Depois do aperto, o plano da CTEEP é voltar a crescer

De 2013 a 2016, empresa cortou quase 1,5 bilhão de reais em despesas e pagamento de dividendos, medida que contribuiu para o lucro de 1,4 bilhão de dólares

Depois de anos de atrasos em obras e leilões malsucedidos, o segmento de transmissão — responsável por transportar grandes quantidades de energia entre as usinas geradoras e as companhias de distribuição — finalmente apresenta boas notícias. A começar pelas condições mais atraentes dos últimos leilões realizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica, refletidas no aumento do número de competidores e no deságio oferecido pelos ganhadores.

Ao todo, os 52 lotes de linhas e subestações de transmissão arrematados nesses leilões garantem novos investimentos de 25 bilhões de reais nos próximos 30 anos. A outra boa notícia é o início do pagamento, em julho, de mais de 62 bilhões de reais em indenizações às empresas que haviam investido em linhas de transmissão antes de 2000 e ainda não tinham sido recompensadas via tarifa da eletricidade. Segundo especialistas, essa indenização representa uma segurança jurídica aos investidores de longo prazo.

Reynaldo Passanezi Filho, presidente da CTEEP: a empresa colombiana responde por 25% da energia transmitida no Brasil | (Germano Lüders/EXAME)

Nesse cenário animador, uma das principais competidoras é a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP). Controlada pela colombiana Isa, ela é responsável pela transmissão de 25% da energia produzida no Brasil e tem presença em 16 estados.

Nos dois últimos leilões, a CTEEP arrematou, sozinha ou em parceria, oito lotes que vão demandar 4,5 bilhões de reais em investimentos nos próximos cinco anos e devem somar uma receita anual de 620 milhões de reais. Em maio deste ano, a empresa adquiriu o controle acionário da Interligação Elétrica Norte e Nordeste, transmissora que atua no Maranhão, em Tocantins e no Piauí.

Essas operações representam uma retomada dos investimentos da CTEEP após cinco anos em que manteve como prioridades a eficiência operacional, a redução de custos e a execução das obras já assumidas. De 2013 a 2016, cortou quase 1,5 bilhão de reais em despesas e pagamento de dividendos. Essas e outras medidas apareceram no balanço do ano passado, quando a empresa faturou 2,4 bilhões de dólares e lucrou 1,4 bilhão, apresentando um excelente retorno de 45% sobre o patrimônio.   

A bem-sucedida gestão no período de vacas magras deu à companhia condições de voltar a crescer. “Acertamos a estratégia ao ser conservadores desde as mudanças de regras em 2012”, diz Reynaldo Passanezi Filho, presidente da CTEEP, referindo-se à medida provisória baixada pelo governo Dilma Rousseff que visava baratear as tarifas elétricas, mas acabou desorganizando o setor. “Agora estamos preparados para aproveitar as oportunidades rentáveis que estão surgindo.”

Passanezi estima um volume de 100 bilhões de reais em leilões nos próximos cinco anos. “A CTEEP reúne ótimas condições para exercer a liderança na transmissão de energia nos próximos anos, mas terá de lidar com a concorrência de empresas chinesas, que têm lógicas de financiamento, retorno e risco bem diferentes e são muito competitivas”, diz Fernando Camargo, da consultoria LCA. Ao que tudo indica, a concorrência nos linhões será intensa.