A nova cara do jazz

Nada de nostalgia ou velhice: o tradicional gênero se renova com jovens músicos dedicados e de boa técnica

Pode até haver uma noção de que o jazz é um gênero antigo e ultrapassado. Mas essa suposta verdade vive sendo desmentida por músicos jovens dedicados à complexidade técnica e ao sentimento que o estilo requer. Joey Alexander é um prodígio do piano nascido na Indonésia.

Com apenas 16 anos, Alexander é um músico maduro, que toca de um jeito que remete a Bill Evans. Desde 2015 já lançou quatro álbuns independentes e obteve três indicações ao Grammy. Seu novo trabalho é Warna, o primeiro por uma gravadora grande — no caso, a tradicional Verve.

Sozinho ou acompanhado por contrabaixo e bateria, Alexander demonstra delicadeza e facilidade para explorar o teclado com acordes cheios e solos. E compõe quase tudo. A única cover é Fragile, de Sting.

Também pianista e oriental, embora nascida nos Estados Unidos, Connie Han, de 24 anos, apresenta um visual de estrela pop e destreza de quem sabe o que é jazz. Ela estreou em 2015, aos 19, com um álbum só com canções do compositor de musicais Richard Rodgers, das duplas com os letristas Lorenz Hart e Oscar Hammerstein II.

Em constante ascensão, passou a ser patrocinada pela Steinway, uma das mais renomadas fábricas de pianos. E Iron Starlet, seu terceiro álbum, sairá em 10 de abril.

A trombonista canadense Audrey Ochoa, de idade não revelada, porém nova, une competência com senso de humor. Na capa de seu álbum anterior, Afterthought, posou como sua xará Audrey Hepburn no filme Bonequinha de Luxo. Em Frankenhorn, seu terceiro trabalho, Audrey tem apoio ora de uma formação jazzística de cordas, ora de batidas eletrônicas, como nas faixas The Huggy Dance e Groundhog Day.

Da Inglaterra vem outro músico sem medo de sons eletrônicos. O baterista e percussionista Moses Boyd, de 28 anos, fez seu primeiro álbum solo, Dark ­Matter, depois de três anos com o saxofonista Binker Golding e um com seu grupo Moses Boyd Exodus.

A percussão é combinada com metais, guitarra e teclados. Os ritmos caem para afro e hip-hop, e há vocais de convidados em algumas faixas. Velharia? Longe disso.


SÉRIE

Duas épocas de Polanski

O diretor polonês Roman Polanski não é assunto fácil de tratar. Condenado nos Estados Unidos em 1978 por estupro de uma menor e foragido de lá desde então, é um pária para muitos, enquanto outros preferem olhar apenas para seu talento como cineasta.

O debate entrou em ebulição na recente cerimônia do César, o Oscar francês, na qual seu O Oficial e o Espião venceu o prêmio de Melhor Filme e provocou fortes protestos das mulheres presentes. O longa é baseado no caso real do ­militar judeu francês Alfred Dreyfus, levado a tribunal por uma acusação injusta no fim do século 19.

Já uma obra feita por ­Polanski anos antes de seu crime, Chinatown (1974), é dissecada num livro lançado nos Estados Unidos, The Big Goodbye: Chinatown and the Last ­Years of Hollywood.

A reconstituição de como o ­filme foi realizado traz um Polanski ainda abalado ­pelo assassinato da esposa, Sharon Tate, em 1969, além de personagens peculiares, como o excêntrico roteirista Robert Towne.

O Oficial e o Espião | Direção de Roman Polanski | Com Jean Dujardin, Louis Garrel, Emmanuelle Seigner |Estreia em 12/3


EXPOSIÇÃO

Experiência da dança

O Masp vai dedicar 2020 ao tema “Histórias da dança” e, para iniciar esse ciclo, abrirá simultaneamente duas exposições. Uma é Hélio Oiticica: A Dança na Minha Experiência, que terá a exibição dos famosos parangolés, panos que são a marca do trabalho do artista plástico carioca morto em 1980.

A outra é Trisha Brown: Coreografar a Vida, primeira retrospectiva brasileira sobre a obra da dançarina americana morta em 2017.

Hélio Oiticica: A Dança na Minha Experiência | Exposição de Hélio Oiticica 

Trisha Brown: Coreografar a Vida | Exposição de Trisha Brown | MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand) | De 20/3 a 7/6


DOCUMENTÁRIO

O ídolo dos ídolos

Durante décadas, o argentino Juan Manuel Fangio foi o mito a ser superado na Fórmula 1. Os cinco títulos que ele conquistou (o último em 1957) estabeleceram um recorde cobiçado por muitos gênios, mas superado apenas no século 21 por Michael Schumacher (sete mundiais) e Lewis Hamilton (seis).

É o único corredor a se sagrar campeão por quatro escuderias. O documentário Fangio — O Rei das Pistas, produção argentina que chega à Net­flix, é boa oportunidade para saber mais sobre um ídolo de Ayrton Senna.

Fangio — O Rei das Pistas | Documentário de Luciano Origlio, Rodrigo H. Vila | Com Juan Manuel Fangio, Alain Prost, Fernando Alonso | Estreia em 20/3 (Netflix)