Moletons com capuz e camisetas cinza fazem parte desse guarda-roupa. Nos pés, já houve o tempo do New Balance e do Crocs. Agora é a vez do Allbirds, um tênis felpudo de linhas minimalistas. Lançado em 2016 por empresários da Nova Zelândia, é feito de lã merino, uma fibra natural de uma raça específica de ovinos. A vantagem, segundo os adeptos, é que o tecido funciona como um isolante térmico, que aquece no inverno e ventila no verão, absorve o suor e minimiza o odor.

De olho nesse mercado, Eduardo Glitz, Pedro Englert, Marcelo Maisonnave e Mateus Schaumloffel investiram 4 milhões de reais para criar, em 2018, a Yuool, sigla para young (“jovem”), urban (“urbano”) e wool (“lã”), a versão brasileira do Allbirds. A meta era vender no primeiro ano 1.900 pares. A marca ultrapassou 7.400.

Os quatro sócios trabalharam na XP. Depois de deixarem a gestora de investimento, por questões contratuais, não poderiam investir no setor financeiro. Partiram para uma temporada sabática. “O Marcelo foi morar na Califórnia, o Pedro passou uma temporada no Vale do Silício e eu visitei 42 países em 407 dias. Fomos ver o que estava rolando no mundo e curtir a vida”, afirma Glitz. Em 2016 começaram a escolher em que investir. Hoje, têm cinco fintechs, a empresa de educação continuada StartSe e a Yuool.

O tecido nobre vem da Itália, onde a marca já iniciou uma operação de venda. Para chegar a um bom preço final, mesmo com um material nobre, os empreendedores optaram pela verticalização. Eles produzem as peças em Estância Velha (RS), onde fica a sede da empresa, e vendem pela internet. “Dessa forma tiramos do caminho os intermediários”, diz Glitz. “Nosso próximo passo será marcar presença nos Estados Unidos e na China. Também colocamos como meta vender 30. 000 pares neste ano, entre Brasil e Itália.”