A Intelbras é uma empresa com pressa para crescer

A catarinense Intelbras expandiu os negócios com a aquisição de sete empresas em pouco mais de dez anos. E não quer parar por aí

catarinense Intelbras anunciou em julho a compra de sua conterrânea Seventh, uma desenvolvedora de software para gerenciamento de imagens e controle de acesso a distância. Foi a sétima aquisição em pouco mais de dez anos — e a Intelbras já avisou que está negociando com outras três empresas. As aquisições têm ajudado a companhia a ampliar a oferta de equipamentos. “Compramos empresas pequenas, que tenham um bom produto e necessitem de investimentos para avançar”, diz Altair Silvestri, presidente da Intelbras.

Em 2018, a companhia faturou 406 milhões de dólares, 6% menos do que no ano anterior, quando havia registrado um crescimento excepcional, de quase 40%. É que, em 2017, cerca de 20% da receita foi obtida com a venda de conversores para TV digital, um sistema que sucedeu à transmissão analógica no Brasil. “Tivemos uma venda oportunista em 2017”, afirma Silvestri.   

Altair Silvestri, presidente da Intelbras: “A economia do país vai melhorar e vamos entrar em novos segmentos” | Edu Marques

Desde sua fundação em 1976 até meados dos anos 2000, a Intelbras concentrou a atuação na venda de equipamentos de telefonia, no início quase exclusivamente para as operadoras do sistema público Telebras. Em 2007, começou a diversificar, com uma breve incursão no mercado de computadores, logo abandonado. Hoje, a área de telecomunicações representa cerca de 15% do negócio, que tem crescido com a venda de produtos como câmeras para vigilância, acessórios para fibra óptica e roteadores para internet. “Pode faltar água na casa do consumidor, mas não pode faltar internet”, diz Silvestri.

Nos últimos anos, o esforço da Intelbras tem sido para vender não apenas os equipamentos mas também o pacote completo para atender à demanda dos clientes — a solução integrada já responde por 20% do faturamento. Em condomínios, por exemplo, em vez de vender câmeras, monitores, fechaduras ou alarmes, a estratégia é oferecer um sistema completo de segurança, incluindo o controle de acesso. 

O mercado de condomínios, aliás, tem puxado o crescimento do setor de segurança eletrônica no país, que avançou 40% nos últimos cinco anos e faturou 6,5 bilhões de reais em 2018.  A sensação de insegurança, somada a fatores como a tropicalização dos equipamentos, a redução de custos e a facilidade no manuseio da tecnologia, tem contribuído para impulsionar esse mercado.  “A demanda por portaria remota aumentou 150% no último ano”, diz Selma Migliori, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança. “E vamos crescer ainda mais, já que atingimos menos de 1% do total de 300.000 condomínios do país.”

Com um portfólio de 1.300 produtos — dos quais pelo menos 300 foram lançados em 2018 —, a Intelbras conta com uma equipe de 400 funcionários na área de pesquisa e desenvolvimento, na qual investe 6% da receita. “As novas tecnologias tornam alguns produtos obsoletos rapidamente”, diz Silvestri. Hoje, 80% das vendas são de produtos fabricados pela Intelbras, a grande maioria (70%) resultado de desenvolvimento próprio.

A empresa mantém quatro unidades industriais, duas junto à sede, em São José, perto de Florianópolis, uma em Manaus e outra na cidade mineira de Santa Rita do Sapucaí. A previsão é que, nos próximos 24 meses, todas as unidades sejam ampliadas ou modernizadas. A Intelbras reservou cerca de 400 milhões de reais para investir em instalações e novas aquisições, incluindo a abertura de uma unidade fabril no município catarinense de Tubarão no ano que vem. “A economia do país vai melhorar e vamos entrar em novos segmentos”, diz Silvestri.

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