Startup de recrutamento Kenoby recebe R$ 3,3 mi do Brasil Venture Debt I

A empresa, fundada em 2015, recebeu um aporte de 20 milhões de reais de investimento do fundo brasileiro Astella em janeiro de 2020

Menos de um mês após ter recebido 20 milhões de reais em uma rodada de investimento liderada pelo fundo brasileiro Astella, a startup Kenoby recebeu 3,3 milhões de reais do Brasil Venture Debt I. Em vez de comprar participação nas empresas, o fundo trabalha com empréstimos empresariais. 

O Brasil Venture Debt I tem um fundo de 140 milhões de reais e planeja emprestar o valor para cerca de 35 startups até o final de 2021. O fundo foca em empresas com faturamento entre 3,5 e 90 milhões de reais, que tenham uma unidade econômica sustentável e estejam crescendo rapidamente. Os cheques emprestados podem variar de 1 a 14 milhões de reais.

O modelo de Venture Debt funciona como um empréstimo tradicional concedido por bancos a empresas, com pagamento de juros e prazos de pagamento. A diferença é que o fundo utiliza os critérios de seleção do Venture Capital para selecionar as empresas que poderão receber o investimento.

No caso da Kenoby, a presidente do Brasil Venture Debt, Gabriela Gonçalves, explica que o diferencial para a concessão do dinheiro foi a equipe da empresa e a capacidade de administração do presidente da startup, Marcel Lotufo. “Além disso, a Kenoby está vendendo o produto em uma velocidade absurda, tem uma taxa de perda de clientes baixíssima”, explica a gestora. 

Para a startup, a modalidade de crédito foi a forma encontrada de levantar o capital que precisava para operar sem diluir muito a participação dos sócios atuais. “Os bancos tradicionais tem uma série de restrições, olham para o balanço das startups e não entendem a queima de caixa todo mês, o que reduz nossas opções de crédito”, explica o diretor financeiro da empresa, André Gouvinhas.

Com a Brasil Venture Debt, eles terão um prazo de 36 meses para pagar o valor, com uma taxa mensal entre 1,7% e 2% ao mês. 

A startup planeja usar os milhões recebidos para aprimorar seus produtos, utilizando inteligência artificial para melhorar o software de recrutamento existente. Além disso, a empresa deve ampliar seu número de funcionários de 100 para 300 nos próximos dois anos.

Atualmente, a companhia tem mais de 450 clientes na América Latina, como as empresas de tecnologia Hotmart e Loggi, e grandes companhias, como McDonald’s, Leroy Merlin, Kroton, Renault-Nissan e Alelo. Com o novo investimento, a expectativa da companhia é dobrar seu faturamento em 2020, assim como aconteceu em 2019.

História da startup

Aos 34 anos, após ter trabalhado em diversas áreas, Marcel Lotufo, ex-headhunter, decidiu empreender. Em 2015, ele decidiu criar no Brasil uma solução digital que ajudasse empresas a recrutar candidatos com mais eficiência e produtividade. Um ano depois, começou a oferecer seu software no mercado.

A primeira cliente da Kenoby foi a empresa de benefícios alimentares Alelo. Desde então, o portfólio de clientes se expandiu para mais de 450 companhias. “No começo não foi fácil, as empresas não sabiam que precisavam de uma solução assim”, contou o fundador em entrevista anterior a EXAME.

A startup oferece seu software por meio de contratos anuais, precificados de acordo com o tamanho da companhia cliente. O departamento de recursos humanos é quem opera a ferramenta, que possui mecanismos para gerir desde a seleção de candidatos até o envio da carta de aprovação.

A metodologia desenvolvida pela Kenoby consegue reduzir o tempo de contratação e o custo operacional do recrutamento em até 50%. Desde que a empresa foi fundada, mais de 150 mil candidatos já foram recrutados pelas empresas com ajuda do software. Mensalmente, a plataforma realiza mais de 2 milhões de candidaturas, segundo a empresa.