Uma loja de doces pode ser considerada uma startup?

Quando ouvimos falar o termo “startup” imediatamente nosso cérebro nos leva a imaginar uma empresa de alta tecnologia ou de internet. Mas será que é isso mesmo?

Dúvida do leitor: Um empreendimento de doces pode ser considerado uma startup?

Respondido por Cristian Welsh Miguens, especialista em empreendedorismo

Quando ouvimos falar o termo “startup” imediatamente nosso cérebro nos leva a imaginar uma empresa de alta tecnologia ou de internet. Mas será que é isso mesmo?

A importância de esclarecer o que significa o termo startup não é acadêmica. Não se trata de uma questão de se está certo ou errado. É apenas uma forma de estabelecer um entendimento comum sobre o significado de uma palavra que constantemente aparece na imprensa de negócios e nas faculdades.

Como não tenho forma imediata de interagir com você, leitor, tudo o que vou dizer daqui em diante sobre startup tem apenas como objetivo que você saiba o que eu interpreto ser uma startup. Desde já antecipo que há pessoas que poderão não concordar.

Uma startup é uma empresa ou um negócio que está começando. Qualquer tipo de negócio, formal ou informal, de pequeno, médio ou grande porte. A característica básica é a de que uma pessoa ou grupo de pessoas, os fundadores da startup, acreditam possuir uma ideia sobre como atender determinadas necessidades ou resolver algum problema de outras pessoas ou grupo de pessoas, seus potenciais clientes.

A forma de fazer isto é oferecendo um produto e/ou serviço que eles consideram que poderão fornecer em condições tais que permitirá que a startup tenha lucro e lhes permita ganhar a vida cuidando do desenvolvimento desta empresa. Então, um empreendimento de doces pode sim ser considerado uma startup.

Por que as startups são motivo de atenção permanente? Não é apenas porque muitas pessoas desejam ter seu próprio negócio, o que, diga-se de passagem, é verdade. Ou porque estamos numa época de enormes e rápidas mudanças que oferecem oportunidades como nunca antes tínhamos visto, o que também é verdade.

A questão principal envolvendo as startups é a de que só uma minoria de todos os novos empreendimentos sobrevive ao seu quinto aniversário. Ou seja, em torno de 80% das startups terão quebrado antes de completar 5 anos de vida. É o que as estatísticas revelam.

Diante deste fato, costumam aparecer duas perguntas: Por quê? E o que é que fazem de diferente aqueles que sobrevivem? Não são as perguntas certas a se fazer. Quem espera uma resposta a estas perguntas consciente ou inconscientemente acredita que exista uma fórmula mágica que, se aplicada corretamente, garanta o sucesso. Nos negócios, nada é garantido.

O que é possível é adotar algumas medidas que poderão aumentar as chances de dar certo. Entretanto, antes de entrarmos nessa trilha, a de sugerir mecanismos que possam aumentar as chances de sucesso, gostaria de deixar uma expressão para refletir sobre o que seja uma startup, nas palavras do Steve Blank:

“Uma startup não é uma versão menor de uma empresa grande. É uma série de hipóteses não testadas e que precisam de validação dos clientes. Trata-se de uma organização temporária em busca de um modelo de negócio escalável, repetível e lucrativo.”

Cristian Welsh Miguens é professor do curso de negócios da Universidade Anhembi Morumbi.

Envie suas dúvidas sobre startups para pme-exame@abril.com.br.