Visão Global — A dívida americana só cresce

O governo gasta mais do que arrecada e depende cada vez mais de empréstimos para cobrir despesas

ESTADOS UNIDOS

Os Estados Unidos têm um problema semelhante ao do Brasil. O governo gasta mais do que arrecada e depende cada vez mais de empréstimos para cobrir despesas. Isso aumenta a dívida pública do país, correspondente, hoje, a 76% do PIB, nível mais alto desde os anos 50. Um estudo recente do Escritório de Orçamento do Congresso, órgão independente que faz análises das contas públicas americanas, estima que o nível da dívida só tende a subir, podendo chegar perto de 100% do PIB em 2030. A agência alerta que essa situação eleva o risco de uma crise fiscal e reduz a capacidade do governo de reagir a choques econômicos.

Em artigos recentes, economistas americanos têm debatido as causas do aumento da dívida. Para um grupo, a culpa é do crescimento dos gastos sociais — aposentadorias, pensões, seguro-desemprego etc. Para outro, a raiz do problema está nos cortes de impostos feitos pelo presidente Trump. É provável que seja uma combinação dos dois. Mas ninguém discorda de um ponto: os Estados Unidos terão uma baita dor de cabeça pela frente.

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CHINA

APETITE DE INVESTIMENTO

Vista de Xangai: o capital chinês está ganhando o mundo | Zhang Peng/Getty Images

É inegável que a influência da China no mundo aumentou. Um sinal disso é a participação cada vez maior do capital chinês nos investimentos estrangeiros diretos — o dinheiro usado para fazer aquisições de empresas ou expandir operações no exterior. De cada 100 dólares investidos no mundo, 12 dólares vêm da China. Segundo um relatório da consultoria KPMG a que EXAME- teve acesso com exclusividade, essa nova realidade beneficia países em desenvolvimento, como o Brasil. Setores estratégicos para os chineses, como energia, mineração e alimentos, são os alvos favoritos. Mas é preciso ser competitivo. “Hoje, as empresas chinesas já têm uma visão apurada do que ocorre em vários mercados do mundo e sabem avaliar se vale mais a pena fazer uma aquisição no Brasil ou na Austrália”, diz Daniel Lau, diretor de análise sobre a China da KPMG no Brasil.

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SÍRIA

UM COLAPSO SEM SAÍDA

Prédio atingido por mísseis americanos na Síria: o ataque não alivia a situação do país | Ammar Abdullah/ Reuters

Em mais de sete anos de conflito, a guerra civil na Síria deixou mais de 5 milhões de refugiados e cerca de 500 000 mortos. Outros 6 milhões de pessoas tiveram de deixar a casa, e 13 milhões de habitantes sofrem hoje com a falta de serviços de saúde e de produtos básicos. A economia do país ficou destruída. As estimativas mais recentes indicam que só nos primeiros anos da guerra o PIB chegou a cair mais de 30% ao ano. Em meio a uma das piores crises humanitárias das últimas décadas, o ataque dos Estados Unidos contra locais de produção de armas químicas dificilmente vai aliviar a situação da população síria prejudicada pelo conflito.

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ALEMANHA

O RESULTADO DA REFORMA

Trabalhadora alemã: vagas de meio período em alta | Eckel/Getty Images

A Alemanha é um laboratório para o mundo quando se trata de reformas trabalhistas. Entre 2003 e 2005, o país fez uma série de mudanças para flexibilizar os contratos e reduzir programas sociais para desempregados. As novas regras também facilitaram a contratação por meio período e criaram a categoria de “minitrabalho” — atividades simples com remuneração mensal de até 450 euros (1.880 reais).

Um estudo recente do Instituto de Economia do Trabalho, com sede em Bonn, avaliou os impactos da reforma trabalhista alemã. Embora a flexibilização tenha ajudado a diminuir as taxas de desemprego para um dos menores níveis desde os anos 90, a maioria das vagas criadas na Alemanha foi de meio período ou de “minitrabalho”. Elas representam, hoje, 35% dos empregos (em 1999, eram 24%). Já as vagas com contrato integral ficaram estagnadas. E aumentou o número de pessoas com dois ou mais empregos. Evidentemente, não é uma situação ideal. Mas a alternativa seria um maior nível de desemprego, como ocorre em outros países europeus.

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AMÉRICA LATINA

BANDA LARGA AINDA PRECÁRIA

Jovens chilenos: o acesso à internet continua longe do ideal na América Latina | Ivan Alvarado/Reuters

Diversos estudos já mostraram que o maior acesso à internet tem relação com ganhos econômicos. A rede permite que as pessoas participem da economia digital, tenham acesso a serviços online (de bancos a aplicativos de transporte), troquem informações e interajam com seu círculo social. Um relatório recente da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, ligada às Nações Unidas, mostra que a América Latina de fato vem avançando para ampliar o acesso da população à internet.

No entanto, é preciso fazer mais. Os países da região ainda estão muito atrás das nações da OCDE, grupo das 35 economias mais ricas, em relação ao número de residências com banda larga. E há muita diferença entre zonas urbanas e rurais. Além disso, a qualidade da internet é ruim. Enquanto nos países ricos mais de 50% das residências têm conexão com velocidade acima de 15 megabits por segundo, na América Latina isso não passa de 15%.

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