Startups brasileiras chamam estudantes do MIT para resolver problemas

Negócios inovadores como C6 Bank, F.biz, GoCase e Quero Educação sediaram laboratórios de empreendedorismo

Se você tivesse um problema na sua empresa, quem você chamaria? As startups brasileiras C6 Bank, Gocase e Quero Educação e a agência de comunicação F.biz resolveram chamar universitários de peso. Os empreendimentos foram escolhidos pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), um dos institutos de ensino e pesquisa mais reconhecidos dos Estados Unidos, para sediar o laboratório de empreendedorismo MIT Sloan Global Entrepreneurship Lab (G-Lab) no Brasil.

Alguns critérios avaliados pelo MIT foram modelos de negócio, sucessos obtidos até agora e potencial de crescimento. As startups colherão os frutos da parceria neste mês.

O laboratório de empreendedorismo do MIT

O MIT Sloan Global Entrepreneurship Lab foi fundado nos anos 2000 e já fez parcerias com mais de 375 empresas. A iniciativa cria “laboratórios de empreendedorismo” em diversos países, conectando estudantes de MBA a startups e empresas inovadoras para promover novos projetos e visões dentro dos negócios e dar aprendizado prático aos universitários.

As equipes de alunos de MIT, geralmente composta por quatro estudantes no segundo ano do MBA, trabalham em cima de áreas como crescimento, estratégia financeira, marketing e obtenção de investimentos. Os projetos duram quatro meses. No caso do G-Lab brasileiro, os estudantes começaram a trabalhar remotamente desde setembro do ano passado.

Em janeiro de 2019, passaram três semanas nas sedes do C6 Bank, da F.biz, da Gocase e da Quero Educação. Empresas como Gocase e Quero foram assessoradas pela Endeavor em seu processo de inscrição. Neste mês, apresentarão os resultados finais de sua experiência e apontarão ações práticas a serem tomadas pelas startups nacionais.

As escolhidas brasileiras

O C6 Bank é um banco digital criado em março do ano passado por ex-executivos do banco BTG Pactual. O negócio recentemente recebeu uma aprovação do Banco Central para começar a operar.

Em seu mínimo produto viável, ou MVP, haverá serviços como conta corrente, pagamento de boletos e cartão de débito e crédito. Depois, o C6 Bank colocará produtos como investimentos, previdência privada, seguros e operações de câmbio. Além de oferecer produtos próprios, o banco vai distribuir serviços de outras empresas no seu marketplace.

Com os estudantes do G-Lab, o C6 definiu o plano de negócios e implementará um mínimo produto viável de robô advisor. O C6 Bank montou um escritório em Nova York (Estados Unidos), conhecido centro financeiro, com foco em análise de dados. Também em parceria com o MIT, o banco digital usa o escritório para construir modelos de crédito e sistemas de detecção de fraudes, por exemplo.

A F.biz é uma agência de comunicação que expandiu para ramos como consultoria e desenvolvedora de tecnologias de marketing. O negócio atende grandes empresas, como Kroton, Netshoes e Unilever.

A F.biz estudou oportunidades de expansão de seus serviços para América Latina, Estados Unidos e Europa com seu projeto pelo G-Lab. Alguns itens analisados foram tamanho e estado da indústria de marketing nesses mercados, players atuais, valores cobrados e demandas por serviços oferecidos pela agência.

A Gocase é um e-commerce de acessórios para smartphones e outros aparelhos tecnológicos, com o diferencial na customização. A marca afirma ter comercializado produtos para mais de 130 países e possuir escritórios em Fortaleza (CE), Holanda e China. Com o G-Lab, a loja online desenvolveu um plano de entrada no mercado americano, similar ao plano da F.biz.

Por fim, a Quero Educação é um marketplace de bolsas de estudo para o ensino superior e, mais recentemente, para cursos de idiomas. O negócio já mediou 450 mil bolsas e, com o G-Lab, analisou o que está por trás das taxas de conversão no oferecimento das bolsas.

O objetivo é prever a quantidade de bolsas que devem ser colocadas na plataforma e a receita obtida. “Já temos conclusões importantes sobre o processo de decisão do nosso aluno e isso poderá ser aproveitado para analisar nossa dinâmica competitiva”, afirmou em comunicado sobre a iniciativa Pedro Balerina, diretor de Inteligência Educacional da Quero Educação.