A Integralmédica cresce colada aos combates do UFC

Fundada nos anos 80, a paulistana Integralmédica deverá faturar mais de 150 milhões de reais em 2013 vendendo suplementos alimentares para lutadores de vale-tudo e alunos de academias

São Paulo – Nos últimos anos, o UFC, maior campeonato de vale-tudo do mundo, ficou popular no Brasil. Nos sábados à noite, milhões de pessoas assistem à competição pela TV e, como no futebol, amigos se reúnem em bares para acompanhar as lutas. Durante a transmissão, é difícil não perceber no ringue o logo da empresa paulistana Integralmédica. 

Ela — cujo nome parece de plano de saúde — fabrica e vende suplementos alimentares à base de proteína e vitaminas consumidos por lutadores de vale-tudo, fisiculturistas e alunos de academias. As receitas deste ano deverão superar 150 milhões de reais — crescimento de 40% em relação a 2012. “Queremos que quem luta vale-tudo conheça nossa marca”, diz o médico mineiro Euclésio Bragança, de 63 anos, fundador da Integralmédica.

A empresa já investiu mais de 8 milhões de reais para patrocinar o UFC no país desde 2009, quando a competição começou a ser transmitida pela TV aberta. Também nessa época passou a patrocinar outros eventos esportivos do gênero, como competições de levantamento de peso, fisiculturismo e atletismo.

Esses investimentos fazem parte de uma estratégia de expansão. “Nossa meta é crescer pelo menos 35% ao ano no curto prazo”, diz Bragança. “Temos conseguido.” O mercado de nutrição esportiva, que quase não existia até recentemente no país, faturou mais de 800 milhões de reais em 2011, de acordo com a Abenutri, associação brasileira que reúne empresas do setor. 

“Nos últimos seis anos, o mercado cresceu, em média, 26% ao ano e deverá continuar crescendo”, diz Karina Kwasnicka, diretora da Abenutri. Segundo Karina, um fator que ajudou a expandir esse mercado foi a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter liberado a fabricação de vários suplementos. 

“Antes, era preciso recorrer a sites estrangeiros”, diz Karina. “Agora, eles podem ser comprados em farmácias.” A Integralmédica distribui seus produtos em grandes redes de farmácias, como Drogaria São Paulo, Droga Raia e Onofre, e lojas especializadas em suplementos, que vendem barrinhas energéticas e tabletes de vitaminas. 


Para que seus produtos sobressaiam entre os dos concorrentes nas prateleiras dessas lojas, Bragança usa o símbolo do UFC nas embalagens — o patrocínio no campeonato inclui o direito de usar o logotipo. “Isso chama a atenção para nossos produtos”, diz Bragança. “Acreditamos que mais de 70% dos nossos novos consumidores conhecem a marca por causa dessa relação.”

Ao tornar-se mais conhecida no setor, a Integralmédica abriu caminho para a diversificação. No fim de 2009, a empresa criou uma linha de alimentos e bebidas para manter a elasticidade da pele e reduzir a flacidez, destinada ao mercado de estética feminina. “As fórmulas são parecidas com as dos suplementos”, diz Bragança. “Por isso, pudemos usar os equipamentos que já tínhamos e reduzir a ociosidade da fábrica.”

Hoje, essa linha é responsável por 10% das receitas. As estratégias de marketing e a entrada em novos mercados foram iniciativas do administrador Filipe Bragança, de 30 anos, filho mais velho do fundador. Nos últimos tempos, Filipe tem ajudado a profissionalizar a gestão dos negócios da família. Ele contratou executivos de grandes companhias, como Unilever, Coca-Cola e Danone, para cargos antes ocupados por parentes, como sua mãe, Tania, e a irmã dele, Anna.

Também foi criado um conselho administrativo, do qual participam Tania, Anna, alguns consultores e David Barioni, ex-presidente da TAM. Filipe e o pai continuam na operação. Pai e filho têm perfis distintos. Filipe trabalha na empresa da família desde os 17 anos — sua primeira função foi ajudar a embalar os produtos e dirigir o caminhão de entregas.

Seu pai cursou medicina em Vitória nos anos 70 e achava que sua vocação era cuidar de pessoas carentes. Logo depois de se formar, um amigo lhe disse que faltavam médicos na Região Norte. “A construção da rodovia Transamazônica tinha atraído muita gente para lá e não havia médicos suficientes”, diz Bragança. “Arrumei minhas coisas e dirigi por três dias do Espírito Santo ao Pará.”


Bragança foi morar em Rondon do Pará, cidade a 500 quilômetros de Belém. Lá, tornou- se sócio de um pequeno hospital construído de madeira. Entre as dezenas de pacientes que atendia diariamente, pelo menos meia dúzia era subnutrida. Então, ele começou a fazer suplementos alimentares de proteína de forma artesanal para dar a eles. 

Encerrada essa fase, seis anos depois Bragança se mudou para São Paulo e começou a fabricar suplementos num pequeno laboratório. Seus primeiros clientes foram academias de ginástica no entorno da empresa, na região central da cidade. Hoje, 30 anos depois da fundação da Integralmédica, Bragança tem planos ambiciosos. 

“Queremos fechar um contrato para patrocinar o UFC também em outros países, como Argentina, Colômbia e Venezuela”, diz ele. “Ao mesmo tempo, pretendemos entrar no mercado desses países e em outros da América do Sul.”