Dados & Ideias — A reforma da Previdência é só o começo

Novas regras correspondem, sozinhas, a quase um quarto de esforço que governo deve fazer para manter contas públicas equilibradas nos próximos anos

O governo Temer está penando para aprovar a reforma da Previdência. A nova data para a votação do projeto é fevereiro, e o governo tem pressa. O motivo: as novas regras correspondem, sozinhas, a quase um quarto do esforço que o governo deve fazer para manter as contas públicas equilibradas nos próximos sete anos.

De acordo com a Lei do Teto de Gastos, aprovada em 2016, o governo tem de cortar despesas para que elas caibam dentro do limite estabelecido.

Mas o esforço não para na Previdência. Um cálculo do banco Itaú mostra que os outros três quartos desse ajuste deverão vir de medidas nada populares. Na lista, são cogitados itens como congelar o valor real do salário mínimo e cortar subsídios do Fies, programa de financiamento universitário.

Além disso, está na lista o fim de benesses aos servidores, como reajustes salariais acima da inflação, que correspondem a 25% do esforço para equilibrar as contas. “O desafio fiscal é enorme”, diz Felipe Salles, economista do Itaú Unibanco. “Mas dá para resolver.”

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CONSUMO

OLHA A ÁGUA MINERAL

As turbulências recentes na economia brasileira reduziram o poder de compra, e as famílias tiveram de cortar até itens básicos em categorias como alimentos e bebidas. Há, aí, uma exceção notável: a água mineral. Segundo números da consultoria em consumo Euromonitor, as vendas de água mineral cresceram a uma taxa de dois dígitos desde 2011.

No período, o Brasil saltou do 11o para o sétimo maior mercado global de água engarrafada. Hoje, são 3,4 bilhões de dólares em vendas. E as boas notícias devem continuar. A expectativa é que as vendas cresçam mais 26% até 2021, taxa superior à média mundial, de 20%. Uma razão da bonança é a sensação de bem-estar: oito entre dez brasileiros dizem que beber água é muito importante para ter uma vida saudável, maior índice entre sete mercados analisados.

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AGRONEGÓCIO

ESCASSEZ DE TALENTOS NO CAMPO

Lavoura: sete em dez gerentes de RH dizem ser difícil contratar profissionais na área | Sergio Ranalli/Pulsar Imagens

A pujança do agronegócio brasileiro, que comemorou uma safra recorde em 2017, motivou a criação de 93 000 postos de trabalho no setor entre janeiro e outubro — maior expansão em cinco anos e 84% acima do que foi registrado no mesmo período do ano passado, de acordo com números da Confederação Nacional da Agricultura. A boa notícia evidencia uma limitação à contínua expansão do setor: a falta de bons profissionais.

Sete entre dez dos gerentes das 52 maiores companhias do agronegócio no país dizem que recrutar mão de obra é o principal desafio para o crescimento da empresa, segundo uma pesquisa inédita da consultoria em recursos humanos Wyser. A escassez é maior nos cargos médios, como gerentes e coordenadores, e nos técnicos. Além da percepção de que há uma seca de talentos no campo, a pesquisa revelou que faltam políticas de recursos humanos: apenas 13% dos entrevistados disseram que trabalham em empresas que têm programas para atrair e reter talentos.