Startups que morreram em 2018 ensinam lições para 2019

Os exemplos do que não fazer podem ajudar quem deseja abrir um negócio este ano ou quem já empreende

São Paulo – Abrir um novo negócio é uma tarefa árdua e nem sempre bem sucedida, mas mesmo os exemplos de fracassos podem servir de inspiração.

Todos os anos, muitas startups e pequenos negócios fecham as portas, seja por falta de financiamento, discussões entre sócios, regulamentações de mercado e até falta de transparência nas informações para acionistas.

Os exemplos do que não fazer podem ajudar quem deseja abrir um negócio este ano ou quem já empreende. A seguir, estão cinco startups que fecharam as portas em 2018 e que podem servir de lição neste ano.

Theranos

Talvez o exemplo mais conhecido desta lista, a Theranos, startup que prometia revolucionar exames de sangue, fechou as portas em setembro do ano passado.

A ideia era revolucionária: Um aparelho portátil capaz de fazer centenas dos principais exames a partir de uma gota de sangue colhida na ponta do dedo, de maneira rápida e indolor, com resultados quase imediatos. Celebrada como uma das mais disruptivas a nascer no Vale do Silício, a empresa levantou 1,4 bilhão de dólares em investimentos e tornou sua fundadora, Elizabeth Holmes, uma das bilionárias mais jovens a fazer sua própria fortuna.

No entanto, a situação era boa demais para ser verdade. Em 2016, a startup foi acusada de fraude e de ter mentido ou exagerado sobre a tecnologia e sua performance e foi investigada pela Comissão de Segurança e Câmbio (SEC) dos Estados Unidos, que regula o mercado de ações e funciona como a CVM. Além de pagar uma multa de 500 mil dólates, Holmes também foi proibida de dirigir ou ser executiva de qualquer empresa pública pelos próximos 10 anos.

A companhia ainda buscou compradores, mas, sem encontrar interessados, fechou as portas em setembro.

Airware

A Airware parecia que tinha tudo para dar certo. A startup criou um software de computação de nuvem para drones. Assim, empresas poderiam obter dados aéreos sem o uso de helicópteros, por exemplo. Seus clientes eram empresas de construção, seguradoras e mineradoras, entre outras, e a companhia levantou 118 milhões de dólares de investidores como o Google, Andreessen Horowitz e Kleiner Perkins.

De acordo com o Techcrunch, a empresa chegou a ter 140 funcionários, dispensados com o fechamento da companhia em setembro. Segundo a companhia, o seu erro foi não avaliar bem o mercado, que não estava pronto para a sofisticação oferecida pela companhia.

“A história nos ensinou o quão difícil pode ser calcular o momento da transição do mercado. Vimos esse jogo em primeira mão no mercado de drones comerciais. Éramos os pioneiros nesse mercado e uma das primeiras empresas a ver o poder que os drones poderiam ter no setor comercial. Infelizmente, o mercado levou mais tempo para amadurecer do que esperávamos”.

Ao aguardar pela aprovação do mercado, a companhia queimou caixa e os investimentos recebidos. No mundo das startups, que criam produtos e serviços que ainda não existem, chegar ao mercado no tempo certo é crucial.

Blippar

A startup de realidade aumentada Blippar enfrentou o mesmo problema da Airware: pioneira em seu segmento, a adoção de sua tecnologia pelo mercado ocorreu de forma mais lenta do que o antecipado pela startup.

O negócio, que levantou 131,7 milhões de dólares de investidores como Qualcomm e Candy Venture, anunciou em dezembro que irá encerrar as operações e demitir os funcionários. Administradores apontados pela justiça do Reino Unido irão decidir o destino dos ativos da empresa.

Fundada em 2011, a startup queimou dinheiro na busca por novos consumidores, ao mesmo tempo em que novas concorrentes surgiam. Além da pressão externa, a startup sofreu com disputas internas entre seus acionistas. Um aporte de emergência de 5 milhões de dólares foi bloqueado pelo fundo do governo da Malásia, o Khazanah.

Bluesmart

A desenvolvedora de produtos para Internet das Coisas Bluesmart buscava modernizar as malas de viagem. As bagagens desenvolvidas pela empresa tinham sensor de peso e rastreamento por GPS, entre outras tecnologias. Com 25,6 milhões de dólares levantados em investimentos, vendeu 65 mil malas em todo o mundo.

Ela tinha acabado de criar uma segunda edição de seus produtos quando algumas companhias aéreas americanas adotaram uma política proibindo o uso de baterias não removíveis nas malas, por conta do risco de incêndios.

“Depois de explorar todas as opções possíveis para pivotar e avançar, a empresa foi finalmente forçada a encerrar suas operações e explorar as opções de disposição, incapaz de continuar operando como uma entidade independente”, escreveu a companhia em maio.

Parte de seus ativos, como propriedade intelectual, designs e a marca, foram comprados pela fabricante de bagagens Travelpro. Nesse caso, a regulamentação do mercado e a dificuldade da companhia em se adaptar causaram o seu fim.

Rethink Robotics

A empresa de robótica Rethink Robotics passou os últimos dez anos tentando criar o futuro: robôs que interagissem e colaborassem com humanos. Tornou-se conhecida e respeitada no mercado, levantou 149,5 milhões de dólares em investimentos e criou os robôs Baxter e Sawyer. Usados em fábricas, as máquinas tinham rostos para se comunicar com as pessoas e eram fáceis de programar.

No entanto, seus produtos não foram um sucesso de vendas, com números abaixo do esperado. A concorrência apertada, em um mercado ainda pouco desenvolvido, também foi um motivo para o declínio da companhia. De acordo com The Verge, a companhia também enfrentou concorrência da Universal Robots, que oferece mais produtos, como garras diferentes para os braços mecânicos.

Segundo Frank Robe, fundador de uma empresa de investimentos especializada em robótica, um grande pedido feito pela China acabou não se concretizando. Uma negociação para vender a companhia também fracassou, disse ele ao Boston Globe.

Os exemplos do que não deu certo em 2018 trazem lições para 2019, tanto quanto histórias de superação.