O ano vai ser bom? Depende da reforma da Previdência

Para o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Brasil pode ter um ano positivo pela frente — desde que aprove a reforma da Previdência

Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) desde 2005, o colombiano Luis Alberto Moreno frequenta o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, há 15 anos. Em 2019, ele pôde ver de perto a recepção de empresários do mundo todo ao presidente Jair Bolsonaro. A EXAME, Moreno contou suas impressões sobre a participação brasileira no evento e falou de sua expectativa para nossa economia.

O senhor esteve com o presidente Jair Bolsonaro em Davos no fim de janeiro. O que achou da participação do Brasil?

Eu nunca tinha visto uma presença tão forte do Brasil como a deste ano. Nas reuniões em que estive, pude notar que o presidente Bolsonaro deixou muito claro o que pretende mudar no país. A mensagem que ele e sua equipe deixaram é que este ano será positivo, com um bom crescimento econômico depois de um período ruim. Mas, para chegar a isso, acredito que o governo terá de aprovar a reforma da Previdência.

Como a reforma pode afetar a relação do país com investidores?

Ainda há dúvidas sobre a relação entre Bolsonaro e o Congresso. O sucesso da reforma da Previdência é importantíssimo para saná-las. Se o governo conseguir aprová-la, o mundo vai saber que o Brasil é capaz de realizar mudanças importantes para reduzir a máquina pública e dar mais espaço ao setor privado.

O senhor avalia que os investidores estão confiantes de que essas mudanças vão acontecer?

A reação em Davos foi, sem dúvida, positiva. No almoço com os membros do International Business Council, grupo que reúne as 100 maiores empresas do mundo, Bolsonaro colocou os temas na mesa e orientou os ministros sobre quais cada um abordaria. Os empresários presentes gostaram disso. Os ministros também provaram que conhecem os temas fundamentais. Isso é muito importante para quem está pensando em investir no Brasil.

O senhor já teve a oportunidade de conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedes?

Já conversamos diversas vezes. A última foi em Davos. Expliquei a ele, durante o evento, as questões com as quais o BID está lidando hoje. Também falamos sobre as oportunidades para o setor privado no BID e discutimos como criar instrumentos para acompanhar e mobilizar mais investimentos de longo prazo.

O BID já tem uma previsão da quantidade de investimentos que pode ser aplicada no Brasil?

Ainda não. Mas eu espero ir ao Brasil em breve, ainda neste ano, para acompanhar de perto a dinâmica. Conversando com o governo brasileiro, percebi que há interesse em atrair a iniciativa privada ao país. Acredito que faremos um grande trabalho.

O que o senhor acha da proposta do ministro Guedes de zerar o déficit orçamentário brasileiro em um ano com privatizações?

É difícil opinar sobre isso. O que posso dizer é que, sem dúvida, acabar com esse déficit enorme seria positivo para a economia brasileira. Mostrar que o Brasil está com as contas equilibradas se traduzirá em enorme crescimento mais para a frente. E isso pode gerar uma mudança estrutural profunda.

Como evitar que novas privatizações no Brasil sejam afetadas por problemas como a corrupção?

Creio que o ministro Sergio Moro entenda muito bem de luta contra a corrupção e possa criar uma política pública para acompanhar um novo processo. De toda forma, não tenho dúvida de que o Brasil tem experiência para evitar os erros do passado.