Pequenos podem lucrar com impressão 3D

Tecnologia já está sendo utilizada por arquitetos, engenheiros e designers para gerar receita

São Paulo – Em novembro de 2007, nascia uma startup com uma proposta curiosa: materializar personagens dos jogadores do game online World of Warcraft em pequenas estátuas tridimensionais. O negócio provou-se um sucesso – até hoje é possível comprar uma versão “impressa” do seu avatar no site da FigurePrints por 130 dólares –, mas só pode ser viabilizado graças a uma tecnologia: a impressão 3D.

Com preços cada vez mais acessíveis, as impressoras 3D estão transformando-se em fonte de receita para pequenos negócios, que utilizam os equipamentos para produzir protótipos e maquetes com maior agilidade custos menores.

A HP deu sua contribuição para o desenvolvimento do mercado, lançando no final do ano passado a Designjet 3D, primeiro modelo de um grande fabricante a atingir um patamar de preço considerado razoável pelo mercado. Fruto de uma parceria com a Stratasys, que desenvolveu a tecnologia do produto, o equipamento foi lançado por menos de 17,5 mil dólares no mercado europeu – e o preço só vem caindo desde então.

Confira, a seguir, uma entrevista com Fernando Lewis, gerente geral do grupo de imagem e impressão da HP no Brasil, sobre o desenvolvimento deste mercado e as oportunidades que ele pode trazer para os pequenos negócios no futuro.

EXAME.com – Quem utiliza as impressoras 3D hoje?
Fernando Lewis – É um produto de nicho. Estamos falando de engenheiros, arquitetos, designers.

EXAME.com – Quais são as principais aplicações da tecnologia?
Lewis – É um equipamento usado muito para a prototipagem e para a construção de maquetes. Mas não está restrito a isso. Tem empresas que usam para “imprimir” avatares das pessoas em jogos de videogame, por exemplo. Estamos observando como o mercado vai reagir à tecnologia.

EXAME.com – Quais seriam os usos possíveis entre pequenos negócios?
Lewis – Podemos imaginar, por exemplo, arquitetos usando isso para fornecer plantas em 3D para construtoras de imóveis ou mesmo para vender projetos, como um stand de feira de negócios. Hoje a visualização deste tipo de projeto é muito pobre. Esse é só um exemplo, as possíveis aplicações são muito variadas.


EXAME.com – A impressora 3D pode vir a funcionar como uma fábrica de garagem?
Lewis – Acho difícil, porque quando falamos de produção em escala, a tecnologia perde competitividade. Mas pode ser usada, por exemplo, para criar o molde que será usado na fabricação de um produto. É um equipamento que faz sentido para fazer algo “diferente”, “único”, não é orientado a volume.

EXAME.com – Como funciona a impressora 3D?
Lewis – Você tem um software, onde o projeto é desenvolvido, e a partir daí o “objeto 3D” é impresso em folhas individuais que são empilhadas para formar o produto final.

EXAME.com – Onde a Designjet 3D está sendo vendida?
Lewis – Por enquanto, o produto está sendo testado apenas na Europa, porque lá você encontra mercados altamente industrializados onde há demanda para este tipo de solução.

EXAME.com – E vem para o Brasil?
Lewis – Se o piloto der certo, o Brasil é um forte candidato a lançar o produto aqui. Temos um ecossistema ideal: as plantas locais para produzir, um centro de desenvolvimento e o entusiasmo do brasileiro pela tecnologia. A empresa está muito interessada nos emergentes.