“É hora de atrair os chineses”, diz Taleb Rifai

O secretário-geral da Organização Mundial de Turismo afirma que a política de segurança do RJ é crucial para o setor de turismo e que o Brasil deveria se promover na Ásia

Em janeiro, a Organização Mundial de Turismo divulgou resultados que mostram a recuperação do setor em 2010, ano com um desempenho superior ao de 2008, o melhor de todos os tempos. De seu escritório, em Madri, o secretário-geral do órgão, o jordaniano Taleb Rifai, falou a EXAME por telefone.

1) EXAME – Depois da pior parte da crise em 2009, as pessoas voltaram a fazer as malas em 2010?

Taleb Rifai – O ano passado foi o da recuperação. O total de turistas internacionais chegou a 935 milhões, superando em 58 milhões o número de 2009 e em 22 milhões o de 2008. 

2) EXAME – Quais destinos se destacaram?

Taleb Rifai – Os destinos emergentes, como China, Índia, Rússia e América Latina. Essas regiões tiveram um desempenho muito melhor do que destinos maduros, como a Europa, que apresentaram uma recuperação fraca e lenta. A Ásia foi a região que teve o maior crescimento em 2010: 13%.

3) EXAME – Qual a razão por trás desse fato?

Taleb Rifai – Boa parte dos países asiáticos, como China e Índia, fez campanhas de divulgação, promoveu novos destinos e acabou atraindo turistas de outros países da Ásia, além, claro, de europeus, canadenses e americanos.

4) EXAME – O Brasil recebe 5 milhões de turistas por ano, um número considerado tímido para um país continental. O potencial brasileiro é pouco explorado?

Taleb Rifai – Sim. O país só vai conseguir virar o jogo quando houver uma verdadeira disposição política, como a que vimos na China há dez anos. Os chineses envolveram governo e setor privado na construção de hotéis e na promoção turística feita no exterior. Agora está colhendo os frutos, com a coleta de impostos dos negócios gerados pelos estrangeiros.


5) EXAME – Nos últimos anos, os chineses se converteram nos grandes turistas do mundo. Eles invadiram a Europa, os Estados Unidos, mas não vemos muitos deles no Brasil. Como reverter isso?

Taleb Rifai – Os chineses, de fato, são os novos viajantes do mundo. A China envia anualmente ao exterior 56 milhões de turistas, número que, de cinco a sete anos, deve chegar a mais de 100 milhões. Os chineses têm preferido destinos na Europa, mas as autoridades brasileiras podem mudar isso. A primeira coisa a fazer é colocar o Brasil no radar dos chineses. O desconhecimento sobre temas brasileiros é quase total. Por isso precisam de políticas de promoção exclusivas. A Europa fez isso e hoje recebe muitos deles. 

6) EXAME – Quais são os outros desafios do turismo no Brasil? 

Taleb Rifai – Um deles é o desenvolvimento de novos produtos turísticos, o que significa, por exemplo, investir na criação de mais atrações em destinos já estabelecidos, como o Rio de Janeiro. Isso faria as pessoas ficarem mais tempo na cidade e também gastarem mais. Outro é a promoção da marca Brasil, que definitivamente precisa ser melhorada.

7) EXAME – O Rio de Janeiro tem investido pesadamente em segurança. Isso ajuda a melhorar a marca Brasil? Veremos um impacto positivo no turismo?

Taleb Rifai – Sem dúvida. As medidas de segurança adotadas no Rio se tornaram conhecidas no mundo todo. O impacto no turismo será enorme, especialmente em eventos como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.