A Teka, após a demissão de executivos

As preocupações do mercado depois que a família que controla a Teka decidiu afastar executivos contratados para sanear a empresa

A destituição recente pela família Kuehnrich, controladora da tecelegem Teka, de Blumenau, de toda a diretoria executiva contratada para evitar a falência da companhia não é um caso rotineiro de desentendimento em empresas em que a gestão profissionalizada não vingou.

As demissões de Arnin Lore e de Clóvis Carvalho do alto comando da Teka — o primeiro, ex-diretor do Banco Central, e o segundo, ex-ministro da Casa Civil no governo Fernando Henrique Cardoso — serviram para expor a situação delicada de uma empresa em busca de recursos e credibilidade para continuar tocando seus negócios.

Teme-se no mercado que possa estar de volta o antigo modelo de crescer a qualquer custo responsável pelas dificuldades que a empresa vive hoje. A razão desse temor é o retorno à companhia do ex-presidente Frederico Kuehnrich Neto, tido por muitos como o responsável pelo caos administrativo vigente até recentemente. “Demitimos a diretoria porque não cumpriu as metas de crescimento que ela mesma fixou”, diz Kuehnrich.

Um estudo sigiloso a que EXAME teve acesso mostra alguns dos expedientes a que a direção da Teka anterior à entrada de Carvalho e Lore costumava recorrer para manter as fábricas funcionando. Em meio à inadimplência generalizada, pedidos de falência, títulos protestados e emissão de cheques sem fundos — seis dos quais no Cadastro de Cheques sem Fundo do Banco Central –, a empresa passou a descontar duplicatas na rede bancária sem a efetiva entrega de mercadorias.

O mesmo acontecia com papéis cambiais, descontados sem a correspondente exportação. Tudo isso criou uma situação vexatória para clientes, que passaram a receber cobranças por mercadorias que nem sequer haviam saído da fábrica. Os executivos contratados para colocar ordem na casa gastaram 60 milhões de reais para liquidar pendências como essas.

Nesse meio tempo, a Teka ganhou uma sobrevida. A Previ, que controla 14,8% do capital total da empresa, deve continuar pressionando a nova diretoria a buscar uma saída para a asfixia financeira da companhia. “Ela precisa apresentar um plano de reestruturação patrimonial e mostrar qual é sua visão estratégica”, diz Renato Chaves, diretor de Participações da Previ.

Para os executivos que foram embora, as chances de a Teka se reerguer vão depender do grau de independência que a nova diretoria conseguir impor em sua relação com a família controladora. “Sem transparência, prestação de contas e respeito à ética, nenhuma empresa consegue acesso aos recursos do mercado”, diz o ex-ministro Carvalho.