Quanto custa ter uma franquia no shopping

Segundo especialistas, os custos com um ponto em shopping não devem ultrapassar 15% do faturamento

São Paulo – Com o aumento do poder de compra da população, cresce o número de shoppings centers no Brasil. Hoje, segundo dados da Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), há mais de 400 deles em atividade. A previsão é de que somente em 2012 sejam inaugurados 43 centros de compras no país.

Para quem se interessa em ter uma loja em shopping, as franquias costumam aparecer como uma opção mais viável. Geralmente, o poder de negociação das redes com a administração do centro de compras é maior.

A partir de dados da Abrasce, o especialista em franquias Marcus Rizzo, da Rizzo Franchise, fez um levantamento que reforça esta tese: as unidades de franquias ocupam 37% da área bruta locada (ABL) dos shoppings no Brasil, mas representam 62% do faturamento.

De acordo com dados recente da Abrasce, nos mais de 400 shoppings em funcionamento atualmente, 2,8 mil são lojas âncoras e 70,9 mil são satélites, onde entram as franquias. Os números mostram o peso que estas redes vêm ganhando tanto entre os empreendedores quanto entre os consumidores.

Na opinião de Marcos Hirai, a relação ainda é distante. Os shoppings poderiam levar em conta a instalação de lojas sob medida para franquias na hora de planejar o mix de marcas. Portanto, para os especialistas, a relação entre shoppings e franquias ainda pode melhorar. Investir em uma unidade no shopping exige mais recursos e uma análise criteriosa para que a previsão de faturamento seja mais assertiva. Existem vários fatores para ponderar antes de investir.

Faça as contas

No shopping, os gastos do franqueado começam com as chamadas luvas, que correspondem à compra do ponto comercial. Depois, paga-se ainda despesas condominiais, aluguel e fundo de promoção mensalmente. Segundo os especialistas, o valor exato de uma loja varia muito com o tipo de shopping e de atividade da franquia. Em geral, o metro quadrado em um shopping médio custa 3 mil reais. Na praça de alimentação, este valor pode chegar a 20 mil reais.

Marcos Hirai conta que os custos podem e devem ser negociados antes da assinatura do contrato. O aluguel é um deles. Existe um valor fixo e um percentual sobre o faturamento que todo lojista é obrigado a pagar. Cada segmento tem o seu percentual definido, que varia conforme o volume de vendas. Por isso, em dezembro, por exemplo, há segmentos que pagam o aluguel dobrado por terem um faturamento maior com o Natal.


Em shopping novo ou consolidado, o franqueado deve fazer uma conta simples. “É recomendável que os custos de ocupação (aluguel, condomínio e fundo de promoção) não ultrapassem 15% do faturamento mensal. Mais do que isso, o negócio não compensa”, diz Marcos Hirai.

Para o especialista Marcus Rizzo, na negociação o franqueado pode tentar a isenção das luva sou do aluguel por alguns meses ou que o shopping faça parte da obra de instalação. Mesmo que o franqueado não adquira o ponto no início das atividades, ele pode tentar essa negociação quando houver uma reestruturação na organização das lojas, o que geralmente acontece ainda no tempo de maturação.

Os custos podem aumentar com a distância entre o centro de distribuição da franquia e o centro de compras. Se o franqueado abrir seu negócio em um dos shoppings do interior do país, precisa incluir na lista os custos com frete. Se for produto perecível, a distância encarece ainda mais a mercadoria já que exige transporte apropriado, como os refrigerados para alimentos.

Avalie com cuidado

Para quem pensa em abrir uma loja nestes centros, é importante saber que o tempo de atividade do shopping pode influenciar os resultados financeiros da empresa. Isso porque os shoppings levam de três a quatro anos, em média, para se consolidarem.

Até lá, o risco do empresário é de não faturar, mas ter de arcar com as contas mensais. Para quem pretende abrir uma franquia, precisa observar quanto risco está disposto a correr. “Estatisticamente, de dez shoppings no país, nove não pegam logo que abrem”, comenta o sócio-diretor da BG&H real Estate, Marcos Hirai.

Por outro lado, complexos de compra mais maduros custam mais caro. O investimento é maior exatamente pelo fato de já ter se consolidado com o público e, assim, reduzido o risco.


Além da própria escolha do shopping, é interessante que se considere se a marca da franquia atende ao perfil do público daquele entorno, sua economia, cultura e hábitos, como explica a sócia-diretora da Franchise Store, Filomena Garcia. “O franqueado precisa saber se há população suficiente com as características para consumir o que ele vende”, diz Filomena. Sobre a região onde o shopping se localiza, deve-se observar se ela já é totalmente povoada e habitada. Se não for, avalie o potencial de crescimento.

Geralmente, a franqueadora deve realizar um estudo de mercado para responder essas perguntas. Grandes redes costumam acompanhar o processo de negociação com o franqueado, mas nem todas seguem esta prática. O ideal é que a franqueadora dê a palavra final, evitando que o franqueado acumule o prejuízo de um empreendimento mal negociado.

Desde que abriu sua primeira franquia do Rei do Mate, há 14 anos, André Barcellos divide com a franqueadora a análise e decisão da escolha de um novo ponto. Hoje, ele administra dez lojas da rede, todas no Rio de Janeiro, distribuídas em shoppings, ruas e no terminal rodoviário. “Tenho o acompanhamento do departamento de expansão da marca, que analisa, faz proposta, discute e usa a força do nome para negociar”, conta.

Horário de funcionamento pré-determinado tanto para o lojista como para o cliente, estacionamento, banheiro, segurança e ar-condicionado são vantagens apontadas pelo franqueado. “Mas o shopping é um mercado muito profissional e tem concorrência maior do que na rua”, comenta.

A análise do movimento do shopping não deve estar relacionada apenas ao tanto de gente que passeia, mas também à atividade da franquia. Ver uma praça de alimentação cheia não significa que o shopping seja bem movimentado. “Há shoppings com uma ótima praça de alimentação, mas que são ruins para as vendas”, comenta Hirai.