“Uber dos caminhões” do Brasil ganha investimento de George Soros

A startup CargoX recebeu um aporte no valor de R$ 65 milhões dos investidores Goldman Sachs, George Soros e Qualcomm.

São Paulo – A CargoX, conhecida informalmente como “Uber dos caminhões”, anunciou um novo investimento de peso. O aporte série C, no valor de 20 milhões de dólares (na cotação atual, cerca de 65 milhões de reais), foi liderado pelo megainvestidor George Soros, pelo banco Goldman Sachs e pela empresa de tecnologia Qualcomm.

Essa é a primeira vez que Soros investe em uma startup brasileira, segundo o empreendimento. Com o novo aporte, o objetivo é aumentar a equipe e refinar a solução que conecta caminhões ociosos e empresas com necessidade de transporte.

Essa não é a primeira vez que a CargoX, criada em março de 2016, ganha um investimento: em julho do ano mesmo ano, o Goldman Sachs já havia aportado 48 milhões de reais no negócio. Ao todo, portanto, o negócio já conseguiu 110 milhões de reais em investimentos.

História de negócio

Procurando uma ideia de negócio, o argentino Federico Vega enxergou um grande gargalo no setor de transportes brasileiro.

Segundo o empreendedor, há uma grande quantidade de caminhoneiros autônomos ou pequenas transportadoras que possuem tempo e caminhões ociosos. Ao mesmo tempo, empresas grandes muitas vezes têm receio de fechar acordos com negócios de menor escala e partem para contratos custosos com transportadoras mais reconhecidas.

O resultado: cerca de 40% dos 2,6 milhões de caminhões grandes, de estrada, ficam vazios durante a volta de uma entrega ou esperando algum pedido. Do total de caminhões, um milhão pertencem a profissionais autônomos.

Por isso, o empreendedor criou uma solução que funciona de forma similar ao aplicativo de transporte Uber, conectando empresas com carga a caminhoneiros autônomos e ociosos.

Do lado da empresa, há a segurança de saber onde sua carga está em tempo real, usando o app, e uma redução de custos. Do lado do caminhoneiro, há a chance de aproveitar períodos ociosos para faturar mais, como a volta de uma entrega.

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A CargoX, que tem uma licença de transportadora, garante tanto a documentação e seguro das cargas, do lado da empresa, quanto o processamento do pagamento, do lado do caminheiro. Não é necessário contato direto entre as duas partes. Nessa transação, a CargoX cobra uma taxa de cerca de 15% do valor da entrega.

A startup, que tem um ano e oito meses de vida, já possui 250 mil caminhões cadastrados e atende 1000 empresas – desde gigantes, como a Unilever, até pequenas. O aplicativo intermedeia, em média, de 500 a 600 entregas por dia.

Federico Vega, CEO da CargoX

Federico Vega, CEO da CargoX: negócio cresceu 600% em 2017, em comparação anual (CargoX/Divulgação)

Novo aporte

Vega defendeu o que cada um dos investidores traz para a CargoX, além do dinheiro aportado.

O Goldman Sachs é o maior investidor em startups de tecnologia no mundo e tem, em seu portfólio, empresas como Facebook e Uber. Eles trazem muito conhecimento sobre como crescer uma empresa, além dos contatos”, explica. “O George Soros possui um perfil parecido, sendo um investidor em empresas de grande impacto. Não consigo pensar em investidores financeiros melhores.”

Já a Qualcomm produz desde chips até inovações para automóveis – incluindo os caminhões. “No fim das contas, somos uma empresa de tecnologia e a Qualcomm é uma das líderes nesse setor. Então, a associação é muito benéfica para nós.”

Com o aporte de 65 milhões de reais, a CargoX pretende melhorar seu produto. A maior parte do dinheiro irá para a contratação de equipes de engenharia e machine learning.

A empresa possui pouco mais de 200 funcionários, espalhados em 5 escritórios pelo Brasil, e pretende chegar a 9 escritórios e mais de 1.000 funcionários até o fim de 2018.

“Temos oportunidades para estudantes que ainda não tenham experiência, mas tenham vontade de aprender e fazer”, afirma Vega. “No nosso programa de jovens talentos, a gente contrata e treina as pessoas em diversas áreas do negócio. A partir daí ela pode ir para diversas áreas, de administração e vendas até engenharia, se tiver habilitação para isso.”

Nos próximos 12 meses, a startup pretende investir 200 milhões de reais – compostos tanto do investimento recente quanto dos lucros da empresa, que serão reinvestidos.

O “Uber dos caminhões” não abre números absolutos de faturamento, mas diz ter crescido 600% neste ano em comparação com o ano passado.

 

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