Startup de processos seletivos com robô e jogos atende de Avon a Red Bull

A Matchbox captou um novo aporte para expandir seu marketing de recrutamento a empresas em busca de talentos

Mesmo com 13 milhões de desempregados no país, as empresas continuam disputando os profissionais mais talentosos em áreas com escassez de mão-de-obra qualificada — e a startup de recursos humanos Matchbox cresceu com base nessa demanda.

O negócio, criado há dois anos, atende empresas como Ambev, Avon, Boticário e Red Bull com processos seletivos mais eficientes e com a construção do marketing de relacionamento com candidatos e potenciais candidatos.

Especialmente em áreas com profissionais escassos, como a de tecnologia, os talentos já estão empregados e é preciso chamar a atenção deles. A companhia já deve ter uma relação com eles quando eles perderem o emprego ou procurarem oportunidades”, afirma o fundador da Matchbox, Kleber Piedade.

A Matchbox anunciou um novo aporte de um milhão de reais para expandir suas soluções e ampliar o número de companhias e funcionários atendidos. Em 2019, espera crescer seu faturamento em mais de 60%, para 4,5 milhões de reais.

Contratações ruins — e uma ideia de negócio

Piedade trabalhou em multinacionais e percebeu como as contratações e o relacionamento entre companhias e candidatos podem ser ineficientes.

Kleber Piedade, fundador e CEO da Matchbox Kleber Piedade, fundador e CEO da Matchbox

Kleber Piedade, fundador e CEO da Matchbox (Matchbox/Divulgação)

As empresas recebem diversos perfis inadequados para as vagas abertas e o processo de contratação leva 40 dias em média no Brasil, de acordo com um estudo do portal de recrutamento Glassdoor, com muito trabalho operacional. O custo de uma contratação errada pode ir de seis a nove salários do funcionário mal escolhido, de acordo com a Society for Human Resource Management.

Segundo o estudo Liga Insights HR Techs, o Brasil possui 122 startups que atuam na área de recursos humanos. — de avaliação de performance até de recrutamento de temporários e freelancers. Na pesquisa Harvey Nash HR Survey, de 2017, seis a cada dez empresas consideram que automatizar processos de recursos humanos é uma prioridade no planejamento.

Para mudar o relacionamento entre empresas e talentos, Piedade lançou em junho de 2017 a Matchbox. Pelo site, multinacionais como Ambev, Avon, Bayer, Boticário, Energise, Localiza, Locaweb, Kraft Heinz e Red Bull podem fazer marketing de recrutamento ou criar processos seletivos.

No marketing de recrutamento, a Matchbox estuda o perfil de funcionário que a empresa precisa recrutar e como melhor atraí-lo. Assim como em um funil de vendas digitais, a startup cria conteúdos adequados a cada talento (como posts em redes sociais e em blogs corporativos) e obtém seus contatos. O objetivo é construir uma base de potenciais funcionários engajados com a marca empregadora.

Esses usuários poderão, depois, tornarem-se os melhores candidatos do processo seletivo pela Matchbox. O potencial funcionário entra no site e conversa com um chatbot dotado de inteligência artificial. O robô, chamado Vicky, ajuda a fazer a inscrição no processo seletivo em quatro minutos. Tradicionalmente, tal processo pede grande quantidade de informações e cada candidato leva de 30 a 40 minutos para preencher os formulários, de acordo com estimativas da Matchbox.

No lugar de testes que pedem a autopercepção dos candidatos, a startup criou um jogo em que o usuário deve tomar decisões em tempo real, sozinho ou em grupo. Com base em seu desempenho, a MatchBox avalia se cada um dos participantes possui as competências buscadas pela empresa contratante e manda relatórios comportamentais para ambas as partes usando o Watson, plataforma de computação cognitiva criada pela gigante IBM. O algoritmo interpreta a forma como o candidato se comporta no game, parametrizando por empresa – há quem queira um empregado mais agressivo ou um mais diplomático, por exemplo.

A MatchBox recebeu 100 mil candidatos em 2018 e anunciou mil vagas de trainee, a um valor inicial de dois mil reais por vaga. O preço muda com número de colocações e complexidade da avaliação.

As principais bandeiras da startup são eficiência no tempo e na qualidade da contratação. Um processo de trainee, que costuma levar até cinco meses, dura dois meses na plataforma. A Matchbox afirma que a evasão de candidatos durante o processo seletivo vai de 20 a 25%, contra 40 a 50% nas seleções tradicionais.

O futuro no marketing de recrutamento

O primeiro aporte na Matchbox foi no mesmo ano da criação da plataforma, 2017, com um investimento anjo de 640 mil reais. Agora, a startup obteve um aporte de um milhão de reais da criadora e investidora de startups Superjobs.

Os recursos irão para melhorar o marketing de recrutamento da Matchbox. A startup construirá uma plataforma própria que centralize os conteúdos produzidos e os dados dos potenciais candidatos atingidos — até agora, a Matchbox usa softwares de outras empresas, sem foco em aquisição de talentos.

Com o novo produto, chamado Spark, será possível programar contatos frequentes no modelo de conteúdo mais acessado pelo usuário. A plataforma de automação de relacionamento da marca empregadora com talentos terá uma cobrança de mensalidade a partir de dois mil reais por mês, em um modelo de software como um serviço (SaaS).

Os testes devem começar no próximo mês. Em 2018, a Matchbox fez marketing de recrutamento com oito empresas. Neste ano, projeta chegar a 15 clientes nessa solução. Para suportar a criação da Spark, a equipe de 26 pessoas da Matchbox deve chegar a 45 até o final deste ano.

A Matchbox faturou 2,7 milhões de reais em 2018, um crescimento de 50% sobre 2017. Para 2019, planeja aumentar o faturamento em cerca de 70%, para 4,5 milhões de reais. Enquanto atrair os melhores candidatos continuar um desafio para as empresas, a Matchbox manterá seus planos de expansão.