Startup da Índia inova com licença-paternidade de 6 meses

Ao dar aos pais o mesmo benefício para cuidar de um bebê, a expectativa é que as mulheres não sejam penalizadas

A famosa startup de tecnologia indiana Zomato deu um passo importante na semana passada para tentar reduzir a diferença salarial entre homens e mulheres no país, uma das maiores do mundo.

A empresa de entrega de alimentos vai oferecer licença-paternidade remunerada de seis meses, o mesmo período permitido legalmente para mulheres que têm filhos. O presidente da empresa, Deepinder Goyal, disse que uma política de licença parental desigual é uma das razões pelas quais a Índia tem poucas mulheres em cargos de liderança e a “visão míope da atenção primária” aliena metade da força de trabalho.

No ano passado, a Índia tornou obrigatória a licença-maternidade de 26 semanas remunerada, uma das políticas mais progressistas do mundo. Mas a medida também despertou a preocupação de que os maiores custos desencorajariam empresas a contratar mulheres.

Uma pesquisa estimou o corte de até 1,8 milhão empregos. Ao dar aos pais o mesmo benefício para cuidar de um bebê, a expectativa é que as mulheres não sejam penalizadas injustamente com salários mais baixos.

A Índia mostrou a maior diferença de salário médio por hora entre homens e mulheres entre 73 países da Organização Internacional do Trabalho, segundo o Relatório Global de Salários 2018/19. A disparidade salarial, de 34,5%, é mais que o dobro da média global, segundo o relatório.

A mudança de perfil da Zomato pode chamar mais atenção para o problema e levar outras empresas a seguir o exemplo, com melhores benefícios para os pais.

“Mais cedo ou mais tarde, outras empresas provavelmente imitarão esse movimento”, disse Vidisha Mishra, da Observer Research Foundation, um think tank em Nova Déli. “Mas, sejamos claros, ter o direito de tirar licença-paternidade remunerada não exige que os homens as tirem”.

Ainda é cedo para avaliar se isso teria um impacto sobre a diferença salarial entre homens e mulheres, “mas é um começo para a mudança da cultura organizacional dominante”, disse a especialista.