Visão Global | A produção de petróleo só cresce

No mês de abril, a produção de petróleo bruto nos Estados Unidos superou pela primeira vez a marca de 12 milhões de barris extraídos por dia

Dados mais recentes do setor de energia dos Estados Unidos mostram um cenário contraditório. Apesar de toda a preocupação com o aquecimento global e da necessidade de investir em energias limpas, a realidade é que a indústria de petróleo americana nunca viveu uma fase tão positiva quanto a atual.

No mês de abril, a produção de petróleo bruto nos Estados Unidos superou pela primeira vez a marca de 12 milhões de barris extraídos por dia. É quase cinco vezes a produção de petróleo do Brasil e um volume maior até do que a produção da Arábia Saudita ou da Rússia — dois dos maiores produtores do mundo.

Segundo a Agência de Informação Energética dos Estados Unidos — órgão responsável por coletar os dados do setor —, o que está provocando esse pico na indústria de petróleo são as novas técnicas de extração, conhecidas como fraturamento hidráulico (fracking, em inglês) e perfuração horizontal, as quais já representam 61% da produção do país.

Boa parte dela está concentrada no estado do Texas, onde a extração de petróleo cresceu 28% de janeiro de 2018 a abril de 2019. Com a economia americana em expansão, a estimativa é que a produção continue crescendo, podendo chegar a 14 milhões de barris por dia em 2020, quase o triplo do obtido em 2008.

A alta na produção doméstica faz com que os Estados Unidos importem cada vez menos petróleo, colocando pressão sobre os países do Oriente Médio. É uma nova realidade para o mundo.


PAÍSES EMERGENTES

Os empréstimos obscuros da China

Xi Jinping, presidente da China: o país é um credor internacional cada vez mais ativo | Jason Lee/Reuters

Seja na Ásia, seja na América Latina, é cada vez mais comum os governos recorrerem ao capital da China para obter empréstimos ou financiar obras. Hoje os financiamentos chineses já somam 1,6 trilhão de dólares, ou quase 2% do PIB mundial.

O problema é que muitos empréstimos não são relatados aos órgãos internacionais, e isso prejudica a análise dos riscos financeiros envolvidos.

Num estudo recente, os economistas Sebastian Horn, Carmen Reinhart e Christoph Trebesch analisaram os empréstimos chineses feitos desde 1949 e concluíram que os países que mais receberam recursos têm hoje uma dívida equivalente a 17% do PIB, em média. A maioria é de países africanos.


GRÉCIA

Novo governo, velhos problemas

Mitsotakis, o novo primeiro-ministro da Grécia: a direita volta ao poder | Thanassis Stavrakis/AP

Quase uma década já se passou desde o início da crise da dívida grega, e os problemas econômicos do país ainda parecem longe de ser superados. O produto interno bruto continua 24% abaixo do nível pré-crise, e o desemprego atinge 18% da população — o maior índice entre os países da zona do euro.

Os gastos públicos hoje estão controlados, mas as pensões e aposentadorias drenam boa parte do orçamento e sobra pouco dinheiro para os investimentos públicos. É nesse contexto que governará o novo primeiro-ministro, Kyriakos Mitsotakis, do partido Nova Democracia, de direita.

Sua principal proposta é reduzir os impostos para os mais pobres e para as empresas, na tentativa de estimular a atividade econômica. Mas sair da crise, como se vê, não será tão simples.