As empresas mais sustentáveis em dez categorias temáticas

Veja as companhias que se destacaram em dez temas analisados no GUIA EXAME DE SUSTENTABILIDADE 2019

DIREITOS HUMANOS | ENEL

Em busca dos pontos fracos

A concessionária Enel lançou um amplo projeto de avaliação da situação dos direitos humanos em toda a sua operação

Só por ser líder na geração de energia solar no Brasil e uma das líderes na geração de energia eólica, a italiana Enel — que no ano passado se tornou a maior distribuidora de energia do país com a compra da Eletropaulo — já se destaca no tema de sustentabilidade. Mas não se acomoda.

A empresa começou um programa de due diligence, cuja primeira fase terminará no final deste ano, para examinar a situação dos direitos humanos em toda a sua operação. “Falamos muito do tema no momento de entender com profundidade a comunidade em que estamos inseridos”, afirma Nicola Cotugno, presidente da Enel no Brasil. Por isso, era importante saber como a empresa está internamente. “Foi um passo de muita humildade para conhecermos nossas debilidades e forças. Não tanto para celebrar o ponto forte, mas para trabalhar o mais fraco.”

Como parte do projeto, a empresa conduziu uma ampla análise interna de 12 áreas, com 176 questões ligadas aos temas de liberdade de associação, condições de trabalho, trabalho forçado, trabalho infantil, diversidade, comunidade, corrupção, saúde e segurança e meio ambiente.

Em liberdade de associação o resultado foi ótimo: 95% de conformidade com o modelo. Já em trabalho forçado e meio ambiente, as notas foram piores: 71% e 73% de conformidade, respectivamente. Daí por diante, a empresa definiu 38 ações envolvendo funcionários, fornecedores e clientes. Segundo Cotugno, quase 70% do esforço já foi realizado.

A fase que termina neste ano incluiu ações focadas na criação, na formalização e na implementação de uma série de políticas e procedimentos internos, incluindo medidas contra assédio moral e sexual. Também foi criado um mapeamento de riscos em direitos humanos e de possíveis melhorias nos canais de denúncia.

No ano que vem, o trabalho continuará, com novas avaliações e metas para o período até 2022. “Trabalhamos o tema de direitos humanos com todas as equipes e os parceiros”, diz Cotugno. “Operamos com 7 milhões de contratos e atingimos até 25% da população com nossos serviços. Nosso impacto pode ser muito grande.”


GESTÃO DA ÁGUA | RENNER

Ações para diminuir o consumo

A varejista replica nas novas lojas as práticas de redução do uso de água de sua sede. E quer engajar a cadeia de fornecedores na mesma missão  | Arlete Lorini

Loja da Renner em shopping de São Paulo: com novas práticas, a economia de água gira em torno dos 45% | Germano Lüders

Loja da Renner em shopping de São Paulo: com novas práticas, a economia de água gira em torno dos 45% | Germano Lüders (/)

As práticas de gestão do consumo de água mudaram de patamar na Lojas Renner depois da construção de sua sede administrativa, inaugurada na capital gaúcha em 2017. O prédio de 35 000 metros quadrados, que recebe 1 300 pessoas por dia, segue as premissas do Leadership in Energy and Environmental Design (Leed), um sistema de certificação que prevê economia de recursos naturais desde a construção até a operação do empreendimento.

Com medidas como a instalação de cisternas, a Renner estima uma redução de consumo em torno de 55% em relação a um prédio convencional. “Com base no aprendizado com nossa sede, passamos a adotar as mesmas práticas nas construções e nas reformas de lojas”, diz Eduardo Ferlauto, gerente sênior de sustentabilidade da Lojas Renner.

Mais de 100 lojas já operam dentro das novas práticas, de um total de 582 unidades da rede, incluindo as da Camicado, da Youcom e da Ashua. Muitas vezes, porém, a economia de até 45% no consumo de água não pode ser certificada, porque a maioria dos shopping centers não tem nem medidores individuais.

O próximo passo é levar a gestão da água para a cadeia de fornecedores, que, só de produtos diretos para revenda, supera 300 empresas no país. Desde 2013, a Renner desenvolve programas de sustentabilidade com seus fabricantes de jeans, com sugestões de melhorias, como a otimização das lavagens e a utilização de químicos que permitem usar menos água.

