Congresso não pode ficar refém do próximo presidente, diz Maia

Para o presidente da Câmara dos Deputados, a economia só ganharia com um calendário permanente de reformas

São Paulo — O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (Democratas), está otimista com a capacidade de retomada do vigor reformista perdido em razão da crise política causada pela delação da JBS. Nas eleições de 2018, Maia aposta que um nome conciliador sairá vencedor.

Exame – Qual é o prognóstico para a aprovação das reformas?

Maia – Com a expectativa de uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer, será difícil avançar em emendas constitucionais em setembro. A reforma da Previdência, que está pronta para ser votada, pode sair em outubro. Hoje há menos do que os 280 votos que tínhamos em maio. É preciso um esforço para mostrar aos deputados a urgência do assunto. A tributária pode sair neste ano, mas há divergências sobre o texto. Enquanto isso, dá para votar em 15 dias a lei de licenças ambientais e a de falências. O importante é o Congresso ter uma agenda permanente de reformas para não ficar refém do próximo presidente.

Exame – Qual é o cenário para as eleições de 2018?

Maia – A polarização tradicional da política brasileira acabou. Mas a sociedade está radicalizada. Vai ter espaço para alguém que dê um passo à frente e dialogue com o outro lado. O meu partido, o Democratas, tentou liderar o processo de diálogo, sem sucesso. Defendo trazer quadros de fora da política, com agenda pró-mercado. Falta melhorar a comunicação dos que têm visão liberal da economia.

Exame – O João Doria, do PSDB, cairia bem no Democratas?

Maia – Não gosto de ficar convidando políticos de partidos aliados. O Doria é um grande prefeito e demonstrou uma capacidade de comunicação diferenciada. A divisão do PSDB sobre a eleição de 2018 é um problema dos tucanos. Deixa eles brigarem.

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