Startup espera faturar R$ 3,5 milhões aproximando público de museus

Negócio usa dados para atacar a dificuldade que museus tinham de conhecer seu público; dentre os clientes da Inti estão Masp, Osesp e Inhotim

São Paulo – A startup Inti está aos poucos mudando a forma como museus e outros equipamentos culturais se relacionam com seu público. Para isso, a estratégia é deixá-los mais parecidos com os e-commerces.

Isso porque conhecer o cliente e entender suas compras são algumas das possibilidades mais valiosas das vendas pela internet. Com os dados gerados pelas compras online é possível saber quem compra o quê e por que alguém desiste de um produto, por exemplo. Mas no mundo dos ingressos esses dados ainda são pouco aproveitados.

Atualmente, a venda de ingressos pela internet é feita em geral por empresas de bilhetagem, como Ingresso.com e Ingresso Rápido. A praticidade do serviço, porém, traz uma desvantagem: muitas vezes os dados de público e o relacionamento com o cliente no pós-venda não ficam com os museus, teatros e casas de show.

“Era uma dor do mercado. Imagine um teatro de 20 anos que não faz ideia de quem é o seu público e não sabe como se relacionar com ele. Nunca planejamos vender ingressos, a demanda veio do mercado”, afirma a empreendedora Nicolle Stad, fundadora da Inti. A startup faturou 1 milhão de reais em 2017 e deve chegar a 3,5 milhões em 2018.

A Inti nasceu em 2015 para gerir doações feitas ao Masp (Museu de Arte de São Paulo) e logo passou a atender diversos museus com o mesmo serviço. “Começamos relançando o programa de doações Amigo Masp, que cresceu 400% em seis meses. Com isso pegamos Osesp e Teatro Cultura Artística, em São Paulo, Museu do Amanhã e MAR, no Rio, e Inhotim em Minas Gerais. Viramos referência”, afirma Stad.

Do contato com esses clientes surgiu a demanda por gerir os serviços aos assinantes, em que o comprador assina para ter acesso a vários ingressos no mês. Depois veio a demanda por fazer também a venda de ingressos.

“O diferencial do nosso serviço é que tudo acontece dentro do ambiente do museu. Quando alguém clica em comprar ou doar, abre-se uma página com a identidade visual da casa e os dados do comprador são enviados para o cliente, o que ajuda a manter a relação com esse público. Quando o serviço é feito por uma empresa de ingressos comum, a compra é feita fora do site do cliente, e ele perde o controle de informações importantes como quem está comprando, ou quantas pessoas desistem, por exemplo”, explica Stad.

No caso das assinaturas, a empresa ajuda a reduzir os casos de compradores que não aparecem nas apresentações. “Fazemos a gestão da assinatura da Osesp. Antes, o comprador recebia vários bilhetes e pronto. Com nosso sistema, temos um aplicativo em que acompanhamos se ele vai ou não na apresentação comprada. Se ele não for, oferecemos alternativas como doar o ingresso, ou agendar para outra data. Com isso reduzimos as faltas e as pessoas passaram a renovar a assinatura com mais frequência”, explica a empreendedora.

Nicolle Stad atuava no varejo como executiva da L’Occitane, até que decidiu que era hora de empreender. Deixou o emprego e iniciou um aplicativo de agenda cultural. “Foi com o aplicativo que comecei a ter contato com esses clientes. E então vi que seria mais útil se eu oferecesse um serviço que os ajudasse a arrecadar dinheiro”, conta.

O negócio começou com um investimento de 20 mil reais feito pelos sócios (Stad iniciou a empresa com um sócio, que hoje não está mais na Inti). Em 2017 a empresa passou pela aceleração da ACE e recebeu um aporte de 150 mil reais.

Agora, além de museus e entidades como a Osesp e a Sala São Paulo, a Inti atende também ONG’s como o Graac, escolas com cursos online e mais recentemente assinou contrato para fazer a venda de ingressos da 8ª temporada do ESL Pro League, campeonato de e-sports que vai acontecer no Rio de Janeiro este mês.

 

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