A linha da RBS está ocupada

O sonho de entrar no cobiçado mercado de telefonia acabou convertendo-se em pesadelo para o grupo gaúcho RBS. O grupo, controlado pela família Sirotsky, está negociando o fim de sua parceria com a Telefónica de España.

A idéia é repassar os 6% que detém do capital da Telesp, cujo controle foi assumido pelos espanhóis no megaleilão de privatização em julho passado. Em troca, a Telefónica cederia uma parte substancial de suas ações na CRT, a companhia de telefonia do Rio Grande do Sul, arrematada no primeiro semestre deste ano.

Maior grupo de comunicações do sul do país, com um faturamento de 700 milhões de dólares em 1997, a RBS está agastada com o pessoal da Telefónica. Em sociedade com a Telefónica a RBS formou uma holding, a TBS, com o objetivo de ficar com a Tele Centro Sul e formar a maior operadora de telefonia da região sul. Esses planos frustraram-se com a decisão unilateral da Telefónica de fazer com que a TBS adquirisse a Telesp – pelas regras da privatização um mesmo consórcio não poderia assumir mais de uma empresa de telefonia fixa.

Com uma dívida declarada de 175 milhões de dólares, o grupo resolveu apertar o cinto. Uma das medidas em andamento é uma redução de 7% em seu quadro de 6 300 funcionários.

O anúncio dos cortes desencadeou uma onda de boatos sobre a RBS, em Porto Alegre. Falou-se num pedido de concordata e até na renúncia de Nelson Sirotsky, presidente e um dos principais acionistas do grupo, que teria sido hospitalizado com depressão. Procurado por EXAME, Sirotsky desmentiu essas versões. “Não pedi concordata, estou bem de saúde e continuo presidente da RBS”, diz Sirotsky.