Marcas como Montblanc, Hublot e Panerai querem ir da Suíça ao Silício

Para não ser atropeladas pelas inovações tecnológicas, manufaturas tradicionais correm contra o tempo — e a favor de suas expertises

RELÓGIOS

Relógios mecânicos têm valor reconhecido por um público mais maduro. Mas como despertar desejo em consumidores mais jovens, afeitos às novidades tecnológicas? Conciliar esses dois universos é a missão da indústria relojoeira suíça para manter seu legado e melhorar os resultados. De 2015 para 2016, as exportações de relógios tiveram uma queda de quase 10%, segundo dados da Federação da Indústria Relojoeira Suíça.

A recuperação começou a dar as caras em abril de 2017 e seguiu firme até agosto deste ano. O ano de 2018 acumula um aumento de 7,5% nas exportações. Quanto desse incremento se deve a uma mudança de percepção ainda é cedo para dizer. Destacamos aqui três recentes inovações que mostram para onde miram os ponteiros desse setor.


Inteligência vintage

A Montblanc aposta suas fichas na segunda geração de seu smartwatch Summit. O modelo traduz os traços tradicionais da relojoaria suíça em uma versão mais compacta, de 42 mm (4 mm menor do que a primeira geração), passando a agregar botões em suas laterais como uma referência aos antigos cronógrafos. Recém-lançado, incorpora a tecnologia mais recente de processamento, com Snapdragon Wear 3 100 e funções que incluem assistente de voz, resistência à água e um aplicativo que promete reduzir efeitos do jet lag. “Queremos atingir um público que goste de superar seus limites, que queira conectar-se continuamente e manter sua produtividade on-the-go, sem deixar de usar uma peça atemporal”, diz Nicolas Baretzki, presidente da Montblanc.


Impressão em 3D

A relojoaria já faz uso da impressão tridimensional na criação de seus protótipos, mas poucas — ou quase nenhuma — dessas criações chegam ao público final. A Panerai adotou essa tecnologia para a apresentação de um de seus recentes lançamentos. A caixa do modelo Lo Scienziato é montada com a junção de finas camadas de 0,02 mm de espessura de pó de titânio, criadas por meio de uma impressora 3D, que realiza o processo utilizando um laser de fibra óptica, técnica chamada Direct Metal Laser Sintering. Assim, a caixa fica oca por dentro. O resultado final é uma bela peça, bastante leve, com função turbilhão e caixa de 47 mm. Apesar do que pode sugerir a técnica, o relógio é bastante robusto e resiste a até 100 metros sob a água.


Pagamento em bitcoins

A Hublot anunciou, em meados de setembro, que lançaria um relógio comercializado apenas via internet, com o pagamento em bitcoins. A moeda, que chegou a ter sua cotação em quase 70.000 reais no final de 2017, vale entre 20.000 e 30.000 atualmente. Desde o anúncio, consumidores interessados puderam entrar em uma fila de pré-venda do modelo, que foi apresentado oficialmente no início de novembro. “Predefinimos o dia 31 de outubro para que os clientes da lista de espera tivessem uma referência do valor a ser pago pelo relógio”, diz Ricardo Guadalupe, presidente da Hublot.

Os demais clientes interessados na aquisição da peça estarão sujeitos à cotação da moeda virtual na data da operação de compra, realizada em parceria com a empresa asiática de corretagem OSL. O valor de referência em dólares é de 25.000, ou cerca de 3,9 bitcoins na cotação de 9 de novembro. O cadastramento para a aquisição é realizado diretamente no site da Hublot. A entrega dos 210 relógios modelo Big Bang Meca-10 P2P, com caixa de cerâmica preta de 45 mm, deverá começar em 3 de janeiro.