Em 2018, a Renner lançou a coleção Re Jeans, com peças feitas com fios reaproveitados das sobras de tecido, o que diminuiu o consumo de água em 44%, segundo análise própria. Foram vendidos mais de 54 000 itens dessa coleção. Neste ano, a rede passou a monitorar mais de perto o consumo de água da maioria de seus fornecedores de jeans. Isso deverá evoluir, no ano que vem, para o monitoramento de outras camadas de fornecimento, provavelmente aquelas que são grandes consumidoras de água, como as linhas de estamparia e tinturaria.


GESTÃO DA BIODIVERSIDADE | L’ÓREAL

Os cremes ambientais

A L’Oréal investe no desenvolvimento de cadeias de sustentabilidade, baseadas nos benefícios de elementos da floresta e no apoio a comunidades locais | Carla Aranha

Centro de pesquisa e inovação da L’Oréal, no Rio de Janeiro: no mundo, a empresa já usa cerca de 360 espécies de plantas de 100 países | Divulgação

Centro de pesquisa e inovação da L’Oréal, no Rio de Janeiro: no mundo, a empresa já usa cerca de 360 espécies de plantas de 100 países | Divulgação (/)

Não é raro encontrar, nos produtos da L’Oréal, ingredientes como o babaçu, extraído por grupos de mulheres extrativistas no interior do Maranhão, e outras matérias-primas da biodiversidade brasileira, como o cupuaçu, de alto poder umectante, e o pracaxi, espécie típica da Amazônia. As sementes e as plantas da flora brasileira estão presentes na formulação de linhas de xampu, entre elas a Kérastase e a Elséve, e de protetores solares da marca Vichy.

O Centro de Pesquisa e Inovação da empresa, no Rio de Janeiro, é responsável por boa parte do desenvolvimento de novas cadeias de sustentabilidade baseadas no apoio a comunidades locais e no resgate dos benefícios dos elementos da floresta. No mundo, a francesa L’Oréal já utiliza aproximadamente 360 espécies de plantas de 100 países.

Em Tomé-Açu, no Pará, a empresa criou um centro de extração de polpa de cupuaçu — fruto de uma árvore da Amazônia que é uma importante fonte de renda para famílias da região. O murumuru, ativo nacional com características nutritivas e antioxidantes, também é colhido por meio do extrativismo no norte do país. Com o programa Fornecimento Solidário, a L’Oréal ajuda mais de 180 famílias dando apoio para a instalação de equipamentos e para a capacitação profissional.

A empresa também age pela valorização do trabalho das mulheres. Todo o óleo de babaçu usado em xampus vem de Lago do Junco, no interior do Maranhão. As amêndoas são colhidas das palmas majoritariamente por mulheres, que também produzem o óleo. “As produtoras rurais estão se fortalecendo e têm mais chance de obter renda, enquanto preservam a floresta”, diz Maya Colombani, diretora de sustentabilidade da L’Oréal.

Além disso, a companhia assumiu o compromisso de que, até 2020, nenhuma de suas formulações tenha modos de produção prejudiciais ao meio ambiente. No ano passado, 98% do óleo de soja utilizado pela L’Oréal no Brasil já foi classificada como sustentável, tendo origem, principalmente, em áreas sem risco de desmatamento.


GESTÃO DE CLIENTES |  AES TIETÊ

Ver de perto para resolver melhor

A empresa de energia AES Tietê ampliou o índice de satisfação dos clientes com uma série de mudanças — uma delas é a rotina de visita que eles recebem de diretores | Suzana Liskauskas

Funcionário da AES Tietê: todos os diretores visitam os clientes corporativos para entender melhor os problemas que ocorrem no dia a dia | Divulgação

Funcionário da AES Tietê: todos os diretores visitam os clientes corporativos para entender melhor os problemas que ocorrem no dia a dia | Divulgação (/)

Conhecer de perto o cliente, e entender suas demandas, é uma das lições de casa dos gestores da AES Tietê, empresa de energia do grupo AES Brasil. Há pelo menos cinco anos, uma vez por semestre os executivos, desde o nível de coordenação até a presidência, acompanham uma reunião de rotina nas instalações dos clientes, que são apenas empresas de médio e pequeno portes.

