A ética fora do papel na Celpe

Na Celpe, um comitê é responsável por acompanhar a utilização do código de ética

A recém-duplicada BR-232, que liga Recife à cidade de Caruaru, em Pernambuco, é uma daquelas estradas que, de tão novas, fazem com que os motoristas sintam-se tentados a ultrapassar os 100 quilômetros por hora permitidos.</p>

Numa recente viagem a trabalho à cidade, contudo, o presidente da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), Roberto Alcoforado, fez questão de manter-se o tempo inteiro na velocidade máxima indicada, levando os outros profissionais da empresa que guiavam logo atrás a reduzir a pressão no acelerador para respeitar o limite permitido.

“Se alguém da empresa quer defender valores éticos, mas nem sequer considera os sinais de trânsito, que credibilidade pode ter?”, diz Alcoforado.

O argumento é uma espécie de alegoria simplista, mas ilustra os princípios que norteiam o código de ética profissional da Celpe. Desde que o código foi publicado, em 2002, a companhia vem se esforçando para que o documento não se torne mais uma daquelas brochuras institucionais esquecidas em meio à papelada diária.

Para isso, foram tomadas medidas efetivas, como a criação, em 2004, de um comitê responsável pela disseminação e pelo acompanhamento do uso do código. Formado por dez representantes de todas as superintendências da Celpe, cabe ao comitê exigir, por exemplo, que alguns dos princípios que norteiam os profissionais da companhia sejam seguidos por todos os fornecedores.

Nesses casos, os aspectos socioambientais se sobrepõem aos econômicos. Se um grupo propõe um contrato de fornecimento de óleo para uma termelétrica da empresa, mas não prova que o destino dos resíduos é seguro para o meio ambiente, a unidade de suprimentos não pode fechar o contrato — mesmo que o preço seja menor.


Em 2003, a Celpe cancelou um contrato com uma empresa responsável pela lavagem dos automóveis do grupo ao descobrir que ela não vinha recolhendo regularmente seus encargos trabalhistas. O mesmo critério vale para os contratos com empresas que desrespeitem normas de segurança do trabalho, de saúde, ou sejam suspeitas de usar trabalho infantil.

Para avaliar o desempenho do código, a Celpe também faz, todos os anos, uma auditoria para checar como a empresa e seus fornecedores estão se adaptando — ou não — às suas normas. Segundo Maria Carlia Maia, analista de recursos humanos da Celpe, todos os profissionais da empresa recebem o código no momento da admissão — e o desrespeito às normas éticas já resultou em duas demissões, além de diversas advertências.

O código também funciona para os profissionais como uma barreira a possíveis desvios de conduta de seus superiores, incluindo discriminação, assédio e invasão de privacidade. As denúncias podem ser feitas via internet, ao presidente do comitê — que tem a obrigação de conduzir o assunto até seu desfecho — ou de forma reservada pela intranet.