Startup que mapeia o caminho mais rápido em São Paulo recebe US$ 10 mi

Quicko analisa rotas a pé, de transporte coletivo e de aplicativos como 99, Uber, Grin e Yellow para oferecer o trajeto multimodal mais ágil

Nem sempre o mais rápido e melhor caminho é feito de apenas uma forma: pode valer a pena combinar caminhadas a ônibus, metrô, carro alugado e próprio ou aplicativos de mobilidade urbana como 99, Uber, Grin e Yellow para chegar mais rápido ao seu destino. 

É o que defende a Quicko, startup criada por ex-executivos de gigantes de tecnologia ou startups e que acabou de receber um aporte de 10 milhões de dólares de gigantes como a concessionária de infraestrutura CCR, criadora do serviço de pagamento eletrônico para pedágios e estacionamentos Sem Parar.

A Quicko agora trabalha para melhorar seu algoritmo próprio e captar mais usuários na Grande São Paulo.

Calcular o melhor trajeto

A Quicko é comandada por Marcos Martins (ex-CI&T e Softtek), Maurício Quinze (ex-Cielo e Multiplus) e Pedro Somma (ex-99 e Prefeitura de São Paulo). 

Criada na virada para 2019, a startup surgiu de estudos sobre como as pessoas se locomovem e a operação em tempo real dos transportes. “Usamos dados de mobilidade urbana para construir uma solução que traga conveniência”, afirma Somma.

Pedro Somma, da Quicko Pedro Somma, da Quicko

Pedro Somma, da Quicko (Quicko/Divulgação)

Por mais que existam diversas startups de mobilidade e micromobilidade, elas ainda não trabalham integradas. A Quicko está desenvolvendo um algoritmo que constrói rotas considerando a integração desses diversos modais. 

O usuário pode descobrir que o caminho mais rápido é pegar um ônibus, mas descer alguns pontos antes e seguir de patinete elétrica, por exemplo. Estudos da Quicko apontam uma redução de até 30% no tempo do trajeto por meio do seu algoritmo.

O aplicativo da Quicko está na fase de mínimo produto viável, já disponível para os sistemas operacionais Android e iOS e coletando necessidades dos usuários para melhorar o app. Como forma de monetização, a Quicko se coloca como fonte de usuários para aplicativos privados e estuda ganhar uma comissão por redirecionamento. No caso dos transportes públicos, a proposta é apenas gerar mais conveniência ao usuário final.

A Quicko inicia suas operações na Grande São Paulo, um “laboratório importante”. “Junto com empresas de metrô e ônibus, podemos validar nosso produto. Depois entraremos em outras grandes cidades com desafios de mobilidade urbana”, afirma Somma.

Investimento da CCR

O investimento semente de 10 milhões de dólares foi realizado pela CCR e pelo J2L, fundo de private equity do Rio de Janeiro. Os recursos serão usados para melhorar o produto e captar mais usuários. “Podemos fazer uso dos próprios ativos da CCR para melhorar nosso aplicativo, como os dados dos usuários que passam por suas rodovias. Podemos aprender e andar mais rápido”, diz Somma.

Leonardo Viana, presidente da CCR, afirma que a concessionária vinha sendo desafiada há anos sobre como interagir com quem paga um pedágio ou usa uma catraca de metrô. “São mais de um bilhão de interações desse tipo por ano, mas não conhecemos a necessidade dessas pessoas. Como ajudá-los mais no seu dia a dia?”, questiona Viana. 

É o primeiro investimento da CCR em uma startup, mesmo que a empresa já tenha criado inovações internamente — como o Sem Parar, vendido em 2016. Quando se fala nos desafios e na concorrência dentro do mercado de mobilidade urbana, a CCR e a Quicko acreditam que a união é o melhor e mais rápido caminho.