Startup dá crédito a microempresas e ganha aporte de R$ 15 mi

A BizCapital surgiu em 2016 e, de lá para cá, já recebeu 500 milhões de reais em pedidos de crédito para micro e pequenas empresas.

São Paulo – Conseguir crédito sendo um negócio de pequeníssimas proporções não é uma tarefa fácil: quem é empreendedor sabe o quão difícil é não apenas obter o dinheiro em instituições financeiras, mas também negociar taxas que cabem no orçamento da empresa.

Procurando resolver essa dor, muitas startups já estão de olho no mercado de empréstimos para micro e pequenos empreendimentos. Uma delas é a BizCapital: o negócio, criado em 2016, dá crédito a empreendedores em cerca de cinco dias.

Recentemente, a startup anunciou uma nova rodada de investimento, no valor de 15 milhões de reais. Ao todo, o negócio já recebeu 500 milhões de reais em requisições de crédito.

Começo de negócio e dor de mercado

Os sócios Cristiano Rocha, Daniel Orlean e Francisco Ferreira já empreendiam antes de criar a BizCapital. Eles eram donos de uma empresa de educação à distância (EAD) que atendia diversos bancos.

Visitando as instituições, viram a dificuldade que elas tinham em construir canais digitais de atendimento: a maioria ainda funcionava mais por agências. Com isso, eles já sabiam qual mercado queriam estudar para o próximo empreendimento: o de fintechs.

A venda do negócio de EAD, no ano de 2015, foi o impulso que faltava. “Começamos a pesquisar bastante sobre o tema e olhamos para fora do Brasil. No universo de empréstimo online, especialmente para pequenas empresas, vimos casos de sucesso como a Kabbage, que faz o processo de maneira muito automatizada e leva segundos para aprovar o crédito, e Credibly, que usa bancos de dados alternativos para avaliar as empresas”, conta Ferreira.

A BizCapital nasceu, então, com uma proposta similar: reduzir ao máximo o prazo que o micro e pequeno empresário brasileiro leva para conseguir empréstimos empresariais.

Enquanto uma grande instituição financeira demora cerca de 30 dias para aprovar o crédito, o sócio afirma que a BizCapital consegue fazê-lo em até cinco dias – ou menos, se o tomador de crédito estiver com a documentação correta em mãos.

“Nosso principal objetivo é reduzir esse prazo ao máximo, porque o pequeno empresário é o que geralmente pode menos esperar, seja por oportunidades de negócio repentinas e por fluxo de caixa.”

A startup afirma que atende empresas que faturam até 5 milhões de reais no ano – são cerca de 5,5 milhões de negócios nessa faixa pelo país.

“Eles são responsáveis por 50% dos empregos no Brasil e representam 27% do PIB [Produto Interno Bruto]. É um mercado muito relevante não apenas em número e peso dos empreendimentos, mas em impacto social. Ao mesmo tempo, seu risco não atrai o interesse dos grandes bancos.”

A BizCapital começou a ser estruturada em julho de 2016, enquanto o primeiro empréstimo pela plataforma ocorreu seis meses depois, em janeiro de 2017.

Daniel Orlean, Francisco Ferreira e Cristiano Rocha Daniel Orlean, Francisco Ferreira e Cristiano Rocha

Daniel Orlean, Francisco Ferreira e Cristiano Rocha (BizCapital/Divulgação)

Como funciona?

Para pedir um empréstimo pela BizCapital, o empreendedor acessa o site e preenche um formulário com as informações mais básicas.

O grande diferencial da BizCapital, porém, está naquilo em que o usuário não divulga: a startup é capaz de analisar e ranquear pedidos de crédito em poucos segundos por se integrar a bancos de dados alternativos. São mais de mil fontes de variáveis possíveis e disponíveis online, como perfis em redes sociais.

Se o empreendedor e sua empresa estão dentro da política de crédito da BizCapital, recebem uma oferta de empréstimo e podem mandar os documentos necessários por aplicativos de mensagem, por e-mails ou direto pelo site. Mais de 80% dos envios são feitos pelos apps. Após aprovada a documentação, o contrato digital é assinado e o dinheiro é liberado.

Todo esse processo ocorre de forma online ou por telefone, sem custos cartoriais e papéis. Desde sua criação, a BizCapital já recebeu mais 20 mil solicitações de crédito, a um ticket médio de 20 a 30 mil reais, superando 500 milhões de reais em pedidos. É possível pedir até 100 mil reais de empréstimo.

A taxa de juros cobrada depende do risco de cada cliente, mas vai de 1,99% a 5% ao mês. “Costuma ser uma taxa mais baixa do que a praticada pelo mercado, especialmente porque muitos dos empreendedores que atendemos só possuem acesso ao cheque especial”, diz Ferreira. Além dos juros, a BizCapital cobra uma taxa de entre 2,5% e 5% do valor total pedido, a depender do prazo de pagamento.

Além dessas cobranças, a BizCapital também ganha dinheiro revendendo tais créditos como títulos para investidores – em termos formais, a startup possui securitizadora de créditos financeiros, que compra os recebíveis do serviço financeiro da BizCapital.

“Empacotamos os créditos da plataforma e de outras instituições e cobramos uma taxa de administração de quem quer investir nesses créditos. Já emitimos mais de 14 milhões de reais dessas debêntures [títulos de dívidas de empresas] e faremos uma nova emissão neste mês”, afirma o sócio.

Tela de reprodução do site da BizCapital Tela de reprodução do site da BizCapital

Tela de reprodução do site da BizCapital (BizCapital/Divulgação)

Aportes e planos para o futuro

Em setembro de 2016, a BizCapital recebeu sua primeira rodada de investimentos, do conhecido fundo de venture capital Monashees. Agora, anunciou um novo aporte no valor de 15 milhões de reais. Desta vez, o investimento foi liderado pelos fundos Chromo Invest e 42K Investimentos.

“O principal objetivo com a rodada ainda é o investimento em nossa plataforma: queremos automatizar vários processos e incorporar mais fontes de dados, com mais variáveis, que façam nossa análise ser mais precisa”, diz Ferreira.

“Também iremos investir na área de crédito, aumentando nossa capacidade de empréstimo, e realizar aportes em divulgação, marketing e parcerias para indicar novos clientes.”

A startup não divulga números absolutos de faturamento, mas diz conseguir atingir o ponto de equilíbrio entre receitas e despesas em 2019. Não que isso signifique que a saúde financeira seja a principal meta da BizCapital.

“Queremos escalar o negócio para atingir a liderança no nosso mercado daqui alguns anos. Dependendo do nosso ritmo de crescimento, talvez tenhamos de investir mais e o ponto de equilíbrio se afaste”, conclui o sócio.