Laticínios Bela Vista aposta agora na linha saudável

O leite sem lactose foi lançado pelo Bela Vista em 2012 com a marca Piracanjuba. Três anos depois, já era o mais vendido do Brasil nessa categoria

Nos últimos anos, poucas empresas do setor apostaram tanto na ideia de associar leite à saúde quanto a goiana Laticínios Bela Vista. Os irmãos César e Marcos Helou, donos da empresa, decidiram investir na pesquisa de novos produtos para descobrir nichos de mercado pouco explorados na linha saudável.

Quando perceberam a falta de itens com 0% de lactose nas prateleiras, apressaram o desenvolvimento de opções para atender consumidores alérgicos e intolerantes a esse açúcar presente no leite.

“Nossas pesquisas apontaram que 70% dos brasileiros têm algum tipo de intolerância ao componente”, diz César, diretor de relações institucionais da empresa. “O que o mercado oferecia eram produtos com baixo teor de lactose, incapazes de atender uma parcela considerável de consumidores. O nosso é zero de verdade.”

O leite sem lactose foi lançado pelo Bela Vista em 2012 com a marca Piracanjuba. Três anos depois, já era o mais vendido do Brasil nessa categoria. A família de produtos inclui bebida com sabor de chocolate, doce de leite, leite condensado e creme de leite. O Bela Vista oferece outros produtos com ingredientes saudáveis, como linhaça e chia, além de uma linha para crianças e outra para quem faz dietas.

Marcos (à esq.) César Helou, donos do Laticínios Bela Vista: aumento de 16% na receita em ano de queda do consumo de leite | Leandro Fonseca/EXAME

Nascida em 1955 como uma pequena fábrica de manteiga, o Bela Vista conta hoje com um leque de mais de 150 produtos, que chegam ao mercado sob quatro diferentes marcas: Piracanjuba, Pirakids, LeitBom e Chocobom. A diversificação dos produtos ajudou a empresa a reduzir sua dependência em relação à venda do leite tradicional. “Alguns anos atrás, o leite longa-vida representava metade do nosso faturamento.

Hoje responde por um terço da receita”, diz César. A estratégia de diversificação é fundamental num setor em que a maioria dos consumidores é pouco fiel às marcas — poucas pessoas vão a um supermercado atrás de uma marca específica de leite. Some-se a isso a recessão no país, que reduziu o consumo de leite. Dados oficiais mostram que, em 2016, as indústrias compraram dos produtores quase 4% menos leite do que no ano anterior.

Para reverter o cenário desfavorável, César diz que não há outra saída: “Não podemos parar de investir”. Foi assim também há alguns anos, quando o Bela Vista decidiu aproveitar a época de juros baixos do BNDES para expandir a produção. Do financiamento do banco público vieram os recursos para construir a fábrica de Governador Valadares, em Minas Gerais, inaugurada em 2014. A unidade mineira permitiu aumentar a capacidade de produção de 3 milhões de litros de leite por dia para 5 milhões.

A empresa tem fábricas também em Bela Vista de Goiás, Maravilha (Santa Catarina) e Doutor Maurício Cardoso (Rio Grande do Sul). O resultado desses investimentos aparece no balanço de 2016. Num ano ruim para o setor, o Bela Vista faturou 844 milhões de dólares, 16% mais do que em 2015, e lucrou 46 milhões de dólares. “Os investimentos nos deram condições de crescer num momento de fraqueza do setor”, diz Marcos Helou, diretor industrial do Bela Vista.