Para o Grupo BB e Mapfre, a sustentabilidade reduz os riscos

Bancos nacionais e estrangeiros trabalham com capacitação de funcionários e gestão ambiental para desenvolvimento sustentável

Uma das metas do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre é induzir boas práticas ambientais, sociais e de governança em sua cadeia de fornecedores. Um exemplo disso é a parceria que o grupo firmou no ano passado com o Sebrae para oferecer cursos sobre processos sustentáveis e gestão de negócios aos prestadores de serviços credenciados que atendem clientes do segmento de seguro de automóvel.

A iniciativa, voltada para os proprietários ou gerentes de oficinas mecânicas, de funilaria e pintura e de empresas de guinchos, tem o objetivo de apoiar esses micro e pequenos empresários no gerenciamento de sua operação, mostrando a importância de investir na melhoria contínua e na gestão de riscos para a perenidade dos negócios — no Brasil, 45% das microempresas fecham antes de completar dois anos de atividade. “O fortalecimento de nossos parceiros visa melhorar o atendimento aos nossos clientes e reduzir os riscos nos contratos”, diz Luis Gutiérrez, presidente do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre nas áreas de Auto, Seguros Gerais e Affinities.

No ano passado, 150 empreendedores participaram de cursos presenciais em seis cidades do estado de São Paulo.  Além disso, o Sebrae desenvolveu uma plataforma de educação online exclusiva para o grupo para atender cerca de 2 000 prestadores de serviços em todo o país. “Levantamos as principais dificuldades na rotina das oficinas, e o curso contempla temas como planejamento estratégico, controle de gastos, trabalho em equipe e gestão de resíduos como óleo, combustíveis, metais e borracha”, diz Fátima Lima, diretora de marketing e sustentabilidade do Grupo BB e Mapfre.

Outra iniciativa na área de educação é a Academia de Sustentabilidade, que pretende incorporar a análise de variáveis ambientais, sociais e de governança nos negócios. Em 2016, o programa capacitou 1 674 empregados, corretores de seguros e inspetores, um número 12% maior do que o registrado no ano anterior. Em 2016, a companhia também fortaleceu seu posicionamento nas redes sociais com a produção de conteúdo sobre a cultura de seguros e mais de 80 milhões de acessos às páginas. No Brasil, apenas em torno de 20% da população contrata algum tipo de seguro.

“Isso significa que quase 80% dos brasileiros não têm apoio financeiro em caso de imprevistos. É uma questão preocupante, mas também uma grande oportunidade”, diz Gutiérrez. Por esse motivo, o grupo tem buscado mais clareza em sua comunicação com os clientes. “Procuramos informar nosso público sem usar os jargões do setor”, afirma.


Aproveitar as ideias inovadoras que podem surgir fora da organização e aplicá-las internamente, testando as soluções na prática. É essa a lógica por trás do inovaBra Startups, um programa de inovação aberta criado em 2014 pelo Bradesco para apoiar  startups que desenvolvem soluções em diversas áreas que possam ser adaptadas ao setor financeiro. As startups recebem mentoria dos técnicos do banco sobre diversos temas e podem realizar testes controlados com grupos de clientes.

Trata-se de um processo de aceleração de companhias que mostrem ter alto potencial de crescimento. “Convidamos essas empresas para desenvolver os projetos conosco. A vantagem está na possibilidade de fazer negócios com o Bradesco”, diz Maurício Minas, vice-presidente do banco. O saldo do inovaBra em três anos de operação é positivo. Nesse período, mais de 1 600 companhias foram avaliadas, das quais 30 foram selecionadas e aceleradas. Desse total, 20 soluções estão sendo adotadas pelo banco.

Uma das iniciativas apoiadas pelo inovaBra é a Ewally, plataforma digital que adota uma tecnologia que permite oferecer, com mais segurança, serviços financeiros à população não bancarizada, como transferências de dinheiro, pagamentos de contas e recargas de celulares. Esse aplicativo, desenvolvido por uma fintech (startup de finanças) de São Paulo, conta também com um gerenciador simplificado para controlar os gastos rea-lizados.

Outra startup acelerada pelo programa é a Rede Frete Fácil, criada em Florianópolis em 2014. Ela desenvolveu uma plataforma de logística que conecta as empresas que precisam transportar mercadorias com os caminhoneiros autônomos. A ferramenta otimiza o tra-balho dos caminhoneiros ao evitar o problema corriqueiro de viagens de volta sem carga. A Rede Frete Fácil tem 100 000 transportadores cadastrados e uma média de 5 000 caminhões disponíveis por dia — segundo ela, a solução permite que os clientes diminuam em até 15% o custo do frete. Além disso, os caminhoneiros têm acesso ao cartão-transporte para o pagamento eletrônico de frete, facilitando esse processo.

A Rede Frete Fácil foi também uma das primeiras empresas que receberam aportes do Bradesco no programa inovaBra ventures, um fundo de venture capital de 100 milhões de reais lançado em novembro do ano passado. A ideia do Bradesco é que esse fundo seja mais uma iniciativa de apoio às startups. Entre as áreas de interesse do fundo estão algoritmos e máquinas, plataformas digitais e infraestrutura tecnológica. O projeto selecionado recebe investimentos de 1 milhão a 5  milhões de reais do fundo.