A prática aproxima executivos de setores como financeiro, jurídico e recursos humanos da rotina dos clientes. Ao estreitar essa relação, torna-se mais fácil para um diretor de tesouraria, por exemplo, entender os motivos que levaram o cliente a pedir para postergar uma fatura. Os investimentos em aprimorar o relacionamento não se resumem às visitas semestrais.

Com o compromisso de promover a melhor experiência para o cliente, estabelecido na revisão de diretrizes de sustentabilidade, com vigência de 2019 a 2023, a AES Tietê reestruturou muitos processos internos. Parte do resultado desse esforço, desenvolvido com mais ênfase desde 2017, reflete-se no Índice de Satisfação da Qualidade Percebida. No ano passado, o índice chegou a 93%, enquanto em 2017 havia atingido 89%.

A meta da empresa é alcançar 96% de satisfação do cliente até 2023. “Com base nos dados coletados nas reuniões com a presença da liderança e nas informações extraídas da pesquisa anual de satisfação, é definido todo ano um plano de melhoria”, afirma Rogério Jorge, diretor de relacionamento com o cliente e inovação da AES Tietê.

De acordo com Jorge, de 2018 para 2019, houve um esforço concentrado para aumentar a capacitação da equipe comercial, abordando temas como regulação de mercado, modelagem financeira e característica de produtos. Com relação à tecnologia, um novo software possibilitou o acesso online às informações do cliente. Uma nova central de atendimento eletrônico foi planejada para direcionar a solicitação do cliente ao canal mais adequado. “Em termos de processos, reformulamos o website da AES Tietê para facilitar o acesso a informações e tornar a navegação mais ágil. Internamente, para agilizar aprovações e diminuir o tempo de resposta, garantimos mais autonomia às equipes”, diz Jorge.


GESTÃO DE FORNECEDORES | BASF

Boas práticas em toda a cadeia

Um Projeto criado pela Basf em parceria com outras empresas do setor incentiva ações sustentáveis na cadeia de suprimentos da indústria química  | José Alberto Gonçalves Pereira

Laboratório da Basf: parcerias até com concorrentes para promover a sustentabilidade no setor | Germano Lüders

Laboratório da Basf: parcerias até com concorrentes para promover a sustentabilidade no setor | Germano Lüders (/)

Fabricante de embalagens industriais, a alemã Schütz Vasitex é uma das fornecedoras da Basf mais bem pontuadas nas avaliações de sustentabilidade feitas por clientes e auditorias independentes. Foi uma das empresas que receberam o Prêmio Basf de Excelência aos Fornecedores no segmento de embalagens, em sua décima edição, promovida em 2018. Com fábrica em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, a Schütz Vasitex é um dos milhares de fornecedores cujo desempenho em sustentabilidade é avaliado pela iniciativa Together for Sustainability (TfS, sigla em inglês para “Juntos pela Sustentabilidade”).

Entre outros processos inovadores, a Schütz Vasitex tem um sistema de reaproveitamento de contêineres que armazenam substâncias químicas. Ela diminuiu de 15% a 20% o custo de aquisição dessas embalagens pela unidade da Basf de São Bernardo do Campo, onde são produzidas tintas automotivas e imobiliárias, incluindo as marcas Glasurit e Suvinil.

A TfS foi lançada em 2011 pela Basf e por outras cinco empresas químicas para incentivar seus fornecedores a adotar boas práticas em meio ambiente, direitos humanos, trabalho decente, saúde e segurança e governança.

Atualmente, 23 companhias integram a iniciativa, como AkzoNobel, Bayer, DuPont, Henkel, Merck e Sanofi, além da Basf. “Não fazemos tudo sozinhos. Parcerias, inclusive com concorrentes, são fundamentais na estratégia de sustentabilidade da companhia”, diz Cristiana Xavier Brito, diretora de relações institucionais e sustentabilidade da Basf para a América do Sul.

Há dois elementos centrais no trabalho da TfS: uma avaliação conduzida pela EcoVadis, plataforma de classificação de sustentabilidade para cadeias globais de suprimentos, e as auditorias realizadas por empresas independentes. “Faz parte da governança global da Basf gerir sua cadeia de fornecimento com o auxílio de políticas e ferramentas que contribuem para a mitigação de riscos e para boas práticas orientadas pelos nossos princípios e valores”, diz Manfredo Rübens, presidente da Basf para a América do Sul. Em torno de 70% dos principais fornecedores da Basf no mundo já são avaliados pela iniciativa TfS. “A meta é atingir 90% até 2025”, diz Cristiana.


