Os chineses estão interessados na Oi

Maior empresa de telefonia móvel do mundo, a China Mobile abriu um escritório em São Paulo em setembro e mostra interesse na aquisição da Oi

Os conselheiros da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) têm se reunido com executivos da estatal chinesa de telefonia China Mobile para discutir investimentos no Brasil — as conversas incluem a encrencada Oi, empresa de telecomunicações em recuperação judicial.

Maior empresa de telefonia móvel do mundo, a China Mobile abriu um escritório em São Paulo em setembro e mostra interesse na aquisição da Oi. EXAME apurou que a companhia quer definir dois pontos com a Anatel: a possibilidade de se livrar das multas em atraso da Oi e de ficar apenas com a divisão de telefonia móvel (sem a telefonia fixa). As conversas são preliminares.

Três pessoas com conhecimento do assunto afirmam que um novo investidor para a Oi é a solução dos sonhos da Anatel —  já que credores e acionistas da Oi ainda não chegaram a um consenso sobre o plano de recuperação. A China Mobile tem 837 milhões de clientes, mais de três vezes o número total de celulares do Brasil. Juarez Quadros, presidente da Anatel, reuniu-se com a empresa chinesa e com o Banco de Desenvolvimento da China no dia 11 de setembro em Brasília.

A EXAME, a agência confirmou que o tema do encontro era a Oi. No dia 15 de setembro, representantes da Anatel participaram de um evento da estatal chinesa em São Paulo. Procurada, a China Mobile não deu retorno.


EDUCAÇÃO

NAS DUAS PONTAS

A empresa de educação Somos está negociando a compra da livraria Livro Fácil. Especializada em listas de material para escolas, a Livro Fácil fatura por volta de 100 milhões de reais ao ano. As empresas já têm um memorando de entendimento assinado para realizar a transação. A negociação ocorre em meio à conversa entre a gestora Tarpon, controladora da Somos, e outros fundos de private equity para a venda de 30% da área de negócios formada pelos colégios pH e Anglo e pela escola de inglês Red Baloon. O valor da venda é estimado entre 540 milhões e 720 milhões de reais. Procurada, a Somos não comentou.


FUNDOS

MAIS DINHEIRO PARA AS STARTUPS

Oliver Samwer, do fundo Rocket: até 100 milhões de dólares para investir aqui | Britta Pedersen/DPA/AP Images

Três fundos estão destinando mais recursos para investir em startups brasileiras. Um deles é o alemão Rocket, que pretende investir de 50 milhões a 100 milhões de dólares aqui, segundo apurou EXAME — os recursos vão sair de um novo fundo global de 1 bilhão de dólares lançado no início do ano. O maior investimento do Rocket no Brasil é o site de comércio eletrônico Dafiti, que faturou 380 milhões de dólares em 2016, mas ainda dá prejuízo. Neste ano, o fundo, presidido por Oliver Samwer, vendeu sua participação no aplicativo de transportes EasyTaxi para o concorrente espanhol Cabify. Além disso, comprou participações em seis empresas no Brasil, entre elas o site de passagens aéreas Voopter e a revendedora de carros usados Instacarro. Além do Rocket, o brasileiro e.bricks Digital, do grupo RBS, acaba de captar cerca de 100 milhões de reais, e o americano Redpoint está montando um novo fundo para investir aqui. Procurados, os fundos não comentaram.


BANCO

SANTA PACIÊNCIA

Joesley Batista: tranquilo com o Original | Mateus Bonomi/AGIF/Folhapress

Além de demorar mais do que o esperado para sair do papel, o projeto digital do banco Original, do grupo J&F, custou o triplo do previsto, segundo ex-executivos da instituição. Mas Joesley Batista, um dos donos da J&F, não parecia preocupado. Nas reuniões em que era informado sobre o andamento do projeto, o empresário pedia explicações, mas sempre num tom cordial. E terminava dizendo para corrigir os erros e continuar avançando. “Não entendia de onde vinha tanto dinheiro”, diz um ex-executivo do Original. Procurada, a J&F disse, em nota, que “o investimento realizado foi o planejado”.


INTERNET

CRÉDITO NOVO

A JD Finance, braço financeiro do gigante chinês do comércio eletrônico JD.com, deverá desembarcar no Brasil em breve. Ainda sem data definida, o primeiro negócio da empresa deverá ser na área de crédito online para o  consumo. A JD é o segundo maior site de comércio eletrônico da China — perde para o Alibaba. Procurada, a JD não comentou.


FALÊNCIA

BILHÕES EM CAIXA

A massa falida do banco Cruzeiro do Sul, que teve a falência decretada em 2015, recebeu um total de 3,2 bilhões de reais dos devedores da instituição. Falta pagar os credores. As dívidas são estimadas em quase 5 bilhões de reais.


GESTORAS

NEGÓCIO EM RISCO

Montar uma gestora de recursos no Brasil tem sido um negócio de risco. Nos últimos dez anos, 455 fecharam, de acordo com um levantamento feito pela empresa de investimento Claritas com base nos dados da Anbima, associação do setor. Hoje existem 554 gestoras no país.


VINHOS

A PRIMEIRA COMPRA PÓS-ABILIO

Rogério Salume, da Wine: agora ele investiu em cerveja | Germano Lüders

O site de vinhos Wine fez sua primeira aquisição desde que recebeu um investimento de 100 milhões de reais do fundo Península, do em-presário Abilio Diniz, há um ano. Comprou o CluBeer, o mais antigo clube de cervejas do Brasil. O CluBeer será integrado ao Wbeer, clube de cervejas da Wine, criando um negócio com uma receita anual estimada em 40 milhões de reais. A Wine, fundada por Rogério Salume, deverá faturar 400 milhões de reais neste ano.


IMÓVEIS

AS GRANDES PERDERAM ESPAÇO

Zona oeste de São Paulo: a crise mudou o mercado | Germano Lüders

A crise no mercado de construção, que atingiu duramente as incorporadoras de capital aberto, mudou a configuração do setor. As grandes empresas perderam espaço, enquanto as pequenas ganharam relevância. Segundo a consultoria Neoway, em 2011, 16 construtoras respondiam por um quarto das obras em andamento no país. As maiores eram MRV, Rossi e Cyrela, nesta ordem. Hoje, 32 empresas detêm essa fatia. A MRV continua na liderança, mas é seguida por Direcional e Tenda — todas incorporadoras voltadas para a baixa renda.


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