Visão Global — Economia mundial segue em ritmo acelerado

Os dados divulgados até o fim de abril indicam que o PIB global teve um crescimento anual de 3,5% no primeiro trimestre, o melhor nível em três anos

ECONOMIA MUNDIAL

EM RITMO ACELERADO

Depois de registrar no ano passado o maior crescimento em seis anos, a economia mundial continuou aquecida nos primeiros meses de 2018. Os dados divulgados até o fim de abril indicam que o PIB global teve um crescimento anual de 3,5% no primeiro trimestre, o melhor nível em três anos. A boa fase é puxada especialmente pelos países ricos, que vêm registrando aumento nas exportações e nos investimentos. Os números relativos ao emprego também têm sido positivos, favorecendo o aumento do consumo.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa de desemprego caiu para 3,9% no mês de março, o menor número desde dezembro de 2000. No Japão e na Europa, o desemprego também diminuiu. A China, outro motor da economia, vem se beneficiando do aumento da demanda nos países ricos e da expansão do comércio no mundo, apesar de sofrer as ameaças protecionistas do governo de Donald Trump. Agora, enquanto as empresas, os consumidores e os governos se aproveitam do bom momento econômico, muitos analistas se perguntam se ainda há espaço para uma expansão maior da economia ou se ela já atingiu um teto.

A consultoria FocusEconomics, que produz relatórios sobre 127 países, prevê que o ritmo de crescimento global diminuirá nos próximos trimestres, chegando a 3,2% em 2019 — o que ainda é um bom resultado, vale ressaltar. As maiores ameaças a essas projeções são uma escalada das disputas comerciais entre os Estados Unidos e a China e um sobreaquecimento da economia americana. Isso levaria o Fed, banco central dos Estados Unidos, a elevar os juros num ritmo mais rápido do que o esperado, medida que aumentaria o valor do dólar nos países emergentes, como o Brasil.

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ARGENTINA

UMA AMEAÇA PARA MACRI

A rápida valorização do dólar em relação ao peso argentino em 2018 criou uma preocupação adicional para o presidente da Argentina, Mauricio Macri. Mesmo depois de adotar uma série de reformas pró-mercado para reajustar a economia, o governo argentino continua com dificuldades para reduzir a inflação a um nível civilizado. Em março, a inflação anual ficou em 25%, ainda distante da meta do banco central da Argentina, de 15%. O aumento dos preços é consequência de um reajuste que elevou o custo da energia e do gás. A disparada do dólar só pressiona ainda mais a inflação, uma vez que as importações cresceram. O câmbio também é prejudicado por uma queda nas exportações de soja, cuja produção caiu para o menor nível desde 2009 por causa de uma forte seca. Não está fácil para nosso vizinho.

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PAÍSES EMERGENTES

O RISCO DE PERDER VAGAS

Fábrica de biscoitos:a automação ameaça os empregos | Peter Nicholls/Reuters

No debate sobre o impacto da tecnologia nos empregos, uma preocupação tem sido bastante levantada por especialistas: o que acontecerá com os trabalhadores de países emergentes caso as empresas decidam realocar a produção para os países ricos usando robôs? Esse é o tema central de um relatório de 118 páginas feito em conjunto por bancos de desenvolvimento regionais, entre eles o Banco Interamericano de Desenvolvimento. Para os autores, além de os países emergentes correrem o risco de perder as vagas atuais, também devem ser menos beneficiados pela geração de empregos ligados às novas tecnologias. A razão está na baixa qualidade da mão de obra. Investir em educação é mais urgente do que nunca.

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TURQUIA

SEGUINDO OS PASSOS DO BRASIL?

Recep Erdogan, da Turquia: eleições adiantadas para junho | Turkish Presidency/Zuma Wire/ Fotoarena

Olhando friamente os dados do PIB da Turquia, pode parecer que o país está vivendo um milagre econômico. Em 2017, a Turquia registrou um crescimento de 7,4%, a maior alta em cinco anos. No entanto, o resultado esconde uma realidade muito mais complexa. O crescimento tem sido puxado por uma série de estímulos econômicos do governo do presidente Recep Tayyip Erdogan, como o aumento de incentivos fiscais. O resultado é que as contas públicas da Turquia vêm se deteriorando rapidamente. O déficit primário deve chegar a 1,5% do PIB neste ano, segundo as previsões do Fundo Monetário Internacional. Num relatório publicado no final de abril, o FMI alerta que a economia turca já dá sinais de sobreaquecimento e há riscos de ocorrer uma rápida desaceleração num futuro próximo. Não é à toa que Erdogan decidiu adiantar para junho deste ano as eleições previstas para novembro de 2019.

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IRLANDA

TRADIÇÃO VERSUS LIBERALIZAÇÃO

Manifestantes em Dublin: um teste para a tradição católica | Szymon Barylski/Getty Images

Nos últimos dois meses, os habitantes de Dublin, capital da Irlanda, acostumaram-se a ver os postes de luz cobertos com cartazes que trazem imagens de fetos e mensagens contra ou a favor ao aborto. A campanha tem relação com um referendo histórico que será realizado em 25 de maio. Os eleitores serão consultados sobre a revogação de uma emenda constitucional, aprovada em 1983, que reconhece o direito à vida dos não nascidos e restringe o aborto apenas aos casos de ameaça à vida da mãe. É uma das leis mais restritivas da Europa. A questão divide os irlandeses. Apesar de a Irlanda ter uma forte tradição católica, a religião já não é tão presente, e o país vem se tornando mais liberal. Em 2015, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado. E o primeiro-ministro Leo Varadkar é o primeiro homossexual a liderar o país.

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