GESTÃO DE RESÍDUOS | EUROFARMA

Uma coleta de resíduos especiais

O laboratório Eurofarma expande A linha +Verde, que ensina o consumidor a descontaminar embalagens de medicamentos | José Alberto Gonçalves Pereira

Linha de produção da Eurofarma: destinação adequada de frascos e cartelas | Alexandre Battibugli

Linha de produção da Eurofarma: destinação adequada de frascos e cartelas | Alexandre Battibugli (/)

O destino adequado das embalagens de medicamentos tornou-se nos últimos anos um dos principais desafios para a política de sustentabilidade das companhias farmacêuticas. É fácil enviar à coleta seletiva bulas e caixas de papel, chamadas de embalagens secundárias. Mais difícil para o consumidor é saber o que fazer com as embalagens primárias, como frascos, cartelas e tubos que têm contato direto com o composto químico contaminante (sobras ou remédios vencidos).

Para atacar esse problema, o laboratório Eurofarma iniciou em 2010 uma parceria com o grupo varejista Pão de Açúcar para a coleta de medicamentos usados e com validade vencida. Trata-se de uma coleta especial, que envia agulhas, ampolas e seringas para descontaminação antes de encaminhá-las ao aterro sanitário, além de destinar frascos e cartelas com sobras de medicamentos à incineração.

Sem abandonar seu programa de coleta, a Eurofarma iniciou em 2018 um projeto ainda mais ambicioso, o da linha +Verde, que apresenta instruções na parte interna da caixa do medicamento para o consumidor descontaminar os recipientes dos fármacos em sua residência. Descontaminados, materiais nobres, como alumínio e PVC, podem ser enviados à coleta seletiva regular de recicláveis. A empresa iniciou esse projeto com seus dois principais produtos, o antibiótico Astro e o contraceptivo Selene. Mais dois produtos +Verde deverão ser lançados até o fim deste ano. Outros três têm lançamento previsto para 2020, incluindo um laxante, cuja bisnaga passará a ser fabricada com plástico verde da Braskem (provavelmente à base de cana-de-açúcar).

No ano passado, mais de 5,4 milhões de embalagens com o selo +Verde chegaram ao mercado. “A mudança de hábito não será uma coisa simples e a adesão vai começar pequena”, diz Maria Del Pilar Muñoz, vice-presidente de sustentabilidade e novos negócios da Eurofarma. “Mas, uma vez que o consumidor comece a mudar, ele não voltará mais ao hábito anterior. O envio de embalagens descontaminadas à coleta seletiva regular tende a diminuir a quantidade de medicamentos mandados para usinas de incineração. Embora ainda seja opção comum no destino de resíduos do setor, a incineração pode causar danos ao meio ambiente e à saúde se houver descuido com a filtração e com a lavagem de gases tóxicos emitidos pelo equipamento. A Eurofarma também vende resíduos perigosos como coprodutos resultantes da produção de medicamentos, poupando o consumo de combustíveis nos fornos das cimenteiras.


GOVERNANÇA DA SUSTENTABILIDADE | NATURA

Um olho no futuro, outro no resultado

A fabricante de cosméticos Natura integra metas de sustentabilidade ao planejamento estratégico, sem perder de vista os objetivos de curto e longo prazos  | Judith Mota

Escritório da Natura, em São Paulo: metas para o longo prazo com acompanhamento a cada trimestre | Germano Lüders

Escritório da Natura, em São Paulo: metas para o longo prazo com acompanhamento a cada trimestre | Germano Lüders (/)

Dos objetivos previstos para 2020 na visão de sustentabilidade da fabricante de cosméticos Natura, 69% já foram cumpridos em 2018. O indicador unifica um complexo sistema de monitoramento de 30 compromissos em temas como pegada de carbono e pegada hídrica, presença de mulheres em cargos de liderança, volume de negócios na região amazônica e renda média das consultoras de vendas. Como define a gerente de sustentabilidade da Natura, Luciana Villa Nova, “é como um ponteiro que nos diz onde estamos no caminho, quanto falta e o que falta”. Esse “ponteiro” é acompanhado trimestralmente pelo comitê executivo, composto do presidente e de oito vice-presidentes. O grupo, além dos demais funcionários envolvidos em cada iniciativa, recebe dados de desempenho para definir eventuais correções de rota. “Buscamos integrar as atividades no planejamento estratégico. Assim, junto com a gestão do índice, fazemos também a gestão do negócio em si”, diz João Paulo Ferreira, presidente da Natura.

