Carros | O asfalto quente da BMW

Em tempos de carros elétricos, a BMW lança não apenas um, mas três modelos esportivos a combustão. É uma incongruência apenas aparente

O lançamento de um modelo esportivo é sempre um evento comemorado pelos amantes de velocidade. E o que dizer quando uma marca do porte da BMW lança não um, mas três carros esportivos de uma vez? Nesse caso, podemos dizer que a alegria é multiplicada por 3. Foi o que aconteceu no M Festival, promovido em agosto pela marca alemã no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, para exibir aos clientes VIP os lançamentos da linha M, a divisão de esportivos e superesportivos.

O negócio ali é pisar fundo no acelerador. Afinal, o M, de Motorsports, como o nome que representa sugere, é mais do que uma letra. É um conceito, que, simplificando, pode ser traduzido por velocidade. Criada em 1972 com o objetivo de desenvolver carros de competição, pouco depois a divisão da BMW passou a preparar modelos de série para venda ao público. Desde então, o portfólio só cresce.

Durante a primeira edição do M Festival, estavam a postos para testes os inéditos Z4 M40i, M850i xDrive e o irmão menor X2 M35i, que chegam agora ao mercado. Um roadster, um cupê e uma SUV, configurações completamente diferentes entre si, mas que têm em comum uma vocação: foram feitos para quem gosta de ver a paisagem passar rapidamente. Também foram apresentados lá o X3 M e o X4 M, ambos na versão Competition, mas esses só serão lançados em 2020. Essas máquinas podem levar menos ou mais pessoas, ter capacidade para menor ou maior carga, sair melhor ou pior em determinado tipo de terreno, exibir porte mais imponente ou, vá lá, mais discreto. Mas, quando se fala em desempenho, insisto, ninguém no recinto se sente intimidado.

A ordem dos carros para avaliação ficou a cargo da organização, mas meus pensamentos positivos surtiram efeito. Comecei com o invocado M850i xDrive, depois passei para o espoleta Z4 M40i, desemboquei na arisca X3M Competition e finalizei com o pequeno-notável (pelo menos ali) X2 M35i. O briefing para se divertir naquela casa que já foi de Senna, Piquet, Lauda, Fittipaldi, Hamilton e tantos outros ases indomáveis foi o seguinte: o motorista teria direito a dar três voltas em cada um dos modelos, de maneira planejada.

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Na primeira volta, fui me familiarizando com o carro naquele traçado tido como bastante técnico por quem entende do riscado, sem abusar do automóvel — nem da paciência do instrutor ao lado; na segunda, o iniciado estaria livre para voar; e no terceiro giro era para tirar o pé do acelerador, dando um descanso para os freios esfriarem e garantir a segurança do próximo companheiro de avaliação. Em todas as vezes, segui à risca o combinado, mas, assim que me apropriava de um carro, só tinha em mente colocar em prática o que a maioria dos motoristas tem vontade de fazer no dia a dia, mas, responsáveis, seguram seus instintos: testar a velocidade máxima de cada máquina. Para isso, eu tinha a meu dispor a célebre reta dos boxes, toda para mim e meus carrinhos.

O único porém para não abusar da sorte foi a chicane colocada pouco antes do início da pista livre de curvas — um desvio artificialmente criado no caminho a fim de obrigar o condutor a reduzir a velocidade. Ainda assim, consegui colocar à prova qual daqueles animais da pista era o mais rápido sob meu comando. And the Oscar goes to… X3 M Competition, que bateu nos 220 quilômetros por hora. Uma SUV, e não um carro esporte, olhe como são os novos tempos…

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Pode soar anacrônico, hoje, uma fabricante premium apostar em modelos esportivos e beberrões. É uma incongruência apenas aparente. A BMW está conectada com os novos tempos. Tem dois modelos elétricos nas ruas, o i3 e o i8, e instalou postos de recarga entre São Paulo e Rio de  Janeiro. Mas o mote da marca é o prazer de dirigir. E modelos a combustão provavelmente sempre terão seu público cativo. Para tirar a prova, basta acelerar à vontade num autódromo histórico, como o de Interlagos. Se tiver oportunidade, não perca.