Startup que quer substituir Correios recebe aporte de R$ 25 mi

A Mandaê, que aplica tecnologia à logística de empresas, ganhou um investimento para crescer sua operação

São Paulo – A startup Mandaê está surfando em um mercado que, recentemente, só entristeceu seus consumidores – o que catapultou novas soluções. A logística para empresas passou diversos reveses nos últimos anos, como o fim do serviço de entrega para e-commerces e-Sedex e um vai e vem de fretes mais caros nos Correios, e isso ajudou a startup a anunciar uma nova rodada de aportes e continuar o crescimento de sua operação.

O negócio recebeu 7,1 milhões de dólares (na cotação atual, cerca de 25 milhões de reais). A rodada série B foi liderada pelo órgão International Finance Corporation, do Banco Mundial, e contou com a participação dos fundos FJ Labs, Mercado Livre Fund, Tekton Ventures e UPS Strategic Enterprise Fund. Outros investidores já são conhecidos da startup, como Performa Investimentos, Qualcomm Ventures, Monashees e Icon Holding Company.

“São fundos que já investiram em startups, inclusive de logística, pelo mundo inteiro. Além disso, possuem muita experiência e conexões de mercado. Eles sabem os desafios que temos e poderão dar muitos conselhos”, afirma Marcelo Fujimoto, CEO da Mandaê.

O primeiro fundo que merece destaque é o feito pelo IFC, do Banco Mundial. “A logística é um setor muito importante para o desenvolvimento dos países e enfrenta muitos problemas no Brasil. Então, para eles, fazem muito sentido investir no mercado em geral e na nossa solução em particular.”

Além do líder da rodada, outro fundo da lista merece destaque: o Mercado Livre Fund, parte da gigante de e-commerce. Fujimoto diz não poder falar em nome do Mercado Livre, mas obviamente há um interesse estratégico com o aporte.

“O frete é um dos fatores mais impactam a experiência no e-commerce, especialmente a taxa de conversão de consumidores. Marketplaces como o Mercado Livre estão preocupados com o setor, e acho que é um dos fatores que explica o investimento deles na gente. O mercado está carente de uma solução.”

Vale lembrar que a Qualcomm Ventures, que também aportou nesta rodada, já investiu em outra startups de logística que atua no Brasil: a CargoX, do argentino Federico Vega.

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Como funciona?

Criada em 2014, a Mandaê tem como objetivo aumentar a eficiência na coleta, embalagem e transporte de produtos para empresas. A primeira opção de envio de tais empreendimentos é, hoje, a Empresa Brasileira de Correios.

A empresa afirma que os Correios são “parceiros” e que, em algumas cotações, a melhor opção é de fato enviar pelo serviço. Mesmo assim, o negócio tira uma fatia do mercado da empresa por meio da competição com outros parceiros.

A startup faz a intermediação com outros negócios que recolhem os produtos, fazem uma embalagem adequada ou os transportam por caminhões próprios. Como a Mandaê negocia um volume maior de produtos durante toda essa cadeia, usando os pedidos de todas as suas clientes, a economia no frete das empresas pode chegar a 35%. A startup também oferece experiências como logística reversa (realizar trocas de pedidos) e ferramentas para gerenciar, rastrear e cotar envios.

Hoje, a Mandaê afirma atender “centenas” de clientes, compostos principalmente de pequenas e médias empresas. O negócio diz também atender companhias maiores.

Por conta do novo contrato de investimento, a startup não quis abrir números de volume de entregas ou faturamento, constatando apenas quadruplicar de tamanho nos últimos anos e querer manter a taxa para 2018.

A Mandaê ganhou o Prêmio ABComm de Inovação Digital 2017, da Associação Brasileira de E-Commerce, na categoria de “Logística no E-commerce”.

Planos de expansão e desenvolvimento

O investimento terá dois objetivos, segundo Fujimoto. O primeiro é expandir o serviço de logística empresarial para outros estados – até o momento, a solução atua apenas em São Paulo.

Depois, a startup usará os recursos para contratar mais pessoal, especialmente em atendimento e desenvolvimento de produto. A Mandaê possui 100 funcionários e quer dobrar de tamanho até o fim do ano.

“Nosso modelo de plataforma tecnológica para a cadeia de entrega é complexo, então continuaremos investindo”, afirma o CEO da Mandaê.