A ferramenta começou a ser utilizada no ano passado. O índice da Visão de Sustentabilidade complementa o conjunto de instrumentos que a Natura utiliza para monitorar seus desafios e realizações, que inclui, por exemplo, o Índice de Desenvolvimento Humano das consultoras. A metodologia é inspirada no indicador de mesmo nome criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Até o final do ano, a Natura deverá definir as metas do ciclo que vão vigorar até 2030, considerando as novas dimensões do negócio, chamado agora de Natura&Co, com as aquisições da Aesop em 2016, da The Body Shop em 2017, além da Avon neste ano. “O índice será incorporado à gestão das ambições do grupo”, afirma Ferreira.


RELAÇÃO COM A COMUNIDADE | CPFL

Comunidades energizadas

Em 2918, a CPFL investiu 32 milhões de reais em ações sociais, ambientais,  culturais e educacionais para as populações dos locais em que atua | Michele Loureiro

Projeto do Instituto CPFL: ações da empresa beneficiaram 430 000 pessoas em 106 cidades | Divulgação

Projeto do Instituto CPFL: ações da empresa beneficiaram 430 000 pessoas em 106 cidades | Divulgação (/)

Levar luz para a casa das pessoas já é de um senhor impacto. Mas o Grupo CPFL Energia tenta causar ainda mais efeitos positivos nos quatro estados em que atua (São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, com população conjunta de cerca de 89 milhões de pessoas). Em 2018, o Instituto CPFL, plataforma de investimento social do grupo, destinou 32 milhões de reais a iniciativas sociais, ambientais, educacionais e culturais nas comunidades locais. “Os investimentos beneficiaram diretamente cerca de 430 000 pessoas em 106 municípios”, diz Mário Mazzilli, diretor-superintendente do Instituto CPFL.

O instituto tem ações que vão desde as mais cotidianas, como corridas para conscientização de causas específicas e sessões de cinema movidas a energia solar (Cine Solar), até as de incentivo à cultura, como a inauguração de quatro bibliotecas itinerantes, ou as de ajuda em frentes transformadoras, como capacitação de mão de obra. Por meio da Universidade CPFL, a empresa oferece gratuitamente programas de formação, promovidos em parceria com instituições técnicas, às populações de onde tem operação. A principal iniciativa é o projeto Escola de Eletricistas, curso gratuito para a formação de profissionais que já habilitou 424 alunos. Do total de profissionais capacitados, 88% foram incorporados ao quadro de funcionários da CPFL Energia. A empresa oferece, ainda, capacitação para podadores do sistema elétrico e projetistas.

Além de destinar os investimentos para as comunidades, a CPFL estimula que seus 13.500 funcionários atuem em programas de voluntariado. Uma dessas ações com a participação de voluntários e da comunidade local resultou na instalação de 33 postes de iluminação em um condomínio habitacional de baixa renda em Sorocaba, no interior paulista. Apenas no ano passado foram organizadas 21 frentes de voluntariado, em nove cidades, beneficiando 3.300 pessoas.

Segundo Mazzilli, a CPFL Energia investe continuamente em ações que favorecem a comunidade. “Para o futuro, a companhia seguirá com investimentos em 106 cidades da área de interesse do grupo, focando programas dirigidos às crianças, aos jovens e aos idosos em situação de risco e vulnerabilidade social.”


MUDANÇAS CLIMÁTICAS | AMBEV

Pelo fim do diesel

Entre várias frentes para reduzir emissões, a Ambev prepara-se para ter um terço da frota composta de caminhões 100% elétricos até 2023 | Bruno Toranzo

Fábrica da Ambev: esforços em toda a operação para ter energias renováveis da produção à entrega | Germano Lüders

Fábrica da Ambev: esforços em toda a operação para ter energias renováveis da produção à entrega | Germano Lüders (/)

Até 2023, um terço dos caminhões que distribuem os produtos da Cervejaria Ambev serão elétricos. Caso tudo saia conforme o planejado, a empresa contará com a maior frota de caminhões elétricos no mundo: 1 600 dos 4 800 que circulam atualmente. O projeto, iniciado no ano passado, com o primeiro caminhão para distribuição urbana 100% movido a eletricidade da América Latina, é uma parceria com a Volkswagen e contempla as transportadoras que prestam serviços para a fabricante de bebidas.

