Dona da Lacta está de olho no bolso do consumidor

Presidente da divisão de chocolates da Mondeléz diz que observou as mudanças de hábitos dos brasileiros após a crise para ganhar participação de mercado

O francês Jacques Rosio aprendeu o que é trabalhar em meio a uma crise nos últimos três anos, quando o mercado de chocolates encolheu 20% no país. Presidente de chocolates da multinacional americana Mondeléz para a América Latina desde janeiro de 2015, até agora ele tinha tido experiências em mercados mais estáveis na Europa. No período em que esteve no Brasil, inaugurou duas linhas de produtos e levou a marca Lacta pela primeira vez para o segmento de biscoitos. A participação de mercado da empresa no segmento de chocolates, referente ao período entre outubro de 2016 e setembro de 2017, foi de 36,5% —  1  ponto percentual acima do registrado nos 12 meses anteriores, o que a manteve na liderança.

Qual foi sua estratégia para lidar com a crise?

Somos pragmáticos — investimos porque identificamos que havia oportunidade de ocupar espaços para oferecer chocolate aos brasileiros em situações em que o consumidor ainda estava pouco atendido em nosso portfólio.

Quais são essas oportunidades?

Lançamos, por exemplo, um produto chamado 5Star, um chocolate com caramelo em barras de 20 gramas voltado para a compra por impulso, criado para ser acessível e atender à demanda em mercados emergentes como a Índia.

O senhor concentrou esforços em produtos mais baratos?

Não. Com a crise, os brasileiros também têm ficado mais em casa nos fins de semana e nos feriados. Por essa razão, lançamos mais produtos para ser consumidos com a família ou com -amigos nesse ambiente, como uma nova linha de biscoitos especiais trazidos neste ano da Europa com a marca Lacta. Cada pacote custa até 20 reais. Se o consumidor perceber valor, vai pagar mais por isso. Foi a primeira vez que levamos a marca Lacta para o segmento de biscoitos.

Há outros casos de cruzamento entre categorias?

Sim. No caso do Bis, chocolate com maior participação de mercado no Brasil, lançamos uma versão com a marca de biscoitos Oreo em 2016. O Bis Oreo é considerado hoje o lançamento mais bem-sucedido realizado pela empresa nos últimos 15 anos. Conseguimos ganhar 2 pontos percentuais neste ano com a marca Bis, um crescimento puxado em grande parte pelo lançamento do Bis Oreo, que já representa 14% das vendas da marca.

Como diminuir o risco de errar nesses lançamentos?

No caso do 5Star e dos biscoitos, trouxemos produtos similares ao que temos em outros países. A ideia é testar, verificar se há reações positivas. Com os resultados, decidimos produzir no Brasil. Investimos 100 milhões de dólares nos últimos três anos para renovar o maquinário das fábricas, como parte dos esforços para produzir linhas novas localmente.

Neste ano, a empresa também mudou o logotipo da marca Lacta, resgatando o estilo que tinha nos anos 20. Por quê?

Descobrimos que há uma memória afetiva relacionada à marca  centenária, criada em 1912 no Brasil [e comprada em 1996 pela empresa americana], e queríamos resgatar essa tradição.

Qual é sua projeção para a recuperação do mercado

de chocolates no Brasil nos próximos anos?

O brasileiro consome pouco mais de 2 quilos de chocolates per capita por ano. Na Suíça, o índice alcança até 10 quilos per capita a cada ano. Com a retomada da economia, acreditamos que existirá espaço para avançar mais. 

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Mirabeau Amado

    Não só o dono da Lacta está de olho no bolso do consumidor, veja que ele não chama de cliente, pois todas as grandes marcas de chocolates do Brasil diminuíram as quantidades(peso) de suas barras de chocolates, antes era de 200g e hoje tem chegada a 125g. Também tem feito isto com as caixas de chocolates que antes chegaram ate ser 500g e hoje são 300g. Puro roubo, pois diminuíram a quantidade e mantiveram os preços e, as vezes, até aumentaram. Realmente estão de olho no bolso do consumidor.