Startup que faz usuários gastarem menos pesquisará IA no Vale do Silício

Olivia, aplicativo que usa inteligência artificial para dar recomendações de finanças pessoais, abriu centro em Palo Alto (Estados Unidos)

O americano Vale do Silício continua sendo a região com a maior concentração de negócios escaláveis e inovadores per capita — e atraindo startups em busca de tecnologia de ponta, inclusive as fundadas por brasileiras. 

É o caso da Olivia, assistente dotada de inteligência artificial que dá nome a um aplicativo de recomendações em finanças pessoais. O app abre hoje (17) um centro em Palo Alto, uma das cidades que integram o Vale do Silício, para estudar a evolução da inteligência artificial: o machine learning, ou aprendizado de máquina. Quem lidera os estudos de inteligência artificial da fintech é Steven Choi, que trabalhou na divisão de carros autônomos da gigante de mobilidade urbana Uber e na divisão de projetos secretos Google X. 

Choi afirma que a abertura do centro em Palo Alto se deve a três razões. A primeira é a concentração de talentos, que trabalham em gigantes de tecnologia como Apple, Bytedance, Facebook, Google e Uber. A segunda é o compartilhamento de conhecimentos e experiências, devido também à reunião dos melhores funcionários. Por fim, há uma mais maiores concentrações de fundos de capital de risco do mundo.

Projeto da centro de inteligência artificial da Olivia, em Palo Alto (Vale do Silício, Estados Unidos) Projeto da centro de inteligência artificial da Olivia, em Palo Alto (Vale do Silício, Estados Unidos)

Projeto da centro de inteligência artificial da Olivia, em Palo Alto (Vale do Silício, Estados Unidos) (Olivia/Divulgação)

“Nosso objetivo é atrair talentos dessas empresas ao nosso escritório e, ao mesmo tempo, firmar parcerias de pesquisa e desenvolvimento junto a universidades como Stanford [também em Palo Alto]”, afirma Choi.

A Olivia estudará aprendizado de máquina focado em classificação e predição de informações. A ideia é investir no aprimoramento das recomendações aos usuários, sinalizando melhores decisões de compras de produtos e serviços. Outro objetivo é melhorar o timing do envio das dicas ao usuário.

A inteligência artificial aplicada permitirá que a Olivia consiga puxar uma conversa sobre como economizar na ida ao supermercado algumas horas do usuário fazer compras, por exemplo. As primeiras funcionalidades serão lançadas no primeiro trimestre de 2020.

Projeto da centro de inteligência artificial da Olivia, em Palo Alto (Vale do Silício, Estados Unidos) Projeto da centro de inteligência artificial da Olivia, em Palo Alto (Vale do Silício, Estados Unidos)

Projeto da centro de inteligência artificial da Olivia, em Palo Alto (Vale do Silício, Estados Unidos) (Olivia/Divulgação)

Ainda que criada pelos brasileiros Cristiano Oliveira e Lucas Moraes, a Olivia não é uma estrangeira nos Estados Unidos. A fintech começou lá, há três anos, e só chegou a terras brasileiras em março de 2019. “Queríamos usar a inteligência artificial para ajudar na tomada de decisões financeiras, e encontramos bons profissionais no Vale para desenvolver essa tecnologia”, afirmou anteriormente a EXAME Moraes.

Os empreendedores se conheceram durante um curso na Singularity University, instituição de ensino empreendedor localizada em uma base da Nasa, a agência espacial americana, no Vale do Silício (Estados Unidos).

Moraes e Oliveira perceberam uma demanda por controlar melhor o orçamento. Cerca de 78% da população americana adulta não consegue poupar, vivendo “de pagamento em pagamento”, segundo o site CareerBuilder. Similarmente, 64% dos americanos que afirmam estar estressados apontam o dinheiro como principal causa, reporta a American Psychological Association.

A Olivia está em fase de testes por aqui, com usuários que autorizam o uso dos seus dados de contas dos bancos Itaú, Banco do Brasil e Nubank. Há 20 mil usuários em sua lista de espera. O aplicativo deve ser lançado nacionalmente também no primeiro trimestre de 2020, junto a conexões com mais grandes bancos brasileiros.

Como funciona a Olivia?

A Olivia consegue fazer com que as pessoas economizem porque o sistema de inteligência artificial analisa o histórico de gastos dos usuários e consegue prever quais serão as próximas despesas. Assim, sugere no momento certo o que a pessoa precisa fazer para economizar. Se você coloca gasolina em seu carro toda semana, por exemplo, o sistema vai identificar quando é mais provável que você reabasteça. No dia, a Olivia vai buscar alguma rede de postos parceira em sua região e avisar que ela está mais barata.

O usuário americano médio da Olivia poupa apenas 0,8% da renda familiar por mês quando começa a usar o aplicativo, segundo a própria startup. Ao interagir com regularidade com a Olivia durante 60 dias, esse percentual salta para 5,7%.

“Estamos criando um futuro no qual os produtos financeiros serão inteligentes, incluindo empréstimos que se pagam sozinhos, contas que te ajudam a gastar melhor e investimentos que crescem por si só. Nesse futuro, as pessoas nunca mais precisarão pensar em dinheiro”, afirmou Moraes anteriormente.

Modelo de negócio

O aplicativo é gratuito para usuários finais. A Olivia se monetiza por meio da parceria com empresas (modelo conhecido como B2B). A fintech disponibiliza sua plataforma, por exemplo, dentro do aplicativo de cartões de crédito do Banco Votorantim (BV). No app, a Olivia é uma assistente financeira que gerencia os gastos realizados com o cartão de crédito do banco e dá dicas sobre como o usuário poderia gastar melhor. O BV aportou na fintech por meio de um investimento semente do fundo BR Startups.

No caso da corretora XP, a Olivia desenvolveu o Max, “primo da Olivia” que incorpora sua inteligência artificial. O Max fica no portal da XP e auxilia os usuários a melhor gerirem seu dinheiro, sugerindo produtos de acordo com o perfil do usuário. A XP, inclusive, comprou uma parte minoritária da Olivia como parte do acordo para ser a parceira oficial de investimentos dentro da plataforma.

Outra fonte de monetização para a Olivia é a parceria com estabelecimentos comerciais, gerada pela capacidade da Olivia de prever as próximas compras dos usuários. Ao saber que um determinado número de usuários deverá pedir comida de um aplicativo de entregas em breve, por exemplo, a Olivia poderia fechar uma parceria com o app e conseguir um desconto de 15%. Se um usuário decidir efetuar a compra via Olivia, a fintech ganha uma “comissão” desse desconto paga pelo parceiro.