Exclusivo: TGI Friday’s prepara volta ao Brasil

Depois de uma saída misteriosa do país, a rede de restaurantes pretende voltar com mais força ao mercado brasileiro

São Paulo – Para os fãs da rede americana TGI Friday’s deve ter sido uma surpresa nada agradável notar que todos os restaurantes brasileiros haviam sido fechados. A saída à francesa da rede aconteceu em novembro do ano passado e foi causada por problemas com a parceria local. “Nós rompemos uma relação de muito tempo com o parceiro brasileiro de forma muito amigável”, diz Amir Kremer, diretor de desenvolvimento da rede para a América Latina.

Em entrevista exclusiva a EXAME.com, Kremer afirmou que, apesar de rentáveis, as unidades brasileiras não estavam à altura das expectativas da rede. “Decidimos fechar as lojas para focar em uma nova estratégia no mercado brasileiro”, conta. A distância entre as unidades foi um dos motivos que fez com que a rede revisse a operação brasileira. No país desde 1995, o Friday’s chegou a ter unidades em cinco cidades, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Rio de Janeiro e São Paulo.

Os novos planos incluem encontrar um parceiro que seja “empreendedor, forte e tenha uma boa rede de contatos”. Para ajudar na tarefa, o TGI Friday’s está contando com o apoio do Consulado dos Estados Unidos no Brasil. “Estamos conversando com grandes grupos varejistas e da área de alimentação e a receptividade tem sido muito boa”, afirma Paulo Rodrigues, especialista de desenvolvimento e negócios do escritório comercial do consulado.

Com um novo parceiro que concorde em entrar em uma joint-venture, a rede pretende voltar às atividades com foco no estado de São Paulo. “O Brasil é um importante mercado para nós e não está nos planos ficar fora desse país. Mas desta vez vamos começar com lojas em São Paulo e no futuro, no Rio de Janeiro”, explica Kremer, que foi responsável também pela vinda do Applebee’s para o país, em 2004.

A prospecção de um novo investidor deve tomar os próximos seis meses, pelo menos. “Queremos ter certeza que encontramos um parceiro adequado”, diz Kremer. “Vamos realizar encontros com interessados a partir de fevereiro”, acrescenta Rodrigues. A meta da rede é investir na abertura de dez a doze restaurantes nos próximos cinco anos. Cada unidade custará entre US$ 700 mil e US$ 1,5 milhão.

No mundo a rede construiu quase mil restaurantes nos 46 anos de atuação. Fora do território americano são 340 lojas, em 60 países, a maioria operada por meio de franquias. No ano passado, segundo as contas da empresa, foram servidos mais de 190 milhões de clientes no mundo, que devem ter consumido mais de 4 milhões de quilos de hambúrguer, carro-chefe da rede. Além do Brasil, a rede busca parceiros em outros treze países, como China, Tailândia, Dinamarca, Portugal e França.