Como enfrentar a turbulência ao investir

Consultores financeiros ouvidos por EXAME dizem o que fazer com seu dinheiro nos próximos meses, em meio à crise dos países desenvolvidos — na dúvida, é melhor ser conservador

1 – É hora de fazer investimentos de menor risco?

Sim, segundo a maioria dos especialistas consultados. Quem é conservador e moderado não deve investir mais na bolsa — o conselho é que as novas aplicações sejam feitas em renda fixa, porque o risco de novos solavancos nos preços das ações nos próximos meses é grande.

Para os agressivos, a recomendação é aproveitar as baixas de mercado para colocar mais dinheiro na bolsa, mas num ritmo menor do que vinha sendo feito até o mês passado. Em nenhum caso, o total investido em ações deve ultrapassar 25% do patrimônio. 

2 –  Algum investidor deve tirar seu dinheiro da bolsa atualmente?

Sim: aquele que vai precisar dos recursos aplicados em ações em menos de um ano. “Não é bom ficar esperando a bolsa recuperar a perda do ano para sacar.

O melhor é aceitar o prejuízo e aproveitar os dias de alta para fazer os resgates”, diz Rogério Bastos, sócio da consultoria financeira FinPlan. Nesse caso, o conselho é deixar o capital aplicado em títulos ou fundos conservadores de renda fixa.  

3 – Os fundos de capital protegido são uma alternativa para quem quer aplicar na bolsa correndo menos risco?

Sim. Esse tipo de fundo limita as perdas que o investidor pode ter aplicando em ações — nos mais conservadores, o cotista consegue preservar todo o capital que aplicou (existem várias opções de fundos desse tipo no país). Mas é importante saber que, quando a bolsa sobe, o fundo tem uma valorização inferior à média do mercado.]

4 – Vale a pena aplicar na bolsa americana?

Sim, desde que o investidor vá deixar o dinheiro aplicado por, no mínimo, dois anos. Num relatório enviado a clientes em agosto, Luis Stuhlberger, diretor da gestora Credit Suisse Hedging-Griffo, escreveu que as ações americanas estão no menor patamar de preços das últimas décadas.


Para comprar ações na bolsa de Nova York, é preciso abrir uma conta num banco nos Estados Unidos e fazer um registro no Banco Central. Quem não quer enfrentar a burocracia pode aplicar em fundos multimercados que investem parte do patrimônio lá fora. 

5 – A crise pode provocar uma queda dos juros? Devo mudar investimentos de renda fixa?

Ainda é cedo para prever como o Banco Central vai se comportar nesse novo cenário. A maioria dos analistas espera que a taxa Selic pare de subir nos próximos meses, porque uma desaceleração da economia global poderia ajudar a conter a inflação, mas a evolução dos juros depende do pa­norama externo, que continua bastante incerto.

A recomendação dos consultores é aplicar a maior parte do patrimônio de renda fixa em fundos DI. O restante pode ser dividido entre fundos e títulos públicos atrelados à inflação e papéis da dívida de empresas.

6 – Na crise de 2008, o dólar valorizou 38%. Isso pode ocorrer agora?

A maioria dos analistas considera uma forte alta do dólar pouco provável, porque os investidores estrangeiros continuam colocando dinheiro no país, especialmente no mercado de renda fixa e via investimentos diretos em empresas.

Além disso, as companhias estão menos expostas aos riscos de flutuação do câmbio — em 2008, muitas fizeram operações de alto risco nos mercados futuros e precisaram comprar dólares quando a moeda americana começou a valorizar, o que pressionou as cotações.

7 – O preço internacional do ouro voltou a subir em agosto com a piora do cenário externo. É o momento de investir no metal?

Só para quem tem perfil agressivo. “O ouro funciona como um seguro em momentos de crise, porque seus preços sobem sempre que os problemas se agravam. Mas o mercado está bastante volátil, o que torna o investimento mais arriscado”, diz o economista Alexandre Póvoa.

Os brasileiros podem investir em ouro comprando contratos no mercado futuro ou aplicando em fundos atrelados à variação do metal.