Um das vantagens desse caminhão é que, por ser totalmente elétrico, não utiliza nenhuma gota de óleo do diesel, de modo que não emite gases de efeito estufa e partículas poluentes. O que existe hoje no mercado são apenas veículos híbridos, que não têm autonomia suficiente para rodar com energia elétrica e recorrem ao diesel para vencer boa parte do percurso. Outra característica importante é que as fontes de energia para o abastecimento são renováveis. “Estamos usando a energia solar e a eólica para recarregar as baterias”, diz Carla Crippa, diretora de sustentabilidade da Ambev.

O veículo, que rodou pelas ruas e avenidas da cidade de São Paulo, foi recarregado com energia solar fornecida pelos painéis instalados no centro de distribuição da Ambev situado no bairro da Mooca. “Nessa primeira fase, deixamos de consumir o equivalente a mais de 1.000 litros de diesel, o que significa zero emissão de dióxido de carbono. Imagine, então, em uma escala muito maior”, diz Carla.

A utilização de caminhões elétricos faz parte de uma série de medidas — com resultados concretos — para diminuir as emissões da empresa. Nos últimos anos, a Ambev reduziu o uso de combustíveis de origem fóssil na produção em favor de opções como biomassa e biogás. A meta para 2025 é fazer com que toda a eletricidade adquirida seja de origem renovável. No ano passado, a empresa construiu em Uberlândia, município mineiro, uma unidade de geração distribuída com painéis solares. A estrutura tem capacidade para abastecer todos os centros de distribuição em Minas Gerais. O inventário de emissões da companhia inclui todas as operações diretas no Brasil, é consolidado com as operações globais da Ab InBev e auditado pela KPMG.

Outra preocupação diz respeito à cadeia de valor. A companhia tem criado metas também para os fornecedores de produtos e de serviços. O objetivo, também até 2025, é torná-los mais sustentáveis. Como resultado desses esforços, a previsão é que a redução na emissão de carbono chegue ao nível de 25%.


TRANSPARÊNCIA E COMBATE À CORRUPÇÃOEDP

Correto. E compreensível

Não basta a aderência às regras. A EDP aposta também na linguagem simples e direta para que suas demonstrações financeiras sejam bem entendidas | Michele loureiro

Troca de fiação feita pela EDP em São José dos Campos, em São Paulo: tudo bem explicado para os stakeholders | Lucas Lacaz Ruiz/Futura Press

Troca de fiação feita pela EDP em São José dos Campos, em São Paulo: tudo bem explicado para os stakeholders | Lucas Lacaz Ruiz/Futura Press (/)

Não basta ter conformidade com os padrões financeiros exigidos por lei. O verdadeiro objetivo é que a empresa seja transparente nas relações com o mercado, segundo o presidente da EDP Brasil, Miguel Setas. Seguindo essa linha, a empresa recebeu em 2019, pela sexta vez consecutiva, o Troféu Transparência, concedido pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), reconhecendo suas boas práticas contábeis com base nas demonstrações financeiras mais transparentes do país. O prêmio avalia fatores como a qualidade e o grau das informações contidos nas demonstrações e notas explicativas, a consistência do relatório de administração e a aderência aos princípios contábeis.

“Além de seguir as normas contábeis à risca, buscamos uma linguagem mais simples e direta na elaboração das demonstrações financeiras. Queremos ser compreendidos”, diz Setas. Mesmo não negociando papéis no mercado de capitais americano, a EDP segue as rígidas normas do Sistema de Controle Interno do Reporte Financeiro, baseado na lei de governança Sarbanes-Oxley, dos Estados Unidos. Um exemplo é o canal Ética EDP, pelo qual acionistas, colaboradores, clientes e fornecedores podem apontar condutas que julguem inadequadas. “As denúncias são levadas a um comitê de ética, apuradas e concluídas com ações que vão de correções de rota a desligamentos de colaboradores”, afirma Setas. A EDP ainda conta com ações como a Semana do Combate à Corrupção, o Compliance Day e os treinamentos específicos de funcionários.