Um dos projetos tecnológicos para 2018 é melhorar a tecnologia de rastreamento sobre os produtos intermediados pela startup, por exemplo. A startup também quer fomentar parcerias mais profundas com as transportadoras.

Histórico de investimentos

A Mandaê já havia feito uma rodada de investimento-semente em março de 2014, no valor de 200 mil dólares. Um ano depois, captou um Série A de 4,9 milhões de reais, liderado pelos fundos Monashees e Valor Capital Group.

Por fim, fez novas rodadas que totalizaram 19,5 milhões de reais, com participação dos fundos anteriores e de nomes como Performa Investimos e Qualcomm Ventures. Somando o aporte atual, a startup já captou cerca de 50 milhões de reais.

Comentários

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  1. Primeira vez que vejo alguém que quer substituir usando os serviços de quem deseja substituir… HAHAHAHAAHA! Fail!

  2. Silvio Cesar

    A Mandaê quer substituir os Correios. Em que parte?
    Vai entregar encomendas nas regiões remotas do país ?
    Vai entregar carta de Tapejara/RS para Tartarugalzinho no Amapá por R$ 1,25 ?
    Lembrem-se que os Correios são importantes para a concorrência e que sem eles o serviço postal e de encomendas será voltado a empresas. A sociedade, principalmente de regiões menos favorecidas, ficará sem atendimento.
    Duvida? Você como pessoa física, vá a uma transportadora e tente enviar uma encomenda a um parente distante. Nem há onde ser atendido.

  3. Eder De Moraes Rosa

    Bla bla bla. Mais uma empresa que mira apenas grandes centros, a maioria da população não sabe disso. Inovação? Apenas reciclaram idéias que dhl e fedex já tiveram. Continuem assim, minando o fator social que só uma empresa estatal pode manter. O bom custo-benefício no frete vai se resumir apenas nas capitais e cidades grandes. Interior que se exploda.

  4. Marcelo Augusto

    Os correios prestam serviço como o espelho que o reflete, o país é uma porcaria. Os correios prestam um dos piores serviços que já vi. Sacos de batata são tratados com mais carinho pelos carregadores do que cristais nas mas dos correios. Eu mesmo já vi como tratam as encomendas na “Central de Tratamento”. Caixas jogadas de dentro dos carros para cestos metálicos grandes.O lema deles párece ser: “Se quebrar, Quebrou!” , mas dizer que uma empresa está pensando em substituir os correios com um investimento que parece “troco”… Que matéria fraca!

  5. Leonardo Rogich

    DHL, a melhor sem sombra de duvidas!

  6. Lucas Soares

    Provavelmente você não entende como funciona entregas e serviço postal. Eles poderiam fazer isso até mais barato, já que uma carta não pesa e ocupa espaço como uma encomenda. Eu moro em Macapá, capital do Amapá, aqui cartas pelos correios sempre chegam atrasado. Por exemplo, qualquer conta que tu dependa da fatura chegar por correio acaba chegando 2 dias após o vencimento da fatura. Por esse motivo eu parei de depender de serviço postal para pagar minhas contas.

  7. Lucas Soares

    O valor só é baixo porque é um objeto pequeno e leve que não terá muito problema em enviar junto com encomendas que sempre estão sendo enviadas para todos os cantos do país. Se eles extenderem o serviço pra cá, é óbvio que conseguem. O governo consegue porque espoliou a população pra ter a estrutura que tem hoje, mas presta um dos piores serviços possíveis.

  8. só se esqueceram de um detalhe: o mandae só faz remessa de CNPJ. eu já entrei em contato com eles e nao pude enviar um produto.
    o que o mandae faz, é simplesmente negociar preços com empresas de logistica e oferecer um melhor preço ao remetente. dessa forma, eles nunca seriam um concorrente dos correios . acredito que o titulo da materia seja muito mais coisa do editor do que da propria empresa.

  9. Rodrigo Matias

    Mandaê é uma empresa muito ruim! Trabalhamos com eles, e desistimos pois toda semana nossas mercadorias eram extraviadas, eles queriam nos reembolsar com créditos para as próximas encomendas. Atendimento via chat péssimo. Enfim não entendo como conseguem receber um aporte de investimento. Hoje trabalho com a Total Express grupo abril, também tem problemas mas eles resolvem. Principalmente em relação à danos ou extravio. Já o mandaê é bem mandaê mesmo… para ficarem na minha avaliação como uma
    Empresa ruim eles precisam ainda melhorar muito. Perda de tempo!