WEG acelera para mudar e manter os lucros

Empresa fechou o ano com receita de 1,4 bilhão de dólares

Com atuação global — tem fábricas  em 12 países e escritórios em mais de 90 — e centenas de produtos e serviços para os mercados de motores elétricos, geração, transmissão e distribuição de energia e automação, a catarinense WEG chama a atenção pela agilidade em identificar e aproveitar oportunidades nos setores em que atua.

“Podemos movimentar rapidamente nossos recursos se, de uma hora para a outra, o cenário de um setor que vai bem mudar”, afirma Harry Schmelzer Júnior, presidente da WEG. Foi assim em 2015, quando a empresa compensou a queda nas vendas de motores industriais no mercado brasileiro investindo em geradores eólicos, um negócio que ia de vento em popa.

Em 2016, porém, não surgiu na WEG uma nova solução em escala suficiente para manter o ritmo de crescimento dos anos anteriores. Houve entraves para a expansão também no exterior, onde a companhia obtém 57% de sua receita.

A queda nos preços das matérias-primas levou à redução de investimentos das indústrias de mineração e de óleo e gás da América do Norte, seus principais clientes. Resultado: a WEG fechou o ano com receita de 1,4 bilhão de dólares, um recuo de 16% em relação a 2015. Ainda assim, obteve um lucro de 234 milhões de dólares, o que significou um retorno de quase 16% sobre o patrimônio líquido.

Harry Schmelzer Jr., presidente da WEG: “Podemos movimentar rapidamente nossos recursos se houver mudanças no cenário” | Raphael Günther

A WEG garantiu esses bons números com iniciativas como a compra, no ano passado, da americana Bluffton, fabricante de motores comerciais de pequeno porte. Tirando proveito da estrutura de vendas e distribuição que tinha por lá, conseguiu manter a receita em dólares e ampliar sua participação no mercado da América do Norte, região que representa 23% de seu faturamento. Neste ano, em nova investida nos Estados Unidos, a WEG comprou a CG Power, fornecedora de transformadores para parques eólicos e solares. Considerando as receitas anualizadas, as duas empresas responderão por 25% do que a WEG fatura na região. “Enfrentamos as quedas nos mercados em que atuamos com a entrada em novos negócios, por meio de aquisições ou usando nossa capacidade de engenharia para inovar”, diz Schmelzer Jr. “Sempre temos negócios em desenvolvimento. Isso é permanente.”

Uma das novas apostas se dá em tecnologia para construção, que contempla automação, eficiência energética e segurança de edificações e projetos de infraestrutura. Na área de energia, a WEG fornece sistemas solares e eólicos e iniciou um projeto interno para desenvolver baterias capazes de armazenar a eletricidade gerada em casas ou nas empresas. Enquanto projetos como esses não se traduzem em receitas significativas, a companhia garimpa negócios de impacto mais imediato. É o caso da investida para vender aerogeradores na Índia, onde a WEG tem uma fábrica de motores. Se fechar grandes projetos por lá, a unidade local será adaptada para fabricar os equipamentos, a exemplo do que foi feito no Brasil. E, certamente, a produção de geradores eólicos no exterior será mais um passo para a empresa de Jaraguá do Sul consolidar sua atuação global.