Ousadia e alegria: empreendedor fatura R$ 5 mi com marca usada por Neymar

Leo Picon abriu sua loja virtual com 16 anos de idade. Sua influência e muito networking fizeram a Just Approve chegar a celebridades e faturar milhões

São Paulo – Um novo “influenciador” surge todos os dias na internet – seja por um belo perfil no Instagram ou por um canal divertido no YouTube. A dúvida que costuma rondar os analistas de plantão é: eles realmente conseguem viver da fama?

Leo Picon não vive apenas da sua imagem – mas ela deu uma bom empurrão para o sucesso nos negócios. Usando sua reputação como um “colírio” da revista Capricho, no longínquo ano de 2009, o adolescente resolveu criar sua própria marca de roupas, chamada Just Approve. Na época, Picon tinha apenas 16 anos de idade.

Sua noção de estilo pegou tanto que o e-commerce veste celebridades como o jogador Neymar Jr., nos holofotes por conta da Copa do Mundo de 2018. No último ano, a Just Approve faturou mais de cinco milhões de reais – e Picon, hoje com 22 anos de idade, foi de influencer a empreendedor serial.

Negócio de influencers

Picon já era conhecido na internet antes de abrir a Just Approve. Com fotos espalhadas pela antiga rede social Orkut, incluindo algumas publicidades infantis, o estudante foi convidado a se tornar um “colírio” do veículo Capricho aos 13 anos de idade – lista dos adolescentes mais charmosos do final da década de 2000, começo da década de 2010.

Ao mesmo tempo em que angariava seguidores nas redes sociais, Picon tinha dificuldade em encontrar roupas que o agradassem. Não achava boas estampas e queria camisas mais decotadas. Então, aos 16 anos de idade, juntou-se aos amigos e também influencers Cacá Parra, Tata Estaniecki e Felipe Akira e montaram a própria loja virtual de roupas, chamada Just Approve, em 2012.

O investimento inicial foi de 15 mil reais, tanto na plataforma quanto na confecção de mil camisas e saquinhos reutilizáveis. Em pouco tempo as peças esgotaram e o grupo teve o retorno do valor aportado. A reputação dos influencers pesou nesse resultado. “No dia do lançamento do site, fiz ele entrar nos trending topics do Twitter. Além disso, fazia lives pedindo para as pessoas divulgarem a loja. Fizemos um trabalho forte da divulgação.”

Leo Picon, influenciador e empreendedor Leo Picon, influenciador e empreendedor

Leo Picon, influenciador e empreendedor (Just Approve/Divulgação)

Crescimento: roupas unissex, celebridades e redes sociais

Além da propaganda do novo negócio em seus perfis na internet, Picon afirma que outro diferencial para o crescimento da Just Approve foi ter apostado em roupas genderless (o antigo unissex) – algo pouco visto na época, mas que ganhou cada vez mais popularidade. “Foi muito mais uma questão prática, de a gente conseguir otimizar a produção e colocar a mesma camisa decotada para homens e mulheres, mas acabou fazendo sucesso.”

Mesmo com essa popularização da moda genderless, Picon afirma que a Just Approve se expandiu principalmente a partir da relação próxima com os clientes. Picon participa dos ensaios fotográficos da Just Approve e, em seu perfil, desfila as roupas da loja e coloca os bastidores da empresa em seus stories no Instagram.

“Mais do que falar, eu vivo constantemente a marca. É o meu trabalho – todo dia estou lá desenvolvendo produtos e estratégias -, mas também é meu lifestyle”. Picon acumula 2,8 milhões de seguidores no Instagram e 833 mil inscritos em seu canal no YouTube.

A relação próxima com os clientes inclui celebridades como o jogador Neymar Jr., o cantor Lucas Lucco e a youtuber Maju Trindade. “Eu ia até o camarim dos artistas e dava um jeito de entregar meu produto. Essas pessoas, com o tempo, passaram a me conhecer e viraram não só amigos meus, mas também da marca. Hoje eu não preciso mais correr atrás. Virou um networking que se sustenta sozinho”, diz o empreendedor.

Neymar Jr. com roupas da Just Approve Neymar Jr. com roupas da Just Approve

Neymar Jr. com roupas da Just Approve (Just Approve/Divulgação)

Ainda que as camisas básicas sejam o primeiro produto da Just Approve, com maior volume de vendas, Picon afirma que os lançamentos com cores fortes acabam depressa. A marca não trabalha com coleções por estação, e sim por meio de peças novas a cada duas semanas, com uma ou duas reposições de estoque. Isso dá mais agilidade ao negócio, com vendas em tempo real, estabelecendo uma relação mais recorrente com o consumidor online – um modelo praticado por outras marcas de moda, como a Amaro.

No ano passado, a loja virtual faturou mais de cinco milhões de reais. Em maio de 2018, com mais de cinco anos de empresa, Picon comprou a participação dos amigos e se tornou dono único do negócio – os colegas não tinham o tempo necessário para fazer o negócio continuar crescendo, segundo o empreendedor.

A Just Approve bateu nos últimos meses sua meta de 100 pedidos diários, a um ticket médio de 170 reais. Para o segundo semestre, o e-commerce planeja coleções em parceria com celebridades da música (ainda não há nenhum nome fechado).

Trabalhos laterais de Picon ajudam a divulgar indiretamente sua marca. Além de desfilar para a Just Approve, Picon já apareceu para marcas como Audi, Calvin Klein, Colcci, Guaraná Antartica, Havaianas e Tommy Hilfiger. Ele é sócio de uma produtora de vídeos, chamada ROL Films; da hamburgueria Luz, Câmera, Burger!; e abriu o Galleria Bar, localizado no bairro Itaim (São Paulo), que conta com algumas apresentações de músicos trajados de Just Approve.

Só faltou tempo para Picon terminar a faculdade. Ele ainda precisa terminar duas matérias da graduação em Administração na Escola Superior de Marketing e Propaganda (ESPM). Infelizmente, não há negócios ou amizades famosas que se traduzam em créditos de aula – mas o empreendedor de 22 anos de idade ainda tem muito tempo pela frente.