Há quatro anos, o banco Itaú Unibanco fez um estudo para compreender o universo de mulheres empreendedoras no país e constatou que os principais desafios estavam ligados ao pouco conhecimento sobre gestão e à falta de networking para ampliar vendas ou acessar novos fornecedores. A instituição também identificou uma característica comum no público feminino: talento para criar negócios e incorporar inovações, mas dificuldade para fazer os projetos decolarem. Um dos motivos era o fato de não saberem lidar com finanças.

Para mudar esse cenário, o banco criou o programa Itaú Mulher Empreendedora, em parceria com a Corporação Financeira Internacional, do Banco Mundial, e com o Banco Interamericano de Desenvolvimento. Assim, o Itaú passou a oferecer uma série de ações presenciais e online para capacitar e conectar empreendedoras.

Em 2016, o alcance dessa iniciativa aumentou. Isso porque a plataforma -online passou por atualizações e foi aberta ao público em geral, não apenas às clientes do banco. No ano passado, foram 239 000 acessos, um aumento de 930% na média mensal em relação à versão anterior. No site, além do conteúdo ligado a marketing, vendas, finanças e trajetórias inspiradoras, as empreendedoras podem se cadastrar para ter acesso a uma área exclusiva, na qual podem publicar cartões de visita e trocar mensagens para firmar parcerias comerciais. Atualmente, mais de 6 000 mulheres estão cadastradas nesse espaço.

Desde o início, o banco organizou mais de 70 cafés de networking, rodadas de negócios e workshops.  E, recentemente, o programa deu um passo adiante ao promover também a aceleração de pequenos e médios negócios — uma iniciativa que oferece mentoria e suporte em gestão, em parceria com a Fundação Getulio Vargas. Para a primeira rodada, foram selecionadas 29 empresas de diversos segmentos. No ano passado, o banco fez uma pesquisa para medir o impacto do programa desde sua criação. “As empreendedoras passaram a usar mais e melhor os produtos e os serviços financeiros”, afirma Denise Hills, superintendente de susten-tabilidade do Itaú Unibanco.

As mulheres participantes do programa aprenderam a controlar o fluxo de caixa. Por exemplo, elas contrataram 48% mais antecipações de recebíveis e 16% mais capital de giro em comparação com a média da carteira do banco. Ao mesmo tempo, o refinanciamento de dívidas caiu 42%. “Isso indica que as empreendedoras adotaram soluções adequadas, em vez de cheque especial de pessoa física, que apresenta taxas elevadas e pode levar a um alto grau de endividamento.”


Ao longo de 2016, o banco Santander concedeu quase 3 000 bolsas a estudantes brasileiros, das quais um terço na forma de bolsas de estágio, cujo número cresceu 270% em relação ao ano anterior. Nesse tipo de bolsa, o Santander patrocina quatro meses de estágio de universitários em pequenas e médias empresas que são clientes do banco, oferecendo um auxílio mensal em torno de 900 reais.

“Com a bolsa de estágio, atuamos na formação dos jovens, incentivamos a criação de emprego e também apoiamos o empreendedorismo. É uma iniciativa relevante em momentos de crise”, afirma Marcos Madureira, vice-presidente de comunicação e sustentabilidade do Santander Brasil. Em 2017, a instituição está oferecendo mais 1 100 bolsas de estágio — podem se candidatar alunos de graduação de qualquer universidade do país.

O apoio financeiro a estudantes universitários é uma das iniciativas no âmbito do Santander Universidades, um programa global do banco que já existe há duas décadas. Em 1997, o banco decidiu que apoiar universidades seria a melhor forma de mostrar seu compromisso com a sociedade do futuro e com os países onde atua. Para o Santander, a educação é a base para enfrentar diversos problemas. “Líderes bem formados são capazes de transformar o país”, diz Ronaldo Rondinelli, diretor do Santander Universidades no Brasil.

Em 2016, o programa mantinha convênios com 389 universidades em todo o país, além de uma rede internacional, com a participação de instituições em Portugal, Espanha, México, Chile e China, entre outras localidades. Além disso, o Santander tem 23 Espaços Digitais — salas com computadores e internet nas universidades para ampliar o acesso aos meios digitais e proporcionar novas metodologias de ensino. No ano passado, 168 000 alunos, professores e funcionários das instituições frequentaram esses espaços.

Para aumentar sua interação com os jovens, o banco lançou em 2016 um aplicativo para telefones celulares, o Santander Universitário, que traz informações antes disponíveis somente em um -hotsite — como oportunidades de emprego, estágios, descontos e promoções. Por meio do Universia, braço social para educação e trabalho, o Santander criou também, em parceria com a Afrobras, uma ONG que atua na inclusão e na valorização dos negros, um site de vagas de estágio e emprego voltado para empresas preocupadas com a equidade racial. A plataforma permite que os jovens cadastrem seu currículo num banco de talentos. “Apoiamos a diversidade porque isso torna as empresas mais eficientes e dinâmicas”, afirma Madureira.