Rappi chega a shopping centers, seguindo plano de virar “super aplicativo”

Startup colombiana de delivery colocará estação com compradores próprios em seis centros de compras, começando pelo Parque D. Pedro Shopping (Campinas)

Após entregar dinheiro vivo e incluir serviços como manicures e consertos residenciais em seu aplicativo, a startup colombiana de delivery Rappi dá mais um passo para se tornar “o app home screen dos smartphones da América Latina”, como prometeu seu cofundador Simón Borrero.

No Brasil, mercado que cresce acima da média para a Rappi e concentra um quinto de seus mais de 3,6 milhões de usuários, a startup fechou uma parceria com o grupo de shopping centers Sonae Sierra Brasil para ter uma equipe dedicada de compradores em seis de seus centros de compras.

Marcas internacionais que possuem estabelecimentos nos shoppings do grupo, como a rede de fast food McDonald’s e as cafeterias Starbucks, aderiram ao projeto piloto. Tais entregas, promete a Rappi, não farão os brasileiros desistirem dos passeios para compras.

Estratégia: em busca do “super aplicativo”

As mais de 100 mil lojas nos 571 centros de compras nacionais registraram 167,7 bilhões de reais em vendas em 2017, crescimento de 6,2% sobre o ano anterior, de acordo com a Associação Brasileira dos Shopping Centers (Abrasce). “Existe um potencial grande a ser trabalhado e essa parceria melhora nossa proposta de valor de ser um ‘super aplicativo’. Os shoppings concentram diversos estabelecimentos, de lojas de presentes a restaurantes, para os quais nosso cliente vê sentido em ter uma entrega com conveniência e rapidez”, afirma Camila Velzi, diretora de desenvolvimento de negócios da Rappi no Brasil.

Se a estratégia parece com os megalomaníacos aplicativos chineses, como o mensageiro (e banco) WeChat, não é uma coincidência. Diferentemente de mercados como os Estados Unidos, onde há apps para todos os nichos, os donos de smartphones na América Latina e na China possuem pouca memória para armazenar diversas aplicações – e elas logo são desinstaladas para ceder espaço a fotos e vídeos. A ideia da Rappi não é entregar comida ou um remédio, mas tempo para usuários e renda extra para entregadores, chamados rappitenderos.

Para a diretora, a entrada da Rappi nos centros de compras não tem como objetivo fazer os brasileiros pararem de adquirir produtos fisicamente. O shopping center é um local de compras que tem o benefício da experiência com os produtos e oferece passeios complementares, como idas a cafeterias e cinemas. “Estamos fazendo o omnichannel [diversos canais de venda integrados] dessas lojas, oferecendo um momento de compra diferente”.

De acordo com Laureane Cavalcanti, diretora executiva de marketing e comunicação do grupo Sonae Sierra Brasil, a demanda por delivery pelos frequentadores dos shoppings centers sempre existiu. “Percebemos um aumento dessa procura nos últimos meses, até por conta da popularização da Rappi.”

Vale lembrar que a Rappi também atua nas compras nesses estabelecimentos físicos por meio de QR Codes, que permitem pagamentos por meio do aplicativo e oferecem benefícios como a devolução de parte do dinheiro (cashback).

Projeto piloto nos shoppings

O primeiro shopping center a receber o aplicativo da Rappi é o Parque D. Pedro, em Campinas (São Paulo). As entregas começaram nesta semana. Em um dia do final de semana, cerca de 100 mil visitantes passam pelo local, de acordo com o grupo Sonae Sierra Brasil.

No Parque D. Pedro, a Rappi terá uma equipe própria de compradores, ou rappitenderos. Esses profissionais receberão os pedidos, realizarão as compras nas lojas indicadas e entregarão a encomenda aos motoboys. O próprio motoboy fazia todo esse processo, o que aumentava o tempo de espera do consumidor.

Das 395 lojas presentes no centro de compras, 80 participarão da primeira fase de implementação da Rappi. Alguns estabelecimentos do Parque D. Pedro integrantes são a rede de fast food McDonald’s, as cafeterias Starbucks, a sorveteria Bacio di Latte e o restaurante L’Entrecote de Paris.

As primeiras verticais trabalhadas com os shoppings serão gastronomia, conveniência e presentes, que possuem mais demanda por entregas velozes. Mesmo assim, o grupo Sonae Sierra Brasil não descarta colocar futuramente estabelecimentos como lojas de roupas, por exemplo.

A Rappi precisa firmar uma parceria tanto com os shopping centers, para colocar sua equipe de compradores, quanto com os estabelecimentos, para incluí-los no aplicativo. “A primeira expectativa é proporcionar aos lojistas um crescimento em vendas e em receita, atendendo o cliente onde quer que ele esteja. Mas, olhando para o futuro, faz parte da nossa estratégia de digitalização”, diz Cavalcanti, do Sonae Sierra Brasil.

A solução será expandida para outros centros de compras do grupo, como Metrópole (ABC, São Paulo), Plaza Sul (São Paulo), Passeio das Águas (Goiânia), Londrina Shopping (Paraná) e Manauara Shopping (Manaus). A Rappi não atua em cidades como Manaus e a associação com shopping centers pode ser uma estratégia de entrada, garantindo um volume significativo de estabelecimentos disponíveis na região logo de cara.

O tamanho da Rappi

A Rappi está em sete países da América Latina, com média de crescimento mensal de 20% no ano passado. No Brasil, o aplicativo de delivery está em 13 cidades e registra taxa de crescimento mensal de 30%. No acumulado de 2018, a startup afirma ter aumentado em sete vezes o número de produtos entregues.

Até novembro do ano passado, a Rappi tinha 3,6 milhões de usuários, um quinto deles no Brasil. Com “milhares de estabelecimentos”, mediava 11 mil pedidos por hora. A startup não divulga dados atualizados, mas afirma ter superado tais números. Nos próximos três anos, o empreendimento de delivery projeta chegar a 80 milhões de usuários. Parte deles, a Rappi espera, frequentadores de shopping centers.