Por que sua empresa não pode deixar de ter capital de giro

Toda vez que a empresa precisa dar prazo para receber do cliente e necessita investir em estoque (insumos ou bens) exige um capital de giro

Capital de giro: por que sua empresa não pode deixar de ter
Escrito por Ana Paula Paulino da Costa, especialista em finanças

O que é?

Capital de giro é um termo usado para se referir àquela parte dos recursos financeiros que estão disponíveis para usos diversos no curto prazo. Esses recursos incluem contas a receber de clientes, estoques de bens a serem vendidos, estoques de insumos que serão transformados em produtos e vendidos no curto prazo, além do dinheiro aplicado em fundos e títulos que podem ser sacados de imediato.

Também inclui nesta conta todo o dinheiro de fornecedores e outros credores que concedem prazo para pagamento. O saldo líquido do que está em caixa e do que ainda vai se transformar em caixa (entradas e saídas) é o que a empresa possui para tocar seu negócio no período.

Por que ele é necessário?

Há descasamentos normais entre recebíveis e pagamentos no dia a dia da empresa. Por exemplo, a empresa recebe dos clientes a qualquer dia (à vista) e paga os fornecedores todo dia 10. A empresa compra a mercadoria, vende, recebe e ainda pode ter alguns dias para pagar o fornecedor. Esse dinheiro faz parte do seu capital de giro.

Em outra situação, os clientes compram com cartão ou vale e a empresa só recebe no dia 05 de cada mês, mas paga os fornecedores à vista, toda semana. Nesse caso, ela não dispõe de recursos do fornecedor para financiar seus clientes e precisa ter outra fonte de crédito.

Se a empresa não tem dinheiro guardado em banco para isso, precisará contratar um empréstimo para esse descasamento. O empréstimo, muitas vezes denominado de giro ou rotativo, tem o intuito de baratear esse recurso à empresa, que, na sua falta, deixaria a conta no negativo correndo juros altíssimos. Assim, toda vez que a empresa precisa dar prazo para receber do cliente e necessita investir em estoque (insumos ou bens) exige um capital de giro, ou seja, será necessário comprar e gastar para vender antes de receber.

Isso poderá ser financiado pelos fornecedores (que podem dar prazo suficiente para esse ciclo), por outros credores que tem vencimento fixo (impostos, folha), por reservas em caixas e aplicações e/ou por empréstimos bancários. A comparação entre os prazos médios de recebimento, de estocagem e de pagamentos, bem como os montantes de cada, darão a dimensão da necessidade.

O que fazer em tempos difíceis?

Em época de crise e de inflação, é preciso ter mais cuidado com esses descasamentos. O ideal é encurtar o prazo de recebimento, de estocagem e aumentar o de pagamento. No entanto, muitos deles não são negociáveis e fazem parte do negócio.

No contexto atual, pode até aumentar a concorrência para baixar preços e para dar mais prazos ao cliente. Esse movimento pressiona no sentido contrário ao desejado. Se a empresa estiver em um mercado desse tipo e avalia que é melhor evitar a perda de vendas do que encolher ainda mais o negócio, ela terá que contar com esse alongamento na conta do capital de giro. Todo negócio tem um ponto de equilíbrio que define o tamanho mínimo do negócio e isso deve ser levado em conta. 

Negocie os prazos que forem possíveis e procure recursos mais baratos para financiar os demais. O planejamento financeiro detalhado desse uso mensal vai ajudar a negociar um empréstimo mais favorável. É bom lembrar que os juros também sobem e podem comprometer seu negócio se esse capital de giro não for bem gerido. 

Ana Paula Paulino da Costa é especialista em finanças e docente da BSP – Business School São